Apesar de incógnitas, F-1 2022 vai tomando forma

Apesar de incógnitas, F-1 2022 vai tomando forma

Duas provas noturnas e um circuito encurtado em 28 metros e com mais trechos para facilitar as ultrapassagens resumem o período inicial do Campeonato Mundial de F-1, algo a ser completado domingo com a disputa do GP da Austrália.

Wagner Gonzalez

05 de abril de 2022 | 09h58

Após duas corridas noturnas, em Abu Dhabi e Jeddah, F-1 vai correr sob o Sol, na Austrália (Red Bull)

Duas provas noturnas e um circuito encurtado em 28 metros e com mais trechos para facilitar as ultrapassagens resumem o período inicial do Campeonato Mundial de F-1, algo a ser completado na tarde de domingo (horário australiano) com a disputa do GP da Austrália. A pista semipermanente montada no Albert Park, em Melbourne, foi modificada este ano e permitirá velocidade média mais alta e, portanto, voltas mais rápidas. Estima-se que os tempos serão reduzidos entre cinco a seis segundos; para referência vale lembrar que na corrida de 2019 Valtteri Bottas fez a volta mais rápida da prova em 1’25”580 e Lewis Hamilton garantiu a pole position com 1’20”486. Em 2020 a corrida foi suspensa pouco antes do início dos treinos de sexta-feira por causa da pandemia do Covid-19 e em 2021 as restrições sanitárias para desembarque no país tornaram impossível a realização do evento.

Ferrari estará sob forte escrutínio no fim de semana (Ferrari)

Líderes da temporada graças à dobradinha em Abu Dhabi e o segundo lugar em Jeddah, Ferrari e Charles Leclerc estarão sob forte escrutínio no próximo fim de semana. A tradicional Scuderia terá que evitar erros estratégicos como o cometido na Arábia Saudita: nessa etapa, os italianos evitaram fazer uma segunda troca de pneus no carro do piloto monegasco, que foi superado por Max Verstappen nas últimas voltas. Por seu lado, Leclerc demonstra maior maturidade e até mesmo os duelos entre ele e holandês, seu adversário desde os tempos de kart, mostraram um respeito que não havia entre o último e Lewis Hamilton. Vale lembrar que a Federação Internacional do Automóvel (FIA), estabeleceu que só após pilotos e equipes retificarem ganhos indevidos de posição é que os comissários desportivos aplicarão sanções.

Charles Leclerc mostrou maior maturidade nas primeiras provas do ano (Ferrari)

Ao tornar a pista ainda mais rápida os organizadores australianos criaram uma situação complicada para os fabricantes de motores e, consequentemente, todas as equipes. Ao elevar de 5% para 10% a quantidade de etanol adicionado aos 110 kg de combustível vão no tanque de cada carro, os parâmetros de consumo, desgaste e refrigeração considerados até o ano passado perderam valor. Na abertura da temporada, em Abu Dhabi, os dois carros da Red Bull pararam a poucas voltas da bandeirada por uma pane no sistema de alimentação. Segundo a equipe, tanto o #1 de Max Verstappen quanto o #11 de Sérgio Pérez tinham gasolina para chegar ao final da prova, mas não era possível fazer com que o líquido chegasse até o motor. O fato da competição estar programada para a tarde de domingo, quando a temperatura local estará mais alta, também deve ser levado em consideração.

Outras equipes também tiveram problemas semelhantes: ainda na prova de abertura o francês Pierre Gasly abandonou com problemas com o motor, equipamento igual ao da Red Bull. Em Jeddah o espanhol Fernando Alonso foi obrigado a desistir quando a bomba de combustível do seu Alpine falhou e Valtteri Bottas, da Alfa Romeo-Sauber, sofreu pane semelhante. Em situações normais, ao eliminar trechos de baixa velocidade ao longo do percurso pode-se considerar um aumento na autonomia, consequência da redução em trechos de aceleração. Como os carros de F-1 têm motor híbrido, que ganha eficiência nas retomadas com a energia gerada nas freadas, a equação para descobrir o consumo por volta fica mais complicada.

Mercedes W13 tem seu rendimento prejudicado por falhas no projeto de sua aerodinâmica (Mercedes)

Equipe dominante das últimas temporadas, a Mercedes ainda sofre com problemas de aerodinâmica. Ao optar por um carro que precisa andar o mais próximo do asfalto possível, o chassi W13 sofre as consequências do chamado efeito golfinho. Quando isso acontece o monoposto sofre um movimento de expansão e contração na altura livre do solo, o que prejudica a estabilidade e causa extremo desconforto aos pilotos Lewis Hamilton e George Russell. A pavimentação de alta qualidade nos 5.305 metros do circuito devem contribuir para atenuar esse efeito, situação que pode ficar ainda melhor caso as alterações que os carros trarão surtam o efeito desejado.

Sete curvas foram modificadas no traçado de Albert Park, sendo que duas delas – as de número 9 e 10 do percurso conhecido -, foram eliminadas. Em seu lugar agora há um trecho de alta velocidade na aproximação da antiga curva 11. As curvas 1 e 3 foram alargadas em seu lado interno e a antiga curva 13 (agora a 11 no novo lay-out) teve seu raio aumentado. O asfalto novo terá pouca aderência no início dos treinos e, na medida que os treinos progredirem vai melhorar esse índice e o também o que se refere ao desgaste.

Último GP da Austrália aconteceu foi disputado em 2019: Bottas largou na pole e Hamilton venceu a prova (Mercedes)

As mudanças da pista também trazem interrogações para a Pirelli, que fornece os pneus para a categoria. Segundo Mario Isola, responsável pelo departamento motorsport da empresa, “as alterações no lay-out, o novo asfalto, carros novos e o fato de que vários pilotos inscritos nunca terem disputado uma prova no Albert Park são interrogações.” Classificado como um circuito de piso liso os compostos ideais para essa prova serão os da gama média: C2 (inscrições na banda lateral em branco) C3 (amarelo) e C3 (vermelho). Outro parâmetro que indica as características do circuito é a cambagem das rodas dianteiras e traseiras. As primeiras têm a parte inferior inclinadas 3,5 graus para fora, o dobro do utilizado na traseira.

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