Anísio, de A a Z

Anísio, de A a Z

Automobilismo brasileiro perde estilo e criatividade.

Wagner Gonzalez

15 de setembro de 2019 | 12h46

 

Na mesa daquele restaurante está sobrando um filé Oswaldo Aranha. A prancheta está em branco. O universo automobilístico brasileiro menos bonito. Perdemos Anísio Campos.

O último ano e meio arrastou-se impiedosamente sobre um dos grandes ícones do automobilismo e do automóvel brasileiros. Com a saúde cada vez mais debilitada, o carinho incondicional da aguerrida companheira Anna Martins Ferreira (a artista plástica Annapana) e o apoio dos filhos eram o incentivo a seguir vivendo e recebendo a visita de uma longa fila de muitos amigos de longa data, além amigos muitos que procuravam saber sobre seu estado.

Aquela que é considerada a única certeza da vida, porém, também estava nessa fila e na noite de ontem (14/9), veio dar seu recado e nos tirou alguém era multimídia muito antes da mídia ser multi… Artista no mais puro sentido da palavra, Barbosa (como alguns o chamavam) era pintor, escultor, decorador, ilustrador, piloto, visionário, era um Poeta, como outros tantos o chamavam. Dessa alma leve e tão multicolorida quanto multifacetada saíram carros como o bug Kadron, o protótipo AC, ene modelos de carros de série modificados para suprir a demanda reprimida pela proibição de importar automóveis, mini-carros e talvez a maior equipe brasileira de competição, nascida Z e consagrada como Hollywood. Dali também saiu também a generosidade para quem estava ao seu lado, não importasse quem fosse.

Para o grande público que consumia seu talento em inúmeras formas, era e sempre será Anísio Campos. Que ele descanse em paz.

 

O corpo de José Anísio Barbosa de Campos está sendo velado no Memorial Parque Paulista, no Embu das Artes, com velório a partir de 15h30, seguido de cremação.

 

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