F-1 lança coleção primavera-verão

F-1 lança coleção primavera-verão

Em meio a lançamentos dos modelos 2019 crises profundas e novos projetos.

Wagner Gonzalez

12 de fevereiro de 2019 | 08h30

O dinamismo da época é conhecido, mas as surpresas não deixam de marcar presença numa sequência de apresentações que remete ao mundo da moda e o lançamento de suas novas coleções. A comparação ganha mais força quando se nota que as cores e grafismos mostrados nos novos carros serão o destaque na indumentária e uniforme dos pilotos, pessoal de box e pintura dos veículos de cada equipe. Assim, pode-se notar um look retrô por parte da Haas – que adotou as cores preto e dourado imortalizadas pela equipe Lotus nos anos 1970 -, uma releitura de padronagem na Williams – no inédito FW42 o tradicional azul marinho deu lugar a uma tonalidade mais clara -, e a Toro Rosso surpreendeu com uma pintura bastante básica para os padrões da marca ao mostrar seu STR14. Veja aqui o clipe de lançamento do carro.

A apresentação do Toro Rosso STR14 foi digna de uma passarela (Red Bull Content Pool)

As passarelas da F-1 vivem uma semana de intensidade: hoje, por exemplo, será conhecido o Renault RS19, na sede inglesa da equipe, em Enstone. Amanhã acontece uma avalanche de novidades: o Red Bull RB15 e o Mercedes W10 serão apresentados em Silverstone e em Toronto será conhecido o modelo da Racing Point, marca que assumiu a falida Force India e ainda não definiu a especificação dos seus carros. Na quarta-feira será a vez da McLaren apresentar o MCL34 em Woking. A Ferrari apresenta o SF90 na sexta-feira em Barcelona, mesmo local onde o Sauber C39 será conhecido na segunda-feira, 18. Nesse dia será conhecido o novo Haas VF19: o carro mostrado nos últimos dias era um modelo de 2018 com o grafismo do modelo ainda inédito.

A Williams adotou visual diferente para marcar nova fase da equipe (Williams)

Os modelos 2019 chegam com asas maiores e, no caso da dianteira, mais simples, tudo em busca de mais ultrapassagens e emoção, receita básica para recuperar o prestígio abalado por cinco temporadas de domínio da equipe Mercedes.  Como em toda atividade que mistura altas doses de exposição e dinheiro, as crises não deixam de ter protagonismo no dia-a-dia da categoria; em meio a novidades de carros e patrocinadores, os donos da F-1 enfrentam uma onda de organizadores ávidos em renegociar seus contratos atuais. Pelo menos quatro etapas compartem o topo dessa lista, as dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Itália e México.

Visual retrô da equipe Haas remete aos Lotus dos anos 1970 (Haas)

Os promotores da corrida de Austin não estão satisfeitos com as facilidades oferecidas pela Liberty Media para a cidade de Miami, que pode entrar no calendário de 2020. Os texanos não apreciam em nada o fato de pagar preço cheio e ganhar um concorrente próximo que receba descontos para ser agregado à temporada. O pessoal da Florida já começou a fazer contatos para arregimentar mão de obra especializada para a organização da corrida.  Do outro lado Atlântico, os ingleses responsáveis pela etapa de Silverstone já declinaram da extensão do contrato atual e as negociações para um novo acordo patinam nos custos financeiros. Tal como Silverstone, a tradição da pista de Monza parece não valer tanto na hora de renovar o contrato atual cuja validade é tão sombria e encoberta quanto os detalhes monetários que garantem a corrida realizada nos arredores de Milão.

O GP do México segue envolto no clima político que impera no país após a eleição do populista de esquerda Andrés Manuel López Obrador. Conhecido por suas declarações impactantes – recentemente passou a chamar de “fi-fis” os mexicanos com poder aquisitivo acima da média -, ele parece preparar a prefeita da Cidade do México, Claudia Sheinbaun, como sua sucessora. Shinbaun e López Obrador anunciaram, cada um a seu modo, a não renovação do apoio financeiro ao GP do México alegando que evento não é popular e que preferem destinar o dinheiro economizado para a construção de uma ferrovia na região próxima a Cancún. Ironicamente, a corrida mexicana é uma das mais bem organizadas do calendário e é o maior evento do calendário turístico da cidade em termos de geração de impostos, movimentação financeira e utilização da estrutura turística.

Até certo ponto indiferentes a essas polêmicas as equipes estão cada vez mais preocupadas com a indefinição do novo regulamento técnico a ser adotado em 2021. A padronização de equipamentos é um caminho que Ross Brawn – o executivo maior da Liberty Media para assuntos técnico-desportivos -, tenta impor há algum tempo. Por ser um contrassenso à essência da F-1 a proposta patina e afeta o andar da carruagem em tempos que o mundo se transforma na velocidade da internet. Talvez pelo fato da internet na Coréia do Sul ser uma das mais eficientes em todo o mundo, a Hankook, fábrica local de pneus, prepara-se para reiniciar seu programa de desenvolvimento de pneus para a categoria pensando em substituir a Pirelli dentro de pouco tempo.

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