F1: Mercedes já não é a mesma

F1: Mercedes já não é a mesma

Superioridade da Red Bull no GP da Styria apressa melhorias no chassi e no motor alemães.

Wagner Gonzalez

29 de junho de 2021 | 13h30

Hamilton (E) e Bottas confraternizam após uma corrida onde a Red Bull esteve muito superior (Mercedes)

Superioridade da Red Bull apressa melhorias no chassi e no motor alemães

Após um fim de semana que não será esquecido facilmente, tampouco em pouco tempo, a Mercedes confirmou hoje que trabalha em melhorias do seu equipamento desta temporada. O motivo disso é a superioridade incontestável da Red Bull na competição direta entre Max Verstappen, vencedor do GP da Styria, e Lewis Hamilton, que ficou em segundo lugar e Valtteri Bottas em terceiro. Durante todo o final de semana o heptacampeão jamais foi uma ameaça consistente ao piloto holandês que agora soma 156 pontos, 28 a mais que o inglês. Se o domínio da equipe austro-inglesa foi nítido no GP da Styria, a mudança nos pneus disponibilizados para o GP da Áustria – que acontece neste final de semana, no mesmo circuito -, pode alterar essa ordem de grandeza, Os compostos de borracha definidos para a nona etapa da temporada serão os C3, C4 e C5, o que significa um ponto mais macio que os C2. C3 e C4 usados domingo.

Max Verstappen conseguiu a terceira vitória em quatro porvas e ampliou sua vantagem na liderança do Campeonato (Red Bull/Getty Images)

Fato inédito no histórico do domínio iniciado em 2014, a Mercedes está há quatro corridas sem vencer, o que aumenta pressão sobre Toto Wolff e seus comandados. Sempre frio e calculista, o austríaco vive sua primeira grande crise desde que assumiu o comando da equipe na qual, atualmente, é um dos três sócios, ao lado dos grupos Daimler e Ineos. Inicialmente, Wolff desmentiu que estaria preparando melhorias no chassi e unidade de potência de seus carros, algo que James Alisson confirmou esta manhã. Alisson é considerado o mago dos motores na categoria e responsável pela criação do motor usado pelo time, até recentemente considerado o melhor da categoria.

As causas da fase atual da Mercedes são várias: incluem a contratação pela Red Bull, de mais de 30 engenheiros da equipe e até mesmo a lei das probabilidades. Até então o time baseado em Brackley era uma organização que raramente falhava e que demonstrou ter capacidade de realizar com perfeição a troca de pneus de seus dois carros com intervalo de apenas poucos segundos durante um GP. Mais recentemente se perdeu até mesmo na adequação de estratégias durante as provas e sofre com a onda de resultados instáveis do segundo piloto, o finlandês Valtteri Bottas.

Nem tudo são flores para a Ferrari: Sainz ficou em sexto à frente de Leclerc (Ferrari)

Paralelamente à disputa entre Red Bull e Mercedes, é notório que a Ferrari segue amargando uma crise que compromete o potencial de Charles Leclerc, considerado um dos novos expoentes da categoria. Da mesma forma, o rendimento comprometido do carro italiano destaca a habilidade de Carlos Sainz, companheiro de equipe de Leclerc. No fim de semana passado o monegasco largou em sétimo e terminou na mesma posição, consequência de um toque com Pierre Gasly na primeira volta e de uma segunda parada para troca de pneus. Já o espanhol chegou a andar em quinto, mas acabou superado pelo inglês Lando Norris, o único piloto que pontuou em todas as etapas do ano e ocupa a quarta posição no campeonato, com 86 pontos, dez atrás de Sérgio Pérez e 12 à frente de Valtteri Bottas.

Lando Norris, quarto na tabela de pontos, é o único piloto que pontuou em todas as provas da temporada (McLaren)

GP do Brasil vende ingressos, mas…

Mesmo com a ameaça de não acontecer por causa do temor das equipes em se deslocar ao País por causa da pandemia, os organizadores do GP do Brasil seguem divulgando que os três lotes de ingressos colocados à venda já foram vendidos. Um deles refere-se a uma nova arquibancada a ser montada no asfalto entre as curvas 1 e 2 e que permite boa visão para a saída do S do Senna. A corrida brasileira está prevista para o dia 7 de novembro, 15 dias antes do GP da Austrália, onde a o serviço de imigração local exige quarentena de 15 dias para quem chega ao País. Este detalhe praticamente inviabiliza a realização da corrida em Interlagos; além das duas semanas de isolamento a corrida em Melbourne foi realocada da etapa de abertura e oferece uma estrutura e pacote econômico melhores que a competição brasileira.

FASP, CBA e o calendário paulista

Uma alteração de calendário da Porsche Cup gerou um ponto de atrito entre a Federação de Automobilismo de São Paulo (FASP) e a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) poderá desencadear a primeira crise política do atual presidente da entidade nacional, Giovani Guerra. Uma corrida inicialmente programada para acontecer no Autódromo Velocittá, em Nova Louzã (SP), nos dias 24 e 25 de julho, foi antecipada para ser realizada no Autódromo de Interlagos uma semana antes, quando o circuito estava reservado para uma etapa do Campeonato Paulista. De acordo com o Artigo 5º do estatuto da CBA a mudança só poderia ser autorizada com a concordância da FASP, que sequer foi consultada sobre a alteração.

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