WSL x Covid
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WSL x Covid

Time verde e amarelo pronto para o começo da nova temporada do mundial de surfe

Thiago Blum

30 de novembro de 2020 | 14h06

Pipeline, Havaí – foto: divulgação

Tá chegando a hora.

Foi um ano de espera até o retorno das competições da elite da World Surf League.

A janela para a largada do circuito feminino, em Maui, abre na quinta-feira.

Quatro dias depois, também no Havaí – só que na ilha de Oahu, mais precisamente em Pipeline – será a vez dos homens.

Só que a temporada 20/21, é claro, será diferente.

Com as batalhas de sempre na água… mas com uma missão nada simples fora dela.

Atletas, técnicos, juízes e organização terão de enfrentar o risco da contaminação.

O protocolo de prevenção para a Covid-19 está definido.

E precisa ser cumprido à risca.

Durante o 2º semestre, eventos menores e regionais serviram de teste como pequenas bolhas.

Nos chamados ‘WSL Countdown’, nenhum caso foi registrado.

Exemplos como o da NBA mostraram que a rigidez funciona.

Mas em outras modalidades, como o futebol brasileiro e a NFL por exemplo, o aumento dos casos colocou em xeque a eficiência no duelo atletas x coronavírus.

Ivan Martinho, CEO da WSL para a América Latina – foto: WSL

Será que é mesmo a hora certa de voltar?

Segundo Ivan Martinho, CEO da WSL para a América Latina, o principal desafio enfrentado foi o logístico: “Trabalhamos com as autoridades locais e consulados pelo mundo todo para auxiliar nossos atletas a chegarem no Havaí, uma tarefa nova que exigiu um grupo de trabalho específico. Para a etapa de início do tour, trabalharemos com staff local reduzido, operaremos seguindo todos os protocolos anti-Covid”.

Boa parte do time verde e amarelo já está no paraíso do surfe.

Ítalo Ferreira, que vai vestir a lycra amarela para defender os títulos mundial e do Pipe Masters em 2019, já postou vídeos voando baixo por lá.

O bicampeão Gabriel Medina (2014/2018) preferiu chegar um pouco mais em cima da hora.

Só desembarcou no arquipélago neste fim de semana.

Entre os brasileiros que já faturaram o troféu da liga, Adriano de Souza foi o primeiro a chegar.

O campeão de 2015, que vai correr a temporada de despedida como profissional, está há mais de 2 meses treinando nas ondas havaianas.

“Até escutei uma noticia local, falando que dos estados americanos, o Havaí somente perde para Maine e Vermont. Acho que a ilha, por estar distante, ajuda muito. Uma outra coisa que acho importante, foi que quando cheguei, tive que passar duas semanas sem sair de casa. um sentimento muito ruim. Mas também me sinto muito bem e seguro em andar por aqui, sabendo que todas as medidas de segurança estão sendo tomadas. Seria muito ruim se não tivesse circuito no meu último ano, mas sendo uma pandemia tão séria, não posso brigar contra. Só me proteger e rezar por mim e por todos para que isso acabe logo. Temos tido varias conversas com a WSL. Cada atleta somente poderá trazer uma pessoa que seja parte do time (esposa, manager ou treinador), e com certeza serão muito testados. Será um ano diferente, com menos público, ou até mesmo sem público. Mas poderemos competir, pelo menos nesse inicio… e se Deus quiser, logo teremos as vacinas”.

Adriano de Souza em ação no Backdoor de Pipeline

Experiente, Miguel Pupo esperou até a data limite para definir a viagem.

O motivo foi preocupação com o grande aumento dos casos de Covid-19 nos Estados Unidos, além da situação política do país pós-eleição presidencial.

Mas tá tudo certo.

E depois da longa espera, ele poderá reestrear na principal divisão do tour.

Outro paulista que também está de volta é Alex Ribeiro, que passa pela fase final de recuperação de uma lesão no pé.

“Vou ver como vou me sentir no Havaí, estou quase um mês sem surfar e vamos ver como vai ser lá. A gente vai né, com todos os cuidados que temos que tomar, o campeonato vai ter um plano de logística ‘bizarro’. Mas vamos nessa, depois de um ano inteiro em casa, chegou a hora de trabalhar (risos)”.

O parceiro de Alex na ‘trip’ e em toda a nova temporada, será o amigo Deivid Silva, que não vê a hora de ouvir a sirene de sua bateria soar.

“As expectativas são boas. Ficamos um ano em casa treinando, se preparando para esse grande início de temporada. Voltar a fazer o que a gente ama, que é competir. Tô com as pranchas boas, com o corpo muito bom e preparado. Vamos que vamos, que o Havaí vai começar”.

foto: reprodução / @dvdsilva

Atletas com a cabeça nas ondas.

Com a confiança em quem tem que cuidar da segurança para viabilizar o show.

“Todos os atletas e seus respectivos staffs têm sido muito parceiros na viabilização do retorno do tour. Temos uma área de segurança de saúde que vem monitorando a situação em cada país e compartilhando sistematicamente protocolos e melhores práticas de prevenção”, completa Ivan Martinho.

A WSL vetou a presença de público nas duas competições que abrem o calendário.

Vendedores e atividades que possam causar aglomeração, também serão proibidos.

Estão programadas várias rodadas de testes nos atletas e equipes de produção de filmagens.

Além claro, de medição de temperatura, uso obrigatório de máscaras, distanciamento, limpeza e protocolos de desinfecção.

por @thiago_blum

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