O melhor do mundo

O melhor do mundo

Wilson Baldini Jr.

13 de maio de 2009 | 00h03

Manny Pacquiao volta às Filipinas com festaÍdolo para 90 milhões de filipinos, ele é capaz de suspender temporariamente a guerrilha do ilegal partido comunista contra o governo das Filipinas, que já dura várias décadas. Os seus combates aumentam em cerca de 2% o gasto de energia elétrica do país asiático. Esse é Manny Pacquiao, o Pacman, o Mini-Tyson, o melhor boxeador da atualidade, em todos os pesos.

“Quando entro no ringue, busco levar felicidade para o meu povo”, afirma o pugilista de 30 anos, que já conquistou o título mundial em quatro categorias (mosca, supergalo, superpena e leve). “Se todas as vezes que eu lutar as armas silenciarem em meu país, lutarei todos os dias”, diz o pequeno lutador, de 1,69 metro, que sonha com a presidência das Filipinas. Há dois anos tentou uma vaga no Senado, mas não foi eleito. “Tudo na vida acontece na hora certa, quando se faz com amor. Sei esperar a minha vez”, comenta.

Eleito nos últimos três anos o melhor boxeador do mundo pela lendária revista norte-americana The Ring, Pacquiao foi festejar sua espetacular vitória sobre o britânico Rick Hatton, por nocaute no segundo assalto, em General Santos, cidade onde mora. “Ele nunca perdeu suas origens. Fez parte de uma família que passou fome, mas, apesar de todo o dinheiro que recebe, jamais virou as costas para seus amigos e parentes”, diz o experiente empresário Bob Arum. Só para derrubar Hatton, Pacquiao recebeu US$ 12 milhões (cerca de R$ 24 milhões).

O interesse do público filipino por Pacquiao causa problemas para o governo daquele país, que enfrenta dificuldades com a pirataria de DVDs de seus combates. No último dia 3, menos de 24 horas depois da empolgante vitória sobre Hatton, os policiais de Manila deram duro para confiscar as milhares de cópias do duelo, que podia ser visto com a narração em inglês e espanhol.

Além da idolatria em seu país, Pacquiao já tem o respeito dos norte-americanos. O sonho dos “donos do boxe” é ver o canhoto filipino contra o invicto Floyd Mayweather, de 31 anos, que voltará da aposentadoria prematura em julho, quando pegará o mexicano Juan Manuel Marquez. “Todos os recordes de bilheteria e de pay per view serão quebrados”, afirma Oscar De La Hoya, presidente do Golden Boy Promotion, que sentiu na pele a força de Pacquiao em dezembro passado, ao ser nocauteado no oitavo assalto. De La Hoya, que vai organizar Pacquiao x Mayweather, espera que mais de 2,5 milhões de assinaturas sejam vendidas no sistema pay per view, com bolsa de até US$ 30 milhões para cada pugilista.

Números que até pouco tempo atrás só poderiam ser atingidos pela categoria dos pesos pesados, xodó do boxe, mas que anda em baixa com seus lutadores sem técnica e carisma. Tanto que os irmãos ucranianos Wladimir e Vitali Klitschko sequer realizam seus combates em território norte-americano. Preferem se apresentar na Europa, de preferência em ringues da Alemanha.

O estilo do filipino agrada aos norte-americanos. Com grande resistência aos golpes, Pacman parte para o ataque desde o início, aplicando mais de mil socos nos duelos de 12 rounds. “Seus combates são eletrizantes”, diz o mexicano Jose Sulaymán, presidente do Conselho Mundial de Boxe (CMB). Após bater Hatton, Pacquiao disse que só se aposentará em cinco ou seis anos. Até lá, os filipinos terão agradáveis manhãs de domingo diante da TV.

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