Neymar X Michael Jordan

williamcapita

12 de março de 2013 | 09h57

Conversando com um taxista essa semana ouvi a seguinte frase: “O Neymar terá mais duas chances (se referindo aos 2 amistosos que a seleção canarinho fará) e se não jogar bem já era. A torcida vai pegar no pé mesmo.” Não discuti e nem expus o que me veio a cabeça mas resolvi escrever aqui.

Recorro ao excelente livro Cestas Sagradas do multicampeão Phil Jackson, que o escreveu quando ainda tinha “apenas” 5 títulos da NBA ( um como jogador e quatro como técnico). Quero traçar um paralelo entre o que viveu Jordan, considerado por muitos o melhor jogador de todos os tempos, e o que talvez esteja acontecendo com Neymar.

“(…)Jordan podia fazer coisas com uma bola de basquete que ninguém havia visto antes.(…)Toda vez que ele tocava a bola, o estádio inteiro parava de respirar e ficava esperando para ver o que ele ia fazer a seguir. O problema era que os colegas de time de Jordan ficavam tão encantados quanto os torcedores.”

Estaria o Santos “parando” para “assistir” ao que Neymar pode fazer de excepcional a cada novo toque na bola? Parece que sim e é natural.

A base do Santos foi mantida por um tempo, mas já saíram e chegaram muitos jogadores desde que Neymar e Ganso comandaram o time em conquistas como as do Campeonato Paulista e a Libertadores.

Aqueles jogadores que chegaram querem, com certeza, fazer com que o craque tenha cada vez mais sucesso, por isso acabam priorizando-o sempre na hora de passar a bola. Mas no futebol deveria ser priorizado quem está mais bem posicionado, e às vezes, este alguém não é Neymar.

Pela maturidade precoce que adquiriu Neymar não se esconde do jogo e quer a bola sempre em seus pés. Contudo muitas vezes em que ele a recebe não seria a melhor opção e o Santos perde a oportunidade de criar uma jogada melhor. Somado a isso, algumas vezes ele tem exagerado no individualismo.

Tudo tem seu contraponto, em sua defesa cito uma conversa de Jordan com Phil quando o Chigaco Bulls ainda iniciava sua vitoriosa trajetória e não tinha ganho nem um titulo.

“(…)Normalmente os técnicos tem que convencer seus astros a produzirem mais e , de certa forma, eu tinha que pedir a Michael que produzisse menos. O quanto menos, ainda não tinha certeza. Talvez o suficiente para impedi-lo de conquistar seu quarto titulo seguido de maior marcador de pontos. Lideres de pontos raramente fazem parte de times campeões porque durante as finais os melhores times apertam tanto as suas defesas que conseguem neutralizar um grande arremessador, como o Detroit fizera com Michael, marcando-o sempre com dois e as vezes com três jogadores.(…)

–          Você tem que dividir o spot de luz com seus colegas, porque se você não fizer isso, eles não vão crescer.

–          Bem, acho que vamos ter problemas quando a bola chegar a algumas pessoas-disse Jordan-porque não sabem passar nem tomar decisões com a bola nas mãos.

–          Eu sei disso-respondi. Mas acho que você deve dar uma oportunidade ao sistema para funcionar, eles aprenderão. A coisa importante é deixar todos pegarem na bola, para que não se sintam espectadores. Não se pode vencer um bom time defensivo com um único homem. Tem que ser trabalho de grupo.”

Algo semelhante pode ser feito na Baixada. O técnico Muricy Ramalho tem competência e bagagem para isto. Um axioma criado por Red Holzman e dito a Jordan por Phil Jackson (quando este ainda era assistente técnico do Bulls), reflete bem o que deveria ser a tônica em esportes coletivos: “- O sinal de um grande jogador não é quanto ele pontua individualmente, mas quanto ele melhora a atuação do time.”

Esta lição que Neymar ainda precisa aprender o elevará certamente ao patamar que todos esperam que ele atinja. Felizmente estamos falando de uma talentoso atleta de 21 anos recém completados.

 

 

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