Onde tudo começa

Wilson Baldini Jr.

14 de maio de 2009 | 02h45

Além de coragem e talento, eu esqueci de dizer que também não tinha físico para ser um boxeador. Cheguei logo a 1,82 metro de altura, mas não tinha massa muscular, apesar dos 75 quilos. Ao contrário de um colega (Ricardo) do colegial.

Com 1,88 metro, 16 anos e 100 quilos, era apontado por mim como o grande adversário do Adilson Maguila Rodrigues, grande nome do boxe brasileiro nos anos 80. Loucura de moleque. Enchi a paciência do Ricardo e ele aceitou ir treinar na academia onde o senhor Waldemar Zumbano, tio falecido do Éder Jofre, cuidava dos treinamentos. “Garoto, sobe no ringue”, disse “seo” Waldemar, que era uma figura sensacional.

O Ricardo subiu e foi batendo em todo mundo. Com o sucesso nos treinos, veio a inscrição na Forja dos Campeões, no ginásio do CMTC Clube. Venceu as duas primeiras lutas por nocaute. Resolvemos, então, melhorar o treinamento. Na falta de um peso pesado, chamamos um amigo, que era campeão de caratê.

O treino começou lento, mas o Ricardo se entusiasmou e acertou um belo cruzado na cabeça do nosso amigo. No segundo round, ele voltou a acertar o alvo. “Agora, será minha vez”, afirmou o sparring.

Um contra-golpe quebrou o nariz de Ricardo em três partes. Após a cirurgia, eu disse para o Ricardo, ainda no quarto do Hospital das Clínicas: “Sua luta foi adiada para daqui três semanas. Dá tempo de você se recuperar.” E ele me respondeu: “Você enlouqueceu? Nunca mais subo em um ringue.” Ricardo tinha físico, mas não tinha alma de lutador.

Contei esta história apenas para citar a Forja, que há muito tempo é organizada no Ginásio do Baby Barioni, todas as terças-feiras à noite, pelo incansável Newton Campos, presidente da Federação Paulista de Boxe. Todas as quartas-feiras abriremos espaço para os resultados e mais histórias do local onde todo o boxeador brasileiro deve iniciar sua carreira.

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