Pois é, Tio Bernie, você errou….

Pois é, Tio Bernie, você errou….

Pano de fundo do F1 Live foi criar desejo para GP nas ruas de Londres. Multidão em Trafalgar Square viu aF-1 no centro da cidade. Mega show teve concerto do Kaiser Chiefs.

Wagner Gonzalez

12 de julho de 2017 | 17h35

Cor, barulho e, algo bastante caro aos ingleses, uma tarde de sol. Tal cenário marcou a realização da primeira edição do F1 Live, um mega evento para dar uma injeção de ânimo na categoria que há anos vê sua audiência cair e que marcou o início oficial do British Grand Prix, corrida entre nós mais conhecida como Grande Prêmio da Inglaterra. Muito além dessa necessidade de incentivar o consumo da F1, a maneira como essa reconquista aconteceu teve um alvo claro e uma proposta à meia luz. O alvo foi Bernie Ecclestone, ex-bambambam da categoria e que jamais promoveu qualquer coisa semelhante. A proposta foi fomentar a realização de um GP nas ruas da cidade à beira do rio Tâmisa.

Stoffel Vandoorne pilotou um McLaren usado por Ayrton Senna (McLaren)

O sucesso do evento não dá direito a pensar que Bernie perdeu importância ou deve ser desprezado. Foi ele que em quatro décadas de muito trabalho, negociações e negociatas transformou o Campeonato Mundial de F1 de um torneio de aristocratas e pilotos em um produto desejado por governantes ávidos por se promover, países em busca de turistas e fãs dispostos a pagar fortunas para assistir um GP. Ao negociar datas e patrocínios ele sempre primou pela linha de restringir ao máximo o contato de pilotos e equipes com o grande público para criar a imagem de algo exclusivo e, portanto, caro.

Fernando ALonso foi um dos pilotos mais assediados pelo público (McLaren)

Se Bernard Charles Ecclestone cometeu algum erro a tarde de hoje mostrou qual foi. A ação da Liberty Media deixou claro que o contato humano ainda é algo essencial para reforçar o desejo das pessoas, inclusive aquele mais comum nestes dias: tirar uma selfie com ídolos outrora inacessíveis. De quebra um show aberto com a banda feminina Little Mix (clara mensagem de prestigiar o poder de compra feminino) e encerrado com a Kaiser Chiefs, tudo em isso em um placo montado em plena Trafalgar Square, endereço da National Gallery, um dos cartões postais mais conhecidos de Londres.

O veterano René Arnoux, entre Nico Hulkenberg (E) e Jolyon Palmer (Renault)

Todas as equipes abraçaram a causa e a Sauber até usou o enorme espaço livre de patrocinadores de seus carros para exibir uma mensagem aos londrinos;  apenas um piloto esteve ausente, justamente o herói de casa, Lewis Hamilton, algo que já lhe rende críticas nas redes sociais. Para compensar, presenças dos veteranos Jackie Stewart, René Arnoux, Mika Häkkinen, Damon Hill e outros menos famosos. Seis meses após assumir o comando da categoria mais importante a Liberty Media mostrou que a F1 finalmente se renova.

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