Mas… prá que serve aquilo?

Mas… prá que serve aquilo?

Aparato aerodinâmico pode ser o pulo do gato da Mercedes para esta temporada. Asa de dimensões sutis funciona como laminador do fluxo de ar

Wagner Gonzalez

25 Fevereiro 2017 | 07h00

Olhando rápido na Ferrari SF70H quase não dá para perceber que ela está ali; no W08 da Mercedes, o acabamento na cor preta também não ajuda muito, como se nota na foto de abertura… Tecnicamente definido como apêndice aerodinâmico e já conhecido como “T Wing” (Asa T, em inglês, referência clara à sua forma) o aparato pequeno e sutil instalado no capô do motor tem uma função igualmente discreta: laminar o fluxo de ar que corre em direção à asa traseira. Não é nada inédito: o conceito já foi explorado por algumas equipes, mas nunca provou resultados significativos, basta dizer que sequer virou moda…

 

Na ilustração à esquerda, o fluxo de ar conturbado gera menor carga. No desenho à direita, o ar laminado tem mais contato com a superfície da asa e gera maior pressão aerodinãmica (Ilustração Wagner Gonzalez)

Na ilustração à esquerda, o fluxo de ar conturbado gera menor carga. No desenho à direita, o ar laminado tem mais contato com a superfície da asa e gera maior pressão aerodinãmica (Ilustração Wagner Gonzalez)

O princípio de funcionamento da “Asa T” é basicamente eliminar a turbulência gerada pelos elementos montados em torno do santantônio: câmeras de TV, entradas de ar, dutos de refrigeração, etc. Ao permitir que o ar chegue mais ordenado – ou laminado, como se diz no jargão aerodinâmico -, a pressão exercida sobre a asa traseira é maior e, consequentemente, gera maior carga aerodinâmica. Isso ajuda a entender a aparência frágil do suporte da asa; no Mercedes W08 ela é fixada em um pilar montado sobre a base do capô do motor. O aerofólio traseiro, cujos elementos podem gerar carga superior a 2.000 kg, requerem uma estrutura muito mais resistente e rígida.

A Ferrari optou por uma solução mista e combinou a Asa T com a lâmina

A Ferrari optou por uma solução mista e combinou a Asa T com a lâmina “Barbatana de Tubarão” (Ferrari)

Ao contrário da Mercedes, que pelo menos por enquanto não aderiu à barbatana de tubarão, a Ferrari optou por unir dois conceitos e instalou a Asa T junto à extremidade posterior superior dessa lâmina longitudinal, recurso até agora aplicado singularmente nos Force India VJM10, McLaren MCL32, Renault RS17 e Sauber C36. A proposta dos italianos é ainda mais sutil que a dos alemães: ao ser instalada junto à barbatana (“shark fin”) ela tem função complementar. A McLaren, aparentemente, foi quem usou esse recurso ao extremo.

O McLaren MCL32 Honda exibe a barbatana em dimensões aparentemente maiores quea de outros carros (McLaren)

O McLaren MCL32 Honda exibe a barbatana em dimensões aparentemente maiores quea de outros carros (McLaren)