Local do GP do Brasil não é palanque

Local do GP do Brasil não é palanque

Proposta de construir autódromo no Rio para receber F1 lembra campanha política.

Wagner Gonzalez

09 de maio de 2019 | 15h30

Um dos eventos mais importantes do calendário esportivo em todo planeta, o Campeonato Mundial de F-1 não é formado por etapas como os congêneres de F-Indy ou F-E, categorias que já foram anunciadas no Rio de Janeiro, e até mesmo em São Paulo, de forma leviana ou, no mínimo, apressada a ponto de jamais se confirmarem. A ideia de levar a Indy para um circuito nas ruas cariocas foi ignorada pelos próprios donos da categoria.  Dito isso, afirmar que um novo autódromo de padrão A, a graduação máxima concedida pela Federação Internacional do Automóvel para esse tipo de arena esportiva, possa ser construído em seis ou sete meses em um País ainda aguardando o trem bala que ficaria pronto para a Copa do Mundo de 2014, chega a ser burlesco. Acreditar que esse empreendimento possa ser prioridade em um dos Estados em situação financeira deplorável é indefensável.

Ainda que este colunista defenda e apoie qualquer iniciativa que promova e auxilie o esporte a motor, ler declarações que sugerem ser Autódromo de Deodoro (imagem de abertura/Prefeitura do Rio) a salvação para manter a F-1 no Brasil após as últimas eleições não faz qualquer sentido. Afinal, há um contrato que garante a realização da prova até o ano que vem em Interlagos, e a partir daqui é que se pode conjecturar sobre o oportunismo da movida para levar o GP nacional para terras fluminenses. Os promotores da categoria sempre exploraram, mundo afora, o viés do sonho de consumo ao negociar a renovação dos acordos que garantem apoio governamental à realização da corrida. O governo do Vietnam, por exemplo, está alterando a estrutura viária da capital Hanói para receber um GP, possivelmente no ano que vem. Tudo com dinheiro público.

Não faz muito tempo que políticos de Brasília receberam a visita de representantes da Liberty Media e de outros executivos ligados ao GP do Brasil para discutir a reforma e transferência da prova para o Distrito Federal. Nessa época começava-se a falar sobre a renovação do contrato com autoridades paulistas, o factóide não passou de blefe, mais um, e a ideia de reformar o autódromo da capital do País segue movimentando dois grupos, um deles liderados por Paulo Octavio e com interesses puramente imobiliários no terreno que, por lei, não pode ser usado para outro fim que não o atual.

Quanto a construir um autódromo no Rio com capital da Liberty Media e do arquiteto Hermann Tilke seria um feito digno de constar do livro dos recordes, caso se concretize sem usar verbas públicas ou manobras que disfarcem tal atitude. O fato do terreno considerado para tal empreendimento estar localizado em uma zona pouco atraente do ponto de vista urbanístico não chega a ser uma novidade: o autódromo Hermano Rodriguez, no México, está rodeado de comunidades e não é um caso isolado.

Que o automobilismo brasileiro merece um autódromo em uma praça tão importante quanto o Rio está acima de qualquer discussão.  E quando isso acontecer é importante que o preço a ser pago não seja demolir arenas, como as erguidas sobre as ruínas do autódromo de Jacarepaguá para os Jogos Pan-Americanos e Olímpicos e que hoje formam ruínas 2.0. Tampouco deve-se pensar em exterminar uma reserva ambiental.  Afirmar que o GP do Brasil jamais deixará Interlagos é o impensável que paira acima de tudo e acreditar que isso acontecerá em 2020 em um autódromo hoje inexistente é uma mentira acima de todos.

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