Sábado de sol e cordialidade

miltonpazzi

30 de abril de 2011 | 18h25

POR ROBERTO BASCCHERA

SÃO PAULO – Quem se acostumou a ver carros de corrida nos boxes chega a estranhar os “cercadinhos’ no grande e frio galpão que é o pavilhão de exposições do Anhembi despido do carpete, dos stands e da sofisticação das feiras. Nada de segredos camuflados, capas sobre asas e aerofólios, peças ocultas para driblar os rivais. A corrida de São Paulo celebra a tradição da Fórmula Indy de abrir tudo, ou quase tudo, a quem quiser ver. E com detalhes que remetem aos tempos românticos das corridas, com caixas de ferramentas no chão e mecânicos com a mão na graxa.

Sob o sol escaldante, tudo parece ser natural, mesmo porque nas arquibancadas, pouca gente acompanhou o dia de treinos. O australiano Will Power, pole position na corrida deste domingo, passa pelo meio do público pilotando um scooter com seu nome gravado. De repente para, desliga a moto e, sem tirar as chaves do contato, entra rápido em um dos banheiros químicos à beira do pit lane. Um minuto depois, aliviado, gira a chave e some, quase sem ser percebido.

“Não que a Indy seja mais democrática. Aqui tudo é mais aberto por causa do regulamento”, explicava Rubens Barrichello, no cercadinho do compadre Tony Kanaan, padrinho de um de seus filhos. Ele não esconde que gostaria de acelerar um desses carros equipados com motores Honda movidos a etanol. Pelo menos para sentir a diferença com um Fórmula 1. “A gente ouve o ronco, vê o clima, dá aquela coceirinha”.

Os pilotos passaram o sábado brigando com as ondulações da pista de 4.080 metros, em especial com o degrau formado na junção do asfalto com o concreto no fim da reta do sambódromo. “O carro pula muito nesse ponto, mas essa é característica de circuito de rua”, minimizou Tony Kanaan. Bia Figueiredo também evitou criticar a pista. “Estou me divertindo bastante”, disse.

Quem pode dá uma voltinha num carro de dois lugares pilotado por ninguém menos que o piloto aposentado Al Unser Jr., bicampeão da Indy (1990 e 1994) e duas vezes vencedor em Indianápolis. Unser Jr. ficou conhecido dos brasileiros nas 500 Milhas de Indianápolis de 1989, quando nos metros finais da prova disputava a vitória com Emerson Fittipaldi e os dois tocaram roda – o americano bateu no muro, Emerson venceu.

Suando em bicas, o simpático Unser Jr., cabelos tingidos e barriga saliente aos 49 anos, não recusa fotos com os fãs. Ele só pede um tempinho para pegar o boné do patrocinador e os óculos escuros. “Nesse carro de dois lugares não dá nem para sentir se a pista está ondulada, mas percebi que o piso está melhor que o ano passado.”

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