Corinthians administra bem, mas quando sai atrás…

wagnervilaron

15 de fevereiro de 2012 | 23h53

Coluna desta quinta-feira, no Estadão

Vou direto ao assunto. Não acho que o Corinthians esteja pronto para a Libertadores. E olha que escrevi isto antes do jogo de ontem. A estratégia baseada na montagem de um time organizado, que controla o jogo, seguro, mas sem muita ousadia – adotada por Tite no último Brasileiro e no início do Paulista – é boa para administrar placares apertados, porém insuficiente na Libertadores. O Corinthians necessita de um fator novo. Precisa ser letal.

E quando comentei com amigos que iria escrever sobre isto, muitos aconselharam-me a não fazê-lo. Claro, pois é difícil criticar, mesmo que de maneira construtiva, o time que é o atual campeão brasileiro e, sem dúvida, formado por um grupo bem treinado. O argumento que utilizaram foi lembrar que o time jogaria ontem à noite e que eu correria o risco de publicar um texto crítico na mesma edição que poderia registrar uma vitória corintiana. Hoje sabemos que não foi o caso.

Respeito o argumento e agradeço a preocupação, mas não somos nós que criticamos tanto o comentário de resultado? Aquele famoso “quando ganha, está tudo ótimo, e quando perde, nada presta”. Diante disso, acho o momento propício para o tema, pois não queremos debater placares. A ideia é discutir conceitos, concordemos ou não com eles. Então apertem os cintos e vamos lá.

Não passa de conversa fiada, puro blá-blá-blá, esse discurso de que a Libertadores não é obsessão corintiana, que é apenas um campeonato como qualquer outro. Não é! E nunca foi, mesmo para os clubes que já tiveram o prazer e o privilégio de conquistá-la.

A torcida do Corinthians é, sim, obcecada por esta competição, como era pelo título brasileiro até conquistá-lo em 1990. Saber que todos os principais rivais – além de clubes de outros estados – têm seu nome gravado em uma pequena placa metálica fixada no horroroso, porém cobiçado troféu, remói as entranhas alvinegras, além de alimentar a ironia e a tiração de sarro dos anticorintianos.

Todo este cenário provoca ansiedade, expectativa e, consequentemente, pressão intensa sobre o grupo do Corinthians. É natural, portanto, que o rendimento do time oscile, mesmo tendo em campo os mesmos jogadores campeões do ano passado. Afinal, só se fossem robôs para ficarem indiferentes ao ambiente que os cerca.

Nesta primeira fase, com jogos de ida e volta dentro da chave, talvez a situação não fique tão evidente. No entanto, quando começarem os mata-matas e a pressão aumentar, Tite não poderá submeter o time aos riscos de ter um jogo na mão e optar por administrá-lo em vez de liquidá-lo, como tem sido.

A campanha do título brasileiro foi marcada por algumas viradas. Esperar que este retrospecto prevaleça na Libertadores é apostar no imponderável, como alguém que fica feliz porque a decisão foi para a cobrança de pênaltis. A menos que o time seja uma zebra gigantesca – o que não é o caso do Corinthians – o melhor é resolver no tempo normal, e com o maior números de gols possível.

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