Verstappen mais distante de Hamilton

Verstappen mais distante de Hamilton

Em Paul Ricard Red Bull foi mais eficiente que a outrora imbatível Mercedes.

Wagner Gonzalez

22 de junho de 2021 | 08h30

Max Verstappen agora lidera com 12 pontos de vantagem sobre Lewis Hamilton  (Red Bull/Getty Images)

Mais cedo ou mais tarde era esperado que o domínio da Mercedes fosse abalado. O que ninguém contava era o fato que as escorregadas que prenunciam a mudança absoluta de cenário viesse da forma com o que se viu nas últimas duas etapas do Campeonato Mundial de F-1. O detalhe que torna mais evidente o clima de que essa queda foi o desabafo de Valtteri Bottas nas voltas finais do GP da França, vencida por Max Verstappen. O finlandês não se preocupou em esconder sua frustração por ter sua opinião respeitada quando a equipe definiu a estratégia de corrida:

“Por que ninguém me ouviu quando eu falei que seria uma corrida de dois pit stops?”

Valtteri Bottas reclamou que equipe não ouviu sua opinião sobre estrategia de corrida (Mercedes)

Mais do que o equívoco de apostar em uma única troca de pneus durante as 53 voltas da corrida em Paul Ricard, o desabafo reflete a tensão interna e dá motivo para enxergar que ambiente do time e que o ciclo do finlandês na equipe alemã está próximo do fim. Não fosse essa a mais provável situação interna a opinião de Bottas seria levada em consideração, no mínimo, na definição de sua estratégia de corrida. O saldo dessa tertúlia interna deixou a Mercedes 39 pontos atrás da Red Bull (215 a 178) no Campeonato de Construtores, Hamilton com a desvantagem de 12 pontos para o líder Verstappen (que soma 131) e Bottas relegado ao quinto lugar entre os pilotos.

Nas retas o carro de Lewis Hamilton era notadamente mais lento que o de Max Verstappen (Mercedes)

A temporada mal passou de 25% – o GP da França foi a sétima das 24 provas ainda confirmadas para o ano -, e certamente a Mercedes pode reagir e reverter o jogo. A tarefa, porém, será das mais difíceis: Verstappen está em ótima fase, a Honda quer encerrar este ciclo na F-1 com um título mundial e a Red Bull segue tirando profissionais importantes da concorrente. Some-se a isso o desgaste natural de quem se manteve imbatível por sete temporadas consecutivas e as pressões que aumentam a cada temporada e emanam dos  adversários derrotados. Entre as diferenças mais claras entre a Red Bull e Mercedes, a primeira leva vantagem na maior eficiência nas trocas de pneus, tem uma dupla de pilotos mais competitiva e não tem o ônus de defender o título. As virtudes da segunda são o perfeccionismo de Toto Wolff e a capacidade de Lewis Hamilton; ao passar a régua ambos são dois humanos, portanto imperfeitos, carregando o piano.

GP da França mostrou que torcedores começam a voltar às arquibancadas da F1 (Red Bull/Getty Images)

Sob o ponto de vista técnico, as mudanças impostas no regulamento técnico deste ano ainda são motivo de descobertas e acertos e têm na redução da área do assoalho traseiro a principal fonte de desenvolvimento. Cortesia do mago Adian Newey, a Red Bull optou por um acerto com menor pressão aerodinâmica, opção que rendeu vantagem na velocidade final sobre a Mercedes no ponto mais rápido da pista (337,0 km/h de Verstappen e 336,4 de Pérez contra 321,2 de Bottas e 320,4 de Hamilton) e na linha de chegada (309,1 de Verstappen e 306,7 de Pérez contra 307,0 km/h de Bottas e 305,7 de Hamilton). Nos setores intermediários 1 o mexicano chegou a 112,8 km/h e o inglês a 112,6 km/h e no setor intermediário 2 Verstappen e Hamilton chegaram a 285,1 km/h. Pérez foi mais veloz que os dois (290,9 km/h) e Bottas registrou 262,4 km/h. Tais índices ajudam a entender como o holandês se aproximou tão rapidamente do inglês na antepenúltima volta da prova.

Com o terceiro lugar na França Sérgio Perez (D) aparece como terceiro colocado no campeonato (Red Bull/Getty Images)

Os próximos dois GPs (Styria e Áustria) acontecem em um circuito cujo traçado não tem retas tão pronunciadas quanto Paul Ricard. Além disso, Spielberg tem grandes variações de altitude, situação que deverá anular boa parte dessa vantagem. Outro fator a ser considerado é que a Pirelli optou por duas combinações diferentes de pneus para essas corridas: na primeira serão usados os compostos C2, C3 e C4 e na segunda C3, C4 e C5, ou seja, opções mais macias. Tudo isto poderá facilitar a recuperação da Mercedes ou aumentar a vantagem da Red Bull, situação que aumenta a emoção que já caracteriza a temporada de 2021.

O resultado completo do GP da França você encontra aqui.

Emmo estreia na Dinamarca

Filho mais novo do bicampeão mundial, Emmo Fittipaldi foi um dos destaques na segunda rodada do Campeonato Dinamarquˆres de F-4. O herdeiro de Emerson largou na pole position e acelerava para vencer a primeira prova da rodada, em Padborg Park, quando foi acertado pela japonesa Juju Noda, filha do ex-F1 Hideki Noda. Juju, uma das finalistas do Girls On Track 2020, chegou em primeiro mas foi desclassificada pela atitude anti-desportiva e o mexicano Jesse Carrasquedo Jr herdou a vitória. Na prova seguinte a vitória foi de William Wulf) e Emmo ficou em quinto, à frente da rival japonesa. Na terceira e última prova da rodada nova vitória de Carrasquedo Jr, que cruzou a linha de chegada 1’704 à frente de Emmo. O campeonato é liderado por Mad Hoe (123 pontos, seguido por  William Wyulf,  Jacob Bjerring (ambos com 74 pontos), Mad Riis (65), Carrasquedo (62) e Fittipaldi (58).

 

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