Asfalto russo poupa pneus

Asfalto russo poupa pneus

Semelhança com Bahrain faz prever carros mais rápidos. Temperatura ambiente baixa pode afetar Ferrari. Honda promete novo MGU térmico

Wagner Gonzalez

25 de abril de 2017 | 10h00

Circuito com características peculiares e com demandas de acerto de chassi similares às usadas na pista de Sakhir, Sochi poderá marcar o início de uma nova fase na temporada 2017 da F-1. Quarta etapa do Campeonato Mundial, o GP da Rússia terá em seu grid carros mais acertados e desenvolvidos graças a três corridas e dois dias de testes realizados no circuito barenita nas terça e quarta-feiras passadas. Fatores como o asfalto com um dos níveis mais baixos de desgaste de pneus, a temperatura média ambiente baixa e ausência de retas demasiadamente longas colaboram para uma disputa mais equilibrada.

Nico Roberg, vencedor em 2016 e atual recordista do circuito, contornando a curva 3 (Mercedes)

Ainda que o terceiro trecho do circuito de 5.848 metros seja bastante travado graças às suas seis curvas consecutivas em ângulo quase reto e bastante próximas, a média horária local é relativamente alta. Na corrida de 2016 a melhor volta da prova foi em 1’39”094, atual recorde oficial, média horária de 212,452 km/h, autoria do vencedor Nico Rosberg. Vale registrar que a equipe Mercedes está invicta nessa pista inaugurada em 2014, ano em que Lewis Hamilton conseguiu a primeira de suas vitórias no traçado situado entre o Mar Negro e as montanhas do Cáucaso.

O traçado de Sochi e suas referências básicas (F1.Com)

Voltando ao traçado: a reta de largada termina em uma curva de 90o e antecede uma longa curva de raio constante à esquerda, principal causa de desgaste dos pneus, em particular o dianteiro direito. Será interessante comparar os tempos parciais de cada piloto nesse trecho ao longo da corrida: o desenho da curva será um duro teste de resistência para o pescoço. Curvas de raio constante são raras na F-1 atual; o circuito sueco de Anderstoorp, construído em torno do aeroporto local, era famoso por essa característica.

Anderstoorp, palco do GP da Suécia entre 1973 e 1978, e suas curvas de raio constante (Arquivo pessoal)

O trecho seguinte tem uma série de curvas de média e alta velocidades. Segundo Mario Isola, responsável pelo departamento de corridas de automóveis da Pirelli, a pista russa não apresenta maiores problemas para os pneus, sendo que os pontos críticos são as curvas 2 e 13, final de retas. Nesses pontos as freadas podem terminar em travamento de rodas e consequente desgaste localizado na banda de rodagem, o chamdo “flat spot” no jargão da categoria.

A Pirelli selecionou seu três compostos mais macios para o GP da Russia (Pirelli)

O desgaste de pneus poderá ser um dos mais baixos da temporada: se no ano passado houve apenas uma troca desse equipamento durante a corrida. Assim, os três compostos oferecidos para Sochi incluem o ultramacio (letras roxas na banda lateral),  supermacio (vermelhas) e macio (amarelo). Pode-se esperar por estratégias mirabolantes de duas paradas para largar e terminar com os pneus mais aderentes e manter um ritmo de corrida mais elevado.

Entre as equipes a expectativa maior gera em torno do desempenho da Ferrari em temperaturas mais baixas (Vettel venceu em corridas disputadas em ambientes mais quentes: Melbourne e Bahrain) e a evolução da Mercedes em termos de estratégia e disputa entre seus dois pilotos. Nos demais times a McLaren (onde se aposta na evolução do motor Honda, equipado com um novo gerador térmico de energia, o MGU-H) e mais um passo à frente nos carros da Red Bull, que sempre andam bem em pistas lisas.

Mais pistas a caminho

Nelson Piquet venceu pela primeira vez na F-1 no circuito de Long Beach, na Califórnia (Pinterest)

Esta semana voltou-se a falar na inclusão de novas pitas no calendário da F-1. O local que tem marcado os melhores tempos nessa disputa parece ser Long Beach, na área metropolitana de Los Angeles, traçado surgido para corridas de F-1 entre 1976 e 1983 e palco da primeira vitória de Nelson Piquet na categoria, em 1980. A administração da cidade estuda investir no retorno da F-1, o que vai de encontro aos planos da FOM (Formula One Management), atualmente controlada pelo grupo americano Liberty Media.

Outras praças que disputa vaga são um terceiro circuito na Alemanha e Londres, onde o parlamento inglês recentemente aprovou leis que atenuam os inconvenientes de fechar vias urbanas para a realização de competições automobilistíscas. Roma também foi mencionada em alguns comentários na imprensa especializada europeia, mas é mais provável que a capital italiana receba uma etapa da F-E, categoria reservada a carros movidos a energia elétrica.

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