Alpes Marítimos e a F-1

Alpes Marítimos e a F-1

Mundial prossegue em Paul Ricard, pista marcada por contrastes e modernidade

Wagner Gonzalez

20 de junho de 2019 | 16h10

Paul Ricard e os Alpes Marítimos: combinação de automobilismo e boa mesa (RBCP/Getty Images)

A década de 1970 brindou o automobilismo com a construção dos primeiros circuitos projetados europeus especificamente para competição no pós-guerra e com viés comercial e dessa leva o único que se mantém ativo e atualizado é Paul Ricard, onde a F-1 se apresenta neste fim de semana. Construído à beira do mar Mediterrâneo no Departamento (equivalente francês ao nosso conceito de Estado) dos Alpes Marítimos, o traçado situado em Le Castellet foi um investimento do industrial do ramo de bebidasque o batizou com seu nome, mais tarde foi  propriedade de Bernie Ecclestone e atualmente é gerenciado por uma off-shore com sede na África…

A reta de Mistral já foi a maior dos circuitos mundiais. Foi encurtada por chicanes (RBCP/Getty Images)

Na época de sua inauguração Paul Ricard trazia várias inovações, entre elas a longa reta Mistral, onde muitos juram ter visto Patrick Tambay atingir 400 km/h em seus tempos de Ferrari. Também havia um túnel que permitia operar duas entradas e duas saídas aos boxes, os primeiros que eram verdadeiras garagens; a novidade facilitava sobremaneira o trabalho das equipes, que não precisavam carregar e descarregar seus equipamentos mais caros ao fim de cada jornada de trabalho, como era de praxe naquela época. O aeródromo ao lado do escritório situado na entrada do circuito também era outro diferencial. Situado praticamente ao nível do mar, Paul Ricard traz à lembrança outra bebida que o famoso “pastis”, um aperitivo à base de anis consumido em larga escala nos cafés franceses. É na região de Bandol, cidade próxima ao circuito, que se produz um dos vinhos rosés mais leves e saborosos do mundo, opção ideal para acompanhar a dieta local baseada em frutos do mar e algumas boas receitas de escargots.

O atual cartão postal de Paul Ricard inclui suas multi coloridas áreas de escape (RBCP/Getty Images)

Ao longo do tempo o circuito perdeu boa parte de piso calcário e árvores marcadas pelo vento Mistral característico da região e ganhou áreas de escape pavimentadas e pintadas em tons de fortes contrastes; mais, foi o primeiro autódromo com um sistema de “chuva” artificial, capaz de molhar todo o trajeto e facilitar o desenvolvimento de pneus e acertos para piso molhado. Mais: seu terreno recebeu um número cada vez maior de bases de equipes e construtores e entrou para a história da F-1 em dois episódios tristes: o italiano Elio De Angelis sofreu um acidente fatal durante treinos com um Brabham e foi dali que Frank Williams iniciou uma viagem de carro que o tornaria paraplégico após um acidente na estrada rumo a Nice. Paul Ricard fica praticamente na metade do caminho entre Marselha e Nice, onde estão os principais aeroportos da região. Foi também em Paul Ricard o primeiro teste de Ayrton Senna com um Williams, em 1994, ocasião na qual ficou patente a pouca eficiência do chassi FW-16.

Lewis Hamilton, vencedor em 2018) e líder da temporada 2019 é favorito (Mercedes)

Sede do GP da França durante bons anos, o autódromo do Mediterrâneo perdeu lugar para Magny-Cours em uma negociação marcada pela forte ligação entre Guy Ligier e os políticos Pierre Bérégovoy e François MIterrand. Por mais moderno e bem equipado que fosse, o circuito de Magny-Cours, localizado numa região cujos maiores atrativos são a criação e comércio do gado Limousine e os vinhos de Sancerre, jamais consolidou-se entre as grandes pistas. Após um hiato de 10 anos entre 2008 (vitória de Felipe Massa) e 2016, o GP da França voltou a acontecer em Paul Ricard no ano passado, quando Lewis largou na pole position e venceu a prova em que Valteri Bottas fez a melhor volta.

Sérgio Sette Câmera disputa a F-2 e pode surpreender no fim de semana (Dutch Photo Agency)

Para os brasileiros o grande interesse do fim de semana estará voltado para as preliminares de F-3 – onde correm Felipe Drugovich e Pedro Piquet – e F-2, onde Sergio Sette Câmera se apresenta. Na F-1, a expectativa é de novo domínio da equipe Mercedes, que venceu as sete provas já disputadas nesta temporada.

Felipe Drugovicch é um dos dois brasileiros inscritos na preliminar da F-3 (Dutch Photo Agency)

NA TV

Os horários de treinos (hora de Brasília), prova de classificação e corrida:

Sexta-feira, treino Livre 1                  6h00 – SporTV 2
Sexta-feira, treino Livre 2                 10h00 – SporTV 2
Sábado, treino Livre 3                        7h00 – SporTV 2
Sábado, treino de classificação        10h00 – SporTV 2
Domingo, corrida                                10h10 – TV Globo

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