Bem-vindo pneu Michelin! Adeus, pneu Michelin!

Bem-vindo pneu Michelin! Adeus, pneu Michelin!

Abandono da marca francesa movimenta bastidores. Teste de Cinturato P1 foi inconclusivo. Nova troca divide categoria.

Wagner Gonzalez

20 de julho de 2017 | 19h13

Não faz muito tempo a maioria dos pilotos da categoria Old Stock se mobilizava para forçar a mudança dos pneus Pirelli Phanton, até então obrigatórios, para os Michelin Primacy 3; a alegação para tanto era a insegurança daqueles pneus, especialmente em pista molhada. O movimento gerou até a criação de uma associação de pilotos, que acabou se consolidando como comissão, e atingiu o objetivo primário de sua criação. Num típico vôo de galinha, uma corrida após a troca oficializada às vésperas da última etapa do calendário da categoria, já se fala em nova substituição do equipamento, decisão que poderá ser adotada, ironicamente, também na véspera de um treino oficial…

Na semana passada os pilotos Rafael Lopes e Rodrigo Helal fizeram um teste comparativo na pista de testes da Pirelli, em Paulínia, comparando os modelos Phanton e o P1 Plus; a marca italiana não autorizou fazer uma avaliação contra o modelo francês. A ação foi acompanhada pelos técnicos da fábrica, pilotos e preparadores da categoria e focou na principal crítica sobre o Phantom: seu desempenho em pista molhada. Em uma comparação direta realizada na pista de Curitiba foram registrados tempos com diferença de 15” a favor do Michelin Primacy 3. Tal resultado foi praticamente uma sentença de morte para o modelo da Pirelli que era destinado ao mercado de reposição e já não está mais no catálogo da empresa.

Após uma série de cobranças dos pilotos para consolidar a troca, a mudança aconteceu, porém oficializada em cima da hora e sem que nenhuma equipe tivesse tempo suficiente para desenvolver acertos de geometria de suspensão e explorar o potencial do novo pneu. Assim, não é de se estranhar que preparadores experientes como Anésio Hernandez – ele mesmo ex-piloto -, se posicionem contra uma nova alteração:

“Já fizemos testes em Curitiba e Interlagos e o Michelin se mostrou melhor, principalmente na chuva. Só fizemos uma corrida até agora e não tivemos chance de avaliar diferentes acertos de cambagem, alinhamento, enfim tudo o que importa quando se trata de explorar as características de um pneu.”

Anésio vai além e diz que “oficialmente nem fiquei sabendo desse teste em Paulínia” e destaca que uma nova troca só se justificaria caso a Pirelli entrasse com alguma contrapartida. Algo como assistência técnica na pista, pneus a custo zero ou subsidiado e apoio promocional. Grego Lemonias, piloto e um dos criadores da Old Stock, admite que há conversas nesse sentido e que uma troca só acontecerá após uma avaliação direta das duas marcas:

“Na próxima quinta-feira vamos avaliar os dois pneus, o Michelin Primacy 3 e o Pirelli Cinturato P1 Plus, usando o mesmo carro e a mesma pista, Interlagos. Se essa troca acontecer poderá envolver algum apoio da marca para promover a categoria.”

Lemonias garante que ao final do teste de Paulínia estava convencido de que a performance do P1 Plus foi semelhante à do Primacy 3. Já Rafael Lopes, o piloto que mais andou na pista de provas da fábrica, não está tão seguro disso:

Rafael Lopes, vencedor da última corrida, quer mais testes (André Lemes/Grid Photo Racing)

“A primeira impressão foi boa, mas a pista de Paulínia não favorecia, não dava para acelerar tudo pois as cercas eram próximas do asfalto, não tinha área de escape. Por isso prefiro esperar para fazer um teste em Interlagos antes de chegar a uma conclusão.”

Essa avaliação  será importante: por questões internas não foi possível comparar o produto da marca francesa no campo de testes da marca italiana, como se isso não acontecesse a portas fechadas… Se Lopes não chegou a uma conclusão sob uma perspectiva técnica, há pilotos que sequer estão preocupados com a performance do equipamento, caso de João Ometo Neto. Além de conduzir o Old Stock 75 ele também cuida da preparação do seu carro e administra sua própria equipe, a JON Racing Enterprise.

“A última coisa que me interessa hoje é a performance do pneu que irá ser adotado… O foco, não só meu, mas de quase todos pilotos e chefes de equipe é negociar benefícios que tornem as despesas das corridas mais leves. Se alguma marca entrar patrocinando a categoria não vejo problema algum de mudar novamente: hoje compramos os pneus e se alguma marca vier com benefícios trocamos de marca novamente sem problemas.”

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