O touro apaga o brilho da estrela

O touro apaga o brilho da estrela

A superioridade da Red Bull sobre a Mercedes deve durar mais essas duas provas e uma revanche só deve acontecer no clássico circuito próximo a Liége

Wagner Gonzalez

06 de julho de 2021 | 10h12

 

Nas últimas cinco corridas a vitória foi dos carros da Red Bull (Red Bull/Getty Images)

A temporada de Fórmula 1 está perto de chegar à metade da sua agenda de 2021: os GPs da Inglaterra (18 de julho) e da Hungria (1º de agosto) são a décima e a décima-primeira etapas de um calendário que, com o cancelamento do GP da AUstrália (leia abaixo) hoje tem 22 etapas. Após a corrida de Hungaroring teoricamente as equipes entram em férias e só retornam à ativa no fim de semana do dia 29 de agosto, data do GP da Bélgica em Spa. O “teoricamente” é justificado pelo fato que em uma categoria tão competitiva é praticamente impossível que o trabalho de engenheiros e técnicos seja interrompido por tanto tempo. Por isso mesmo, a superioridade da Red Bull sobre a Mercedes deve durar mais essas duas provas e uma revanche só deve acontecer no clássico circuito próximo a Liége.

Na disputa pelo título Hamilton e Verstappen atuam dentro e fora das pistas (Mercedes)

Após anos de domínio da Mercedes a diferença de rendimento entre os dois protagonistas da temporada, Max Verstappen e Lewis Hamilton, é favorável ao primeiro e vem de algumas facetas mais definidas que outras. Elementos para entender isso vão desde as idades de Verstappen, que completará 24 anos no dia 30 de setembro, e Hamilton, 12 anos mais velho e que já tem sete títulos mundiais no seu currículo. O primeiro deles foi conquistado, para infortúnio de Felipe Massa, praticamente na última curva da última volta da última prova de 2008, o GP do Brasil, vencido por Felipe Massa, que acabou como vice-campeão.

Max Verstappen: seu estilo de pilotagem evoluiu bastante na última temporada (Red Bull/Getty Images)

Pelo ciclo natural da vida, a pilotagem de Verstappen segue melhorando enquanto a de Hamilton, indiscutivelmente um dos melhores pilotos de todos os tempos, está próxima do seu ápice. Mais arrojado que o inglês, o holandês tem a seu favor uma equipe que aposta nele de forma clara e lhe garante um ambiente onde se sente o preferido, algo muito importante para pilotos de alto desempenho, egocêntricos por natureza e pela exigência do ofício. Prova disso é que a Red Bull apostou nele e o transformou no mais jovem vencedor de um GP em todos os tempos: ao 18 anos e 228  dias ele venceu o GP da Espanha de 2016, sua prova de estreia na Red Bull. Na Mercedes a situação é semelhante, mas não igual. Além disso, Verstappen tem mais motivos e gana para chegar ao seu primeiro título do que Hamilton possa ter para conquistar seu oitavo.

Lewis Hamilton tenta compensar no braço a defasagem para o equipamento do rival Verstappen (Mercedes)

Entre 2010 e 2013 a equipe dos energéticos foi a referência da F-1, posição que a partir de 2014 foi encampada pela Mercedes. Ron Dennis, ele mesmo um parceiro de primeira linha da marca alemã, dizia que mais difícil do que chegar ao topo, é manter-se nele. O inglês, ex-mecânico da equipe Cooper e atualmente um embaixador de negócios do Reino Unido, tem conhecimento de causa: ele conseguiu reerguer a McLaren e transformar uma equipe praticamente falida em um grupo de empresas que além da F-1 explora tecnologia de ponta e fabrica super carros. Posto isso, fica mais fácil entender o que faz a Red Bull estar melhor que a Mercedes.

Toto Wolff amarga uma situação difícil: em época de custos controlados, ele perde técnicos para equipes rivais (Mercedes)

Outro fator que ajuda a entender o atual status quo da F1 é que este ano a tradicional dança das cadeiras não envolveu pilotos, mas, isto sim, um grande número de técnicos. Novamente a Mercedes aparece em desvantagem: a debandada de cérebros de ponta abalou tanto organograma da empresa quanto sua capacidade financeira. Afinal, para reter profissionais estratégicos é preciso oferecer algo mais que o canto da sereia emitido por concorrentes. Apenas a Red Bull, que a partir do ano que vem passa a fabricar seus próprios motores, teria contratado mais de 30 engenheiros da Mercedes, estrago considerável. Isto ajuda a entender porque a capacidade de reação dos comandados de Toto Wolff, o bam-bam-bam do time alemão, já não é mais a mesma. Sorte de quem acompanha a F-1 em uma temporada como há tempos não se via.

GP da Austrália cancelado

Programado para 21 de novembro, 15 dias após o GP do Brasil, o GP da Austrália foi cancelado devido aos protocolos sanitários adotados pelo país e, particularmente, pelo Estado de Victória. Stefano Domenicali, presidente da empresa que explora os direitos comerciais da categoria, declarou que “há uma lista grande de circuitos que podem substituir essa corrida”. Embora ele não tenha mencionado nomes, Shangai (China), Sepang (Malásia), Yas Marina (Abu Dhabi) e Jeddah (Arábia Saudita) são possibilidades. O GP australiano de motos, também foi cancelado, repetindo dessa forma a exclusão da Austrália no calendário de 2020 em ambas categorias.

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