Volta às aulas

Volta às aulas

Caio Collet e Enzo Fittipaldi estão entre os primeiros a iniciar ano letivo rumo à F-1.

Wagner Gonzalez

12 de abril de 2019 | 13h06

Enquanto a Fórmula 1 celebra sua milésima corrida, uma olhadela na lista de inscritos das categorias de base do automobilismo internacional vai identificar vários nomes de imberbes brasileiros espalhados pelo mundo. Neste fim de semana Caio Collet e João Vieira disputam provas da F-Renault Europeia (foto de abertura) em Monza, na Itália, e Enzo Fittipaldi e Igor Fraga estreiam na F-3 Regional em Paul Ricard, na França. É o início de mais um ano letivo na formação de carreiras focadas na graduação para a F-1, que desde 2018 não conta com um representante do Brasil no grid. Além dessas categorias, o País ainda estará representados nos campeonatos de F-4 da Alemanha e Itália com Gianluca Petecof e nos Estados Unidos, com Arthur Leist e Kiko Porto. Ainda na América do Norte, também competem Bruna Tomaselli e Dudu Barrichello na série US F2000.

Caio Collet tem apoio da Renault e da família Todt para chegar até a F-1 (Renault Sport)

Com a decisão da Federação Internacional do Automóvel (FIA) e da Liberty Media em rebatizar a antiga GP3 como F-3. Esta última abriu caminhos para nomes como campeões mundiais como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna e Raul Boesel (na categoria de Protótipos), e com a mudança de nome, e orçamentos cada vez mais caros, foi colocada em certo ostracismo, mas resiste à sua maneira. Na nova F-3 temos dois representantes: Pedro Piquet e Felipe Drugovich, ambos em estágio avançado que os demias pilotos aqui focalizados. Em termos práticos a antiga F-3 será substituída pela F-4, que é rigidamente controlada pela FIA, e pela F-Renault, que usa um carro mais potente: seu motor 1.8 turbo produz 270 cv e seu chassi é basicamente o mesmo da F-3 conhecida em 2018. Disputada em diversos campeonatos nacionais e regionais a F-4 usa um motor 1.6 de 160 cv e cujo fabricante varia de acordo com o país ou região onde é disputada.

João Vieira retorna às pistas após dois anos parado (Renault Sport)

Integrante da Academia Renault, o paulista Caio Collet vem da conquista do Campeonato Francês de F-4 e nos testes de pré-temporada já se destacou entre os integrantes da F-Renault Européia, que tem uma série similar disputada na Ásia. Com sua carreira administrada por Nicolas Todt, Collet é um nome a ser acompanhado com atenção. João Vieira, que em 2014 e 2015 disputou a F-4 italiana, marca seu retorno às pistas no mesmo grid de Collet. A temporada terá sete etapas e contempla Monza, Silverstone, Mônaco, Paul Ricard, Spa, Nürburgring e Hungaroring, detalhe importante por permitir que jovens pilotos conheçam circuitos onde deverão disputar provas de F-1.

Enzo Fittipaldi faz parte da Academia Ferrari e venceu a F-4 italiana em 2018 (Ferrari)

Carregando o peso de um sobrenome tradicional do esporte, Enzo Fittipaldi disputa neste fim de semana a abertura da F-3 Regional, categoria promovida pelo Automóvel Clube Italiano. A categoria ainda sofre com a inflação de campeonatos regionais na Europa: a lista de inscritos para a etapa deste fim de semana apresenta apenas 10 inscritos, entre eles mineiro Igor Fraga e a alemã Sophia Flörsch, que no GP de Macau do ano passado sofreu acidente espetacular no circuito da Guia.

Veterano da F-3, Igor Fraga venceu um concurso de e-game promovido pela McLaren (PropCar)

O calendário do campeonato também inclui Vallelunga (Itália), Hungaroring (Hungria), Red Bull Ring (Áustria), Imola (Itália), Barcelona (Espanha), Mugello (Itália) e Monza (Itália).

O paulista Gianluca Petecov também está na Academia Ferrari e em 2019 corre na Alemanha e na Itália (Ferrari)

Nas próximas semanas outros estudantesbrasileiros também voltam às aulas. Gianluca Petecov, por exemplo, no dia 5 de maio inicia o campeonato de F-4 mais competitivo dessa categoria, o italiano, que reúne quase 37 pilotos e 14 equipes em um calendário que passará por Vallelunga, Misano, Hungaroring, Red Bull Ring, Immola, Mufello e Monza. Além dessas sete rodadas de três corridas cada (tendência que se consolida nos campeonatos europeus), Petecov também vai se apresentar em Oschrsleben, Red Bull Ring, Hockenheim, Zandvoort (Holanda), Nürburgring, Hockenheim e Sachsenring, que foram, nessa ordem, o Campeonato Alemão de F-4.

Arthur Leist optou por seguir os passos do irmão e busca espaço no automobilismo norte-americano (US F4)

Na América do Norte essa categoria tem dois torneios: o dos Estados Unidos e o do México, este último ainda utilizando carros iguais ao da F-Academy que existe entre nós. Nos EUA estão confirmados Arthur Leist (irmão de Matheus Leist, que disputa a F-Indy) e Kiko Porto; eles vão competir com chassis Ligier JSF4 equipados com motor Honda.

Ex-kartista, Kiko Porto estreia na F-4 dos Estados Unidos (kikoportoracing.com.br)

Na categoria USF2000 Bruna Tomaselli, inicia sua segunda temproada e terá a companhia de Dudu Barrichello. Bruno Carneiro, radicado há alguns anos no Japão, este ano disputará o Campeonato da Ásia de F-Renault, que acontece nos circuitos de Zhuhai, Ningo, Thianji V1 e Sepang, na Malásia.

Bruna Tomaselli optou por fazer nova temporada na US F2000, nos Estados Unidos (USF2000.com)

Enquanto as fórmulas de base se proliferam pelo mundo afora apoiadas pelas entidades nacionais e regionais, no Brasil a situação é menos otimista. Reflexo da crise econômica, apenas o automobilismo paulista oferece oportunidades de baixo custo, como as F-Vee e 1600, que tem rendimento igual; graças ao trabalho da Federação de Automobilismo de São Paulo as duas deixaram de competir separadamente e a partir da próxima etapa, dias 20 e 21, em Interlagos. A partir dessa etapa alinharão em um único grid, o que permitirá melhores disputas entre jovens kartistas e veteranos.

Dudu Barrichello é mais um brasileiro que ingressa no automobilismo disputando provas no Exterior (USF2000.com)

Seria mais do que apropriado que a Confederação Brasileira de Automobilismo trabalhasse junto a promotores e organizadores para incentivar um programa de dois estágios: incentivar a disputa de provas de F-Vee e 1600 em certames estaduais e, posteriormente regionais. A história do automobilismo brasileiro tem bons exemplos onde se inspirar, incluindo o programa de financiamento que contribuiu para lançar e consolidar a F-Ford como uma das mais longevas e disputadas categorias do País nos anos 1970.

Bruno Carneio já correu na F-3 japonesa e este ano disputa o campeonato da Ásia para a F-Renault (brunocarneiromotorsport.com)

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