O segundo foi o primeiro

O segundo foi o primeiro

Vettel triunfa, Hamilton ganha e a F-1 confunde ao mostrar seu lado humano.

Wagner Gonzalez

09 de junho de 2019 | 20h13

O momento que decidiu o GP do Canadá: Vettel fecha a porta para Hamilton (F1.com)

Não é a primeira decisão controversa da história da F-1, tampouco será a última.  A decisão dos comissários esportivos do GP do Canadá em punir o alemão Sebastian Vettel com cinco segundos no seu tempo total de prova colaborou para manter a invencibilidade da Mercedes na atual temporada e impediu o que seria a primeira vitória da Ferrari na atual temporada. O resultado da corrida disputada esta tarde (9/6) em Montreal já entrou para a história da categoria como um episódio discutível e de difícil interpretação. Enquanto isso, o inglês Lewis Hamilton segue cada vez mais líder do campeonato, agora com 162 pontos contra 133 de Valtteri Bottas e 100 de Sebastian Vettel. O campeonato prossegue em duas semanas com a disputa do GP da França, dia 23, no circuito de Paul Ricard.

O “crime” em questão foi o segundo erro de Vettel com poucas voltas de diferença. Uma freada tardia no grampo permitiu a aproximação de Hamilton, que iniciava um jogo de bater e assoprar no rival, o que fazia a diferença entre ambos variar entre meio segundo e um segundo e meio, por vezes um pouco mais. Duas voltas depois, na 46a, os dois se aproximavam da curva 4 para iniciar uma sequência em “S” de média velocidade quando o alemão tocou a zebra interna na entrada, seu carro resvalou para a grama do lado esquerdo e ao voltar ao asfalto quase bateu contra o Mercedes do inglês, que estava disputava o mesmo espaço físico (foto de abertura/F1.com).

Vettel não aliviou, como seria de se esperar de um piloto com sua experiência e na liderança de um GP; o mesmo vale para Hamilton, que analisava o melhor ponto para disputar a freada decisiva em busca do primeiro lugar. Não precisou: os comissários esportivos nomeados pela Federação Internacional do Automonóvel (FIA) para esta prova – Gerd Ennser, Mathieu Remmerie, Mike Kaernee Emanuele Pirro (ex-piloto de F-1 e várias vezes vencedor em Le Mans) – confabularam e decidiram que o “Car 5 left the track, re-joined unsafely and forced another car off track.”( o carro número 5 saiu da pista, retornou de maneira insegura e forçou um outro carro para fora da pista”). A pena para tanto foram cinco segundos a mais no tempo que ele precisou para cumprir as 70 voltas da prova: 1h29’5”742. Como Lewis Hamilton chegou completou o mesmo percurso em 1h29’7”084, Vettel acabou classificado em segundo lugar, 3”658 atrás do rival. Charles Leclerc, também da Ferrari, completou o pódio.

Algumas voltas antes desse incidente, Vettel tinha cometido um erro na freada do grampo, a curva que marca um dos extremos do circuito Gilles Villeneuve, falha que vários outros pilotos, inclusive Hamilton, também cometeram. Isso denota que a disputa entre os dois estava forte e que o inglês atacava o rival na esperança de induzi-lo a um novo erro. O que causa estranheza na decisão de hoje é que no GP de Mônaco de 2016 Lewis Hamilton teve atitude semelhante à de Sebastian Vettel ao defender a liderança da prova frente a Daniel Ricciardo. Nenhuma punição foi imposta ao inglês naquela ocasião.

Punições sempre foram e sempre serão alvo de interpretações variadas no automobilismo e em vários outros esportes. A acusação mais normal contra o trabalho dos comissários desportivos é que a maioria absoluta deles jamais atuou como piloto e, por tanto, não teria pleno conhecimento da dinâmica de momentos como o que aconteceu hoje em Montreal. Faz sentido até certo ponto: qualquer piloto com ganas de ser campeão mundial nunca admite que agiu com má fé para justificar sua atitude dentro da pista. No final das contas, tanto pilotos quanto comissários desportivos são humanos. E o ser humano não é perfeito.

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