E agora, Ferrari?

E agora, Ferrari?

Enquanto os flechas de prata continuam acertando o alvo, a Scuderia segue errando.

Wagner Gonzalez

14 de maio de 2019 | 08h30

A temporada 2019 da F-1 ganhou mais um capítulo de obviedade no último fim de semana quando os pilotos da Mercedes conquistaram a quinta dobradinha consecutiva nas cinco etapas disputadas até agora. Nem mesmo um motor melhorado e alterações aerodinâmicas ajudaram a Scuderia Ferrari a andar (foto de abertura, Ferrari) mais perto dos carro anglo-alemães; pelo contrário, ao lado do vencedor Lewis Hamilton e do segundo colocado Valtteri Bottas, quem completou o pódio foi o holandês Max Verstappen, com um Red Bull Honda. Hoje (terça) e amanhã as dez equipes que disputam o Mundial da categoria fazem dois dias de testes no circuito de Barcelona, sendo que Ferrari e Racing Point terão uma agenda extra: elas foram escaladas para testar pneus que poderão ser usados na próxima temporada. Pietro Fittipaldi e Sérgio Sette Câmera participam desses treinos.

Ferrari sendo Ferrari

Mercedes largaram da primeira fila e lideraram de ponta a ponta na Espanha (Mercedes)

Nenhuma equipe da F-1 é tão cobrada por resultados quanto a Scuderia Ferrari, a única que participou de todas as temporadas da categoria desde a criação do Campeonato Mundial em 1950. Não há controvérsias de que a Scuderia de Maranello conta com um dos dois maiores orçamentos do grid e que sua importância política sempre possibilita favores e privilégios na definição de regulamentos. Desse ponto de vista é que os resultados são cobrados até por quem não é fã do time.

Brabham, Ligier, Lotus, McLaren e Williams, para mencionar apenas nomes mais contemporâneos, tiveram seus momentos de glória e contaram com torcidas de peso, mas nenhuma jamais chegou aos pés dos tifosi, os ferraristas fanáticos que há tempos deixaram de ser apenas italianos. Hoje essa nação de espalha mundo afora, da paulista Andradina até o africano Zimbábue. Se tal carga de admiradores tem efeito apenas emocional, dentro de casa o clima é muito mais frenético e, porque não dizer, perigoso. Em que pese a importância da marca, ou talvez por isso mesmo, em sua estrutura de funcionamento sobram batalhas que consagram e destroem heróis com alta frequência e na rapidez digna dos tempos de www.

Divisões internas são comuns na F-1 e mais dramáticas na Scuderia (Ferrari)

O segundo semestre do ano passado deixou claro que a continuidade de Maurício Arrivabene no comando da Ferrari estava mais do ameaçada. Homem de marketing que conquistou importante espaço na F-1 e fez a equipe disputar com chances os títulos de Pilotos e Construtores durante boa parte de várias temporadas. Sabiamente delegou poderes na parte técnica, área que extrapola sua formação acadêmica. O andar da carruagem, porém, não foi tão tranquilo quanto ele poderia esperar e em um jogo de xadrez com movimentos notadamente enviesados, o reino de Arrivabene foi corroído pela atuação do suíço Mattia Binotto, que vinha galgando posições de forma mais eficiente do que os resultados que ele apresenta até o momento.

Até agora só a Mercedes venceu na temporada 2019 (Mercedes)

Após cinco etapas o melhor resultado da Ferrari em 2019 ainda não passou do terceiro lugar e o resumo da ópera é predominado por árias com enredo que mesclam a tirania e a tragédia. A tirania é a postura de privilegiar o primeiro piloto da equipe mesmo quando o recém-chegado mostra chances aparentemente melhores de salvar a honra da equipe com atuações mais espetaculares. A narrativa trágica advém de muitas decisões estratégicas que brindam derrotas em uma guerra nada santa. Terminado o GP da Espanha Binotto admitiu que “o carro tem erros de projeto” e que “nossa equipe é jovem”. Conclusões emitidas por quem está em Maranello desde 1993 e hoje chefia a equipe que tem mais GPs disputados.

O resultado completo do GP da Espanha e a tabela de pontos do campeonato você encontra clicando aqui.

Brasileiros de volta à F-1

Dois brasileiros deverão estar em ação a pista espanhola: Pietro Fittipaldi e Sérgio Sette Câmera. Fittipaldi vai acelerar um carro da equipe Haas, onde atua como piloto de testes e desenvolvimento; as atuações irregulares dos pilotos oficiais da equipe – o franco suíço Romain Grosjean e o dinamarquês Kevin Magnussen poderão auxiliar na promoção do neto de Emerson, que para garantir a superlicença necessária para disputar a F-1 acertou participação na série DTM com um carro da Audi. Por seu lado, o mineiro Sette Câmera está escalado, segundo sua assessoria, para ter sua primeira experiência de pista com um carro da categoria, no caso o McLaren McL 34-Renault.

 

 

Tendências: