Asas que abrem, degradação de pneus, recordes de ultrapassagens… A ilusão da Fórmula 1 em 2011

miltonpazzi

24 de maio de 2011 | 07h42

Mais de 70 ultrapassagens, recordes de pit stops e indefinição do vencedor da corrida. Você deve lido isso desde que começou a temporada 2011 da Fórmula 1, ficado com essa sensação. Mas, sinto desiludi-lo, não caia nesse golpe, é tudo artificial. O número que devemos prestar atenção é este: quatro vitórias em cinco corridas, por Sebastian Vettel, com 41 pontos de vantagem na classificação de pilotos e o amplo domínio da Red Bull.

A FIA e a FOM criaram uma maneira de trazer alguma emoção ao Mundial, com a asa móvel e os pneus que desgastam mais. Reforço, é tudo artificial. E bizarro. No Estado desta segunda-feira (23/5), por exemplo, Livio Oricchio conta que tem equipe considerando que pode ser melhor largar atrás e economizar pneus macios para a corrida. Ou seja, nada de premiar o melhor, o mais rápido! É contraditório.

Quero ultrapassagens como reflexo de disputas técnicas em todos os níveis (mecânico, eletrônico, engenharia e pilotos, e pela alta qualidade – isso é o princípio da F1), e não por causa de uma asa que só serve para colocar quem vem atrás à frente.

O DRS (Drag Reductions System, ou sistema de redução de arrasto, em português) é ilusório, porque o que tem acontecido muito é de quem está atrás passa e na volta seguinte inverte-se a situação, com o repasse. E aí o número de ultrapassagens é alto.

Fico triste de ver gente apontando “Olha lá, a asa abriu…”. E a expectativa que se formou em ver isso acontecendo… tsc, tsc, tsc.

Passou mesmo da hora da FIA rever o regulamento e acabar com essa dependência aerodinâmica dos carros – o que deve acontecer só em 2013. É assim que voltaremos a ver ultrapassagens de verdade. Dos pneus, tinha é de ter “guerra” de fabricantes, como já teve, onde se busca o melhor composto, formato, calibragem, e não a forma atual, que nivela tudo por baixo.

E esse nivelamento por baixo só serve para as equipes que estão lá há tempos. Afinal, podem até passar Vettel-Webber no começo, até o meio, mas no final só dá a dupla da Red Bull. E aí isso me lembra os anos em que um alemão campeão dominava tudo, não é mesmo? Era chato, mas justo. Pelo menos não me sentia enganado.


A McLaren chegou perto da Red Bull na Espanha. Será que chegou mesmo? Foto: Susana Vera/Reuters

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