Natália: o futuro do vôlei brasileiro que já é realidade

Estadão

18 de abril de 2011 | 08h51

O Vôlei na Web ainda está dando os seus primeiros passos. Mas, como o esporte é feito de desafios, que tal fazer uma aposta? Quem costuma acompanhar vôlei já deve ter ouvido falar bastante e visto muitos jogos da jovem Natália, de 22 anos, do Sollys/Osasco. A atleta, que joga em duas posições (ponta e oposta), esteve na seleção brasileira que ficou com o vice-campeonato no Mundial do ano passado, no Japão.

Pelo seu desempenho em quadra, o blog acredita que ela tem tudo para virar uma estrela internacional do esporte após os Jogos de Londres, em 2012. E será um dos destaques do Brasil na campanha rumo ao bicampeonato olímpico.

Por isso, ela é a escolhida ter a palavra logo nesta primeira semana do blog. Na entrevista, ela fala sobre seleção brasileira, Superliga, o polêmico ‘caso Michael’ e o futuro da carreira. Confira:

SELEÇÃO BRASILEIRA
“Este ano temos três campeonatos super importantes, o Sul-Americano, a Copa do Mundo e o Pan-Americano. Têm competições que são classificatórias para a Olimpíada de Londres. Então estamos pensando neste ano, mas com certeza também com a cabeça lá na frente, para chegar bem nos Jogos.”

– Confiante na convocação?
“Acho que a convocação dependerá do que as atletas estão fazendo na Superliga. Vou esperar agora a convocação deste ano. Vou ter que ver, são atletas de altíssimo nível que estão lá. A Mari e a Paula (Pequeno) estão voltando, elas ficaram fora do Mundial do ano passado. Tem Sassá, Jaqueline, são ótimas jogadoras, campeãs olímpicas. A briga vai ser difícil, mas eu estou ali para ajudar a equipe. No que eu puder ajudar ficarei feliz. Quem estiver melhor no momento vai ser titular.”

SUPERLIGA
“Estamos esperando uma posição da Confederação para saber quando será feito o primeiro jogo da semifinal [após o acidente com o ônibus do Vôlei Futuro, a CBV ainda não divulgou novas datas para as partidas das semis]. Mas, enquanto isso, nossa equipe está dando o máximo nos treinamentos, todas as jogadoras estão super afim. A partir do momento que vier o jogo estaremos preparadas para ganhar. Independentemente de qualquer coisa estamos com a cabeça voltada para o nosso objetivo, que é ganhar a Superliga. Com certeza não vai ser fácil. O Vôlei Futuro virá forte, com as jogadoras recuperadas. Não será uma semifinal fácil, e, se a gente conseguir passar, certamente a final [contra a já classificada Unilever] também não será fácil.”

– Como estará o Vôlei Futuro após o acidente?
“Quem vai estar faltando no Vôlei Futuro será somente a Stacy [a líbero norte-americana sofreu um traumatismo cranioencefálico e segue internada no hospital]. As outras jogadoras tiveram apenas algumas escoriações, foram ferimentos leves, e nesta hora a superação conta muito. Elas virão super afim também, até porque é uma semifinal de campeonato. Eu acho que, para nós que somos atletas, é a parte mais gostosa. É um desafio, porque se você perder, está fora de uma final, e se ganhar está dentro. É uma parte crucial do campeonato, com certeza não vamos achar nenhuma facilidade no time delas. Por isso, estamos nos preparando bem.”

– Qual jogadora tem se destacado na Superliga?
“Todas as equipes que estão na semifinal têm jogadoras que se destacam. O Unilever tem várias. As equipes não dependem de duas ou três jogadoras. Quem chegou na semifinal é porque foi bem, se dedicou pra caramba. O que faz a equipe ser campeã é o grupo. Não vejo hoje nenhuma jogadora com grande destaque na Superliga. Acho que são os grupos que estão se destacando.”

‘CASO MICHAEL’
– Foi correto ele e o Vôlei Futuro entrarem com uma ação no STJD após o jogador ter sido chamado de ‘bicha’ pela torcida do Sada/Cruzeiro durante o jogo?
“Foi uma decisão dele, eu respeito os dois lados. Não sou a pessoa certa para dizer se eles estavam certos ou errados, mas, se ele se sentiu ofendido, tem o direito de reivindicar isso. E é bom né, até pelo que vem acontecendo não só no voleibol, mas no mundo inteiro. Estamos em um mundo muito para frente. Eu não tenho preconceito nenhum. O Michael é uma pessoa que eu tenho muito carinho, é um grande amigo meu, estou com ele para o que der e vier. Apoio ele em qualquer decisão. Eu convivi com ele vários anos aqui em São Paulo, até porque ele jogou em São Bernardo. É um grande amigo meu, de tempos já. É por isso mesmo que eu o apoio no que ele for fazer. É um cara que não tem inimigo nenhum, todo mundo que o conhece gosta dele.”

– É normal a pressão que ele sofreu por parte da torcida adversária?
“Em jogos assim, a torcida sempre tenta tirar alguém do jogo. As vezes eu sou xingada, assim como outras atletas. Mas não sei se já vivi algo dessa proporção. Foi uma maneira de a torcida tentar tirar o jogador do jogo, da partida. O Michael vem jogando bem, incomodando o torcedor adversário. Pode ter sido um jeito de eles terem tentado tirar o Michael do jogo.”

– Já passou por algo parecido?
“Isso acontece em todos os esportes. Quando tem torcida, tentam ajudar uma equipe e desestabilizar a outra. Acho que é uma coisa normal. Tem torcedor que a gente até ri do que eles ficam falando. Eu não me importo, depois do jogo tem até alguns que pedem desculpa. Dizem: ‘Eu estava torcendo pelo meu time, mas parabéns pela partida’. Eu não vejo muita maldade no que os torcedores falam.”

CARREIRA
– Você se espelha em alguém do passado?
“Individualmente não. Quando comecei a jogar, todo mundo falava de Ana Moser, Márcia Fu. Eu não acompanhava muito vôlei, eu era muito nova. Aí comecei a acompanhar o esporte, mas não teve ninguém específico assim. Sempre vi na televisão o Serginho, o Giba jogando. Também tinha a Sassá, a Jaqueline jogando. Então eu fui pegando um pouquinho de cada. São grandes estrelas do voleibol mundial. Paula Pequeno, Elisângela, Valeskinha, Carol Gattaz. Peguei experiência com todas elas. Sempre tentaram me ajudar.”

– Como é esta questão da força?
“As meninas sempre falam que eu sou uma das atacantes mais fortes que tem no Brasil. A minha principal característica é a força. Mas eu as vezes eu tento até aprender com as habilidosas, a Sassá tem vários golpes, a Jaqueline. Acho legal.”

– Você sente que evoluiu nos últimos anos?
“Com o passar dos anos a gente vai evoluindo. É natural do ser humano isso. Não é sempre na força que a gente vai passar pelo bloqueio. Uma largada vale a mesma pontuação de um ataque forte. A cabeça vai mudando. Tenho 22 anos, não digo que sou velha. Hoje minha cabeça é outra, estou aprendendo com as jogadoras aqui do Osasco. A evolução é própria do ser humano.”

(Foto: Alexandre Arruda/Divulgação)

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