F-1: Brawn anuncia nova rodada para reduzir custos

F-1: Brawn anuncia nova rodada para reduzir custos

Ferrari pode vetar limite de US$ 145 milhões/ano como teto de gastos em 2021.

Wagner Gonzalez

05 de maio de 2020 | 08h00

Ross Brawn anuncia novo limite de gastos na categoria (RBCP/Getty Images)

Tudo depende de um sinal positivo da Ferrari. Se a Scuderia concordar, em 2021 as equipes de F-1 não poderão gastar mais de US$ 145 milhões na construção, manutenção e operação de seus carros. A exemplo do que aconteceu com a introdução de número máximo de motores (incluindo equipamentos acessórios) e caixas de câmbio usadas a cada temporada, a proposta que está na mesa atualmente é pavimentar um caminho para reduzir gradativamente o limite gastos anual das equipes. De acordo com Ross Brawn, o valor em discussão é a base para futuros cortes:

“Nós começamos a falar sobre o tema com a ideia de US$ 175 milhões/ano e não foi fácil chegar nisso. Com a crise atual vamos começar com US$ 145 milhões/ano e a discussão agora é o quanto nós podemos reduzir nos próximos anos.”

GP da Áustria: confirmação em breve como abertura da temporada 2020 (RBCP/Getty Images)

A decisão foi tomada em uma reunião realizada ontem e que além de Brawn e seu superior na Liberty Media, Chase Carey, também contou com a participação de Jean Todt (presidente da FIA, a Federação Internacional do Automóvel). No encontro foram discutidas outras medidas, em particular referente ao GP da Áustria, evento cada vez mais próximo de ser confirmado como prova de abertura da temporada 2020, dia 5 de agosto em Spielberg.

Quase lá…mas nem tanto.

A decisão de impor o limite de US$ 145 milhões/ano para 2021 será oficialmente comunicada às equipes esta semana em carta assinada pela Liberty Media e pela FIA. Até o momento a Ferrari é a única que se opõe a tal medida: o time de Maranello se diz preocupado com o número de demissões que tal redução vai impor à sua força de trabalho se algum valor abaixo de US$ 150 milhões anuais for imposto. Já a Mercedes anunciou que apoia a iniciativa caso haja controle sobre gastos não incluídos nesse total, como investimentos para desenvolver motores. Outros itens não incluídos no teto de gastos são as despesas com pilotos e marketing; nomes como Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo tinham vencimentos anuais superiores a US$ 20 milhões, números que, aparentemente, foram reduzidos em função da pandemia do Corona Vírus.

Para a Ferrari gastos abaixo de US$ 150 milhões/ano podem causar demissões (Ferrari)

Estima-se que uma redução em torno de 10% desse valor seja proposta para entrar em vigor em 2022, tática já usada na limitação do número de unidades de potência: este ano, se o campeonato tiver 15 etapas ou mais cada piloto poderá usar 3 unidades de motores de combustão interna (ICE na sigla inglesa), unidades geradoras de potência térmica (MHU-H) e cinética (MGU-K). Em 2014 era possível usar até 5 motores. Embora a Liberty Media já tenha anunciado que auditores independentes fiscalizarão os gastos das equipes, ainda não se sabe como serão controlados acordos de fornecimento de serviços ou peças que influenciem o desenvolvimento dos carros e motores.

A confirmação das duas primeiras etapas da temporada 2020 para o mês de julho está cada vez mais próxima e os preparativos para que as duas corridas previstas para o circuito de Spielberg, na Áustria, deverão servir de modelo para as provas seguintes. É cada vez mais provável que tais corridas aconteçam nos dias 5 e 12 de julho e com a presença apenas das equipes e oficiais de prova. Como formas de controlar possível contaminação todos os que estiverem no circuito passarão por testes clínicos a cada dois dias e as equipes serão orientadas a não interagir entre si. Christian Horner, principal diretor da equipe Red Bull, acredita sua equipe levará “apenas” 80 pessoas para essa prova. Além disso, cada equipe ficará hospedada em um hotel diferente, de onde chegarão ao autódromo em ônibus especiais e os integrantes de cada uma delas serão orientados a não interagir com os times rivais.

Na retomada das operações de pista equipes reduzidas nos boxes (Alfa Romeo-Orlen)

Como é tradição na relação entre os administradores de Silverstone e da F-1, a confirmação do GP da Grã-Bretanha esbarra em questões financeiras e o acordo entre ambos para realizar duas provas nos dias 19 e 26 de junho ainda não conquistou o mesmo status que os eventos austríacos.  Estas duas provas são bancadas principalmente pela Red Bull, como confirmado por uma declaração de Christian Horner ao site inglês Autosport:

“A Red Bull está realmente empenhada em fazer o campeonato começar e está se esforçando para que isso aconteça na Áustria. O circuito local é propriedade da empresa e, ainda que obviamente esteja sob seu controle, ela está cooperando com as autoridades locais e o governo austríaco. As exigências e restrições impostas serão draconianas, mas se isso é necessário para por o esporte novamente em movimento eu creio que terá sido estabelecido um verdadeiro protocolo para outros circuitos seguirem.”

Christian Horner: restrições severas para permtir que o campeonato comece (RBCP/Getty Images)

A Inglaterra está em negociação adiantada, ainda que com progresso lento, para receber duas etapas seguintes às previstas para Spielberg; outros países com boas chances de promover corridas na Europa são Bélgica, Espanha, Hungria, Itália e Países Baixos, que até pouco tempo era referenciada como Holanda. O calendário deverá ficar mais claro dentro de duas semanas, quando muitos governos europeus definirão suas políticas de relaxamento ao isolamento coercitivo aplicado em seus respectivos países. Cingapura insiste em realizar seu GP no dia 20 de setembro, o que definiria como etapas seguintes eventos na Rússia e Azerbaijão, Japão, China e Vietnam e, então Estados Unidos, México e Brasil, três etapas que antecederiam o retorno ao Oriente, onde o campeonato terminaria com etapas em Bahrain e Abu Dhabi.

 

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