Tropeço de LAOR

wagnervilaron

15 de junho de 2012 | 13h41

Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro pisou na bola.

Dono de boas sacadas verbais e representante de um grupo ousado e competente que administra o Santos FC, o presidente sempre se mostrou pessoa e gestor acima da média do que se vê no futebol brasileiro.

No entanto, ao adotar como seu o discurso que sugere favorecimento da CBF ao Corinthians por convocar Neymar e o goleiro Rafael para a última série de amistosos da seleção brasileira, LAOR igualou-se aos rivais menos qualificados intelectualmente.

Com tal argumentação, que duvido seja sua, o presidente santista usa a velha e batida estratégia de desviar o foco e repassar a responsabilidade. Coisa de dirigente arcaico.

Luis Alvaro sabe, como qualquer cidadão de bom senso, que o desempenho de Neymar no clássico não foi diferente do que ele apresentou, por exemplo, contra o Vélez Sarsfield, nas quartas de final, antes da viagem com a seleção, ou mesmo durante a passagem do time brasileiro pelos EUA.

O dirigente santista peca também ao questionar o motivo da convocação. Diz que um atleta como Neymar não precisa ser testado. De fato, mas um chamado como esse não visa a teste, mas sim a definição de um esquema de jogo e entrosamento.

Ocorre que o ser humano tem a tendência de abrir mão da coerência diante do discurso oportunista. Quando o momento do Santos era de vitória, seu presidente não só achava interessante a convocação de Neymar, Ganso e Rafael como lamentava e considerava injusta a ausência do volante Arouca.

Mas tudo bem, precisamos entender que estar à frente de um grande, vencedor e badalado clube como o Santos expõe seus dirigentes a uma pressão extrema. Que aumenta em momentos de derrota e insegurança.

Mas foi só um escorregão.

LAOR tem crédito.

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