F1 – Inglaterra: Valtteri baixou a bota

F1 – Inglaterra: Valtteri baixou a bota

Hamilton se beneficia com punição ao finlandês. Massa é oitavo em dia de ventos fortes. Vettel reprova novo para-brisa.

Wagner Gonzalez

14 de julho de 2017 | 14h21

Em dia de ventos fortes e uivantes – verdade que o baixo ruído dos motores atuais ajudou nisso -, Valtteri Bottas foi o mais rápido nas duas sessões de treinos livres para o GP da Grã-Bretanha, hoje (sexta, 14), em Silverstone, na Inglaterra. No jargão do automobilismo brasileiro, o finlandês “baixou a bota”, expressão usada para definir um piloto que andou muito rápido. Quase tão rápido quanto seu desempenho, veio a notícia que ele perderá cinco posições no grid em função da troca da caixa de câmbio do seu carro; decisão extremamente técnica, a medida ajudará Lewis Hamilton, o segundo mais rápido e primeiro piloto da equipe alemã. O mesmo problema e punição prejudicaram o inglês no GP da Áustria, disputado domingo (9).

Hamilton vai se beneficiar da punição imposta ao seu companheiro de equipe (Mercedes)

Com o céu exibindo nuvens que se moviam em várias direções sob um um fundo que escurecia com o passar das horas – algo típico na região -, a chuva não apareceu e ao final da jornada o tempo só fechou mesmo para o novo para-brisa que deveria ser avaliado por Sebastian Vettel. O alemão da Ferrari sequer completou uma volta lançada e pediu para retirar o equipamento alegando sentir tontura. Felipe Massa foi o oitavo classificado, à frente de Fernando Alonso.

SIlverstone fica em uma área sujeita a fortes ventos, combinação nociva com suas curvas de alta velocidade (BDRC)

Situado em uma base aérea construída para a II Guerra, Silverstone ocupa uma extensa área plana e bastante sensível à mudança de direção dos ventos. Tal característica aliada ao traçado de alta velocidade cria dificuldade extra para manter os carros sob controle a cada curva: extremamente sensíveis às forças de aerodinâmica, os carros de F1 perdem estabilidade ao percorrer curvas velozes e sofrer influência de ventos que sopram em outras direções. Alguns pilotos que se queixaram desse fenômeno foram Sebastian Vettel (rodou na curva Copse), Felipe Massa (entre Becketts e Chapel), Kimi Raäikkönen, e Daniel Ricciardo.

Quem teve menos motivos para reclamar dos céus foi Carlos Sainz Jr: na vistoria técnic

Carlos Sainz e a Toro Rosso escaparam de punição por causa de uma irregularidade técnica (Getty Images/RBCP)

a realizada quinta-feira os comissários técnicos descobriram uma avaria em um dos cabos de segurança que seguram as rodas e a mangas de eixo ao carro em caso de acidente. Após os devidos sermões e explicações, tudo voltou ao normal: a equipe não foi punida e o espanhol pôde treinar. Pior aconteceu para o compatriota Fernando Alonso: após a McLaren ter sido obrigada a trocar um acumulador de energia a direção de prova puniu o espanhol com a perda de cinco posições no grid. Alonso ficou consistentemente entre os dez primeiros e fechou o dia em nono lugar, logo atrás de Felipe Massa. Saldo positivo foi o espanhol ter demonstrado algum progresso do motor Honda, equipamento tão criticado pelo baixo desempenho desde que a marca japonesa reativou seu programa de F1 em 2015.

 

Alonso perderá cinco posições no grid por ter trocado acumulador de energia (McLaren)

Uma das grandes expectativas da primeira sessão de treinos livres era o teste que a Fia, Ferrari e a empresa Isoclima programaram para avaliar um para-brisa que, teoricamente, aumenta a segurança passiva aos pilotos. Não foi necessário mais de uma volta incompleta para Sebastian Vettel parar nos box e pedir para retirar o equipamento.

Após uma volta com o novo para-brisas Vettel se queixou de enjôo e visão turva (Ferrari)

“A visão à frente não é das melhores e me senti um pouco enjoado. Talvez a distorção de imagem tenha acontecido por causa da temperatura, mas além disso o efeito aerodinâmico empurra o capacete para frente”, foi o primeiro comentário do alemão.

Outra queixa do alemão foi o acesso ao cockpit equipado com o novo para-brisa (Ferrari)

Vettel criticou ainda a dificuldade em entrar e sair do carro, porém admitiu que isso possa ser resolvido com um pouco mais de prática. Ainda no primeiro treino os dirigentes da Ferrari acompanharam com atenção a participação de Antonio Giovanazzi, piloto da academia de Maranello, com o Haas de Kevin Magnussen; o italiano foi 458/1000 mais lento que o Romain Grosejan. No treino vespertino Grosjean foi 174/1000 mais rápido que o dinamarquês.

Aotonio Giovinazzi pilotou um Haas no treino da manhå e foi o 16º, com 1’32″031 (Haas)

Os tempos do segundo treino:

1) Valtteri Bottas (Finlândia), AMG-Mercedes W08, 1’28″496
2) Lewis Hamilton (Grã-Bretanha), AMG-Mercedes W08, 1’28″543
3) Kimi Räikkönen (Finlândia), Ferrari SF70H, 1’28″828
4) Sebastian Vettel (Alemanha), Ferrari SF70H, 1’28″956
5) Max Verstappen (Holanda), Red Bull RB13-Tag Heuer, 1’29″029
6) Daniel Ricciardo (Austrália),Red Bull RB13-Tag Heuer, 1’29″586
7) Nico Hulkenberg (Alemanha), Renault RS 17, 1’29″936
8) Felipe Massa (Brasil), Williams FW40-Mercedes, 1’30″006
9) Fernando Alonso Espanha), McLaren MCL32-Honda. 1’30″328
10) Estebán Ocón (França), Force India VJ10-Mercedes, 1’30″383
11) Carlos Sainz Jr (Espanha), Toro Rosso STR12-Renault, 1’30″333
12) Daniil Kvyat Rússia), Toro Rosso STR12-Renault, 1’30″562
13) Sérgio Pérez (México), Force India VJ10-Mercedes, 1’30″624
14) Romain Grosjean (França), Haas VF17-Ferrari, 1’30″661
15) Lance Stroll (Canadá), Williams FW40-Mercedes, 1’30″695
16) Stoffel Vandoorne (Bélgica), McLaren MCL32-Honda, 1’30″695
17 Kevin Magnussen (Dinamarca), Haas VF17-Ferrari, 1’30″835
18) Jolyon Palmer (Grã-Bretanha), Renault RS17, 1’30″879
19) Marcus Ericsson (Suécia), Sauber C36-Ferrari, 1’31″616
20) Pascal Wehrlein (Alemanha), Sauber C36-Ferrari, 1’31″929

 

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