Os pequenos grandes campeões

Wilson Baldini Jr.

28 de fevereiro de 2010 | 23h30

Eles não são os mais altos, os mais fortes ou os mais rápidos, mas são os melhores pugilistas da atualidade. A categoria dos meio-médios domina o boxe atual e repete o sucesso de lendas do passado como Henry Armstrong, Sugar Ray Robinson, Kid Gavilan, Carmen Basilio, Emile Griffith, José Nápoles, Sugar Ray Leonard Roberto Durán e Pernell Whitaker. Os nomes do momento: Manny Pacquiao, Floyd Mayweather, Miguel Cotto, Shane Mosley, Antonio Margarito e Andre Berto.

Com a falta de renovação entre os pesos pesados (ler abaixo), a atenção do público se voltou completamente para aqueles superatletas de no máximo 66,678 quilos e de 1,75 metro de altura em média. O sucesso deles pode se notar na venda de pontos pay per view, antes dominada totalmente pelos grandalhões Mike Tyson e Evander Holyfield. E não é de hoje.

Oscar De La Hoya encerrou a carreira e é o dono da Golden Boy Promotions, empresa com o maior número de lutadores no mundo. É dele o recorde de vendas no pay per view. Suas lutas venderam 12,8 milhões de pontos e renderam US$ 612 milhões (R$ 1,113 bilhão), superando Mike Tyson (12,4 milhões de pontos e US$ 545 milhões) e Evander Holyfield (12,6 milhões e US$ 543 milhões).

O nome da atualidade é Manny Pacquiao. Com três vitórias contundentes sobre Oscar De La Hoya (8º assalto), Rick Hatton (2º) e Miguel Cotto (12º). O filipino é apontado como o mini-Tyson por causa de sua agressividade imposta nos combates. Em sua última apresentação, 15.930 espectadores se acotovelaram no ginásio do MGM Hotel, em Las Vegas, proporcionando uma arrecadação de US$ 8,8 milhões só na venda de ingressos. Pacquiao ficou com a bolsa milionária de US$ 22 milhões – igualando o que Mike Tyson embolsou em 1988 para derrotar Michael Spinks no primeiro assalto. Miguel Cotto perdeu a luta, mas se consolou com US$ 12 milhões. Um dinheiro impensável para categorias “pequenas” há alguns anos.

Dia 13, Pacquiao enfrenta Joshua Clottey no Cowboys Stadium, no Texas, mesmo local do último Jogo das Estrelas da NBA, que reuniu mais de 108 mil torcedores. “Não duvido que Pacquiao possa levar sozinho o mesmo público que dezenas de jogadores de basquete levaram”, afirmou o experiente empresário Bob Arum.

O combate mais esperado para Pacquiao é com Floyd Mayweather. O americano exigiu exames antidoping para Pacquiao, insinuando que o astro se utiliza de anabolizantes. As negociações não andaram e Mayweather sobe no ringue dia 1º de maio para encarar o veterano Shane Mosley. “O vencedor vai encarar Pacquiao em novembro”, afirmou Arum, confiante na vitória de seu pupilo diante de Clottey. Pacquiao e Mayweather terão bolsas de US$ 40 milhões.

Mas os duelos entre os meio-médios estão longe de terminar. Miguel Cotto nem pensa em aposentadoria e já tem retorno marcado para 6 de maio, no Yankee Stadium, em Nova York. A expectativa é de que o porto-riquenho reúna 60 mil fãs diante de Yuri Foreman. O norte-americano Andre Berto e o mexicano Antonio Margarito correm por fora. Pacquiao surge como favorito para permanecer no topo, mas ele sabe que não pode bobear. Todos os “baixinhos” são bons de briga.

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