Tyson na telona. Feroz como no ringue

Tyson na telona. Feroz como no ringue

Wilson Baldini Jr.

27 de outubro de 2009 | 23h31

Quem quiser “disputar” 12 eletrizantes roundes com Mike Tyson basta comprar ingresso para o documentário Tyson, um dos destaques da 33ª Mostra de Cinema, em São Paulo. O ritmo dos 88 minutos da fita é intenso e faz os fãs do ex-campeão suarem como se estivessem no ringue.

Com a mesma eficiência e rapidez com que disparava seus golpes e se esquivava do ataque dos rivais no início dos anos 80, o Iron Man critica inimigos declarados, como o empresário Don King e a modelo Desiree Washington, e elogia os adversários James Buster Douglas, Evander Holyfield e Lennox Lewis que o derrotaram.

Trata-se de um monólogo do pugilista mais polêmico da história do boxe, recheado com declarações atuais, captadas pelo diretor James Toback, e com entrevistas antigas, quando o pugilista estava na ativa. Nenhuma imagem da vida de Tyson – para os grandes fãs – é inédita, a não ser a brincadeira com a filha Rayna, fruto do casamento com a médica Monica Turner. A menina “nocauteia” o pai na sala de casa. Mas cada cena é cuidadosamente escolhida, o que torna cada momento fundamental para o filme.

Por vários instantes, a fita mostra um Tyson mais “humano”, diferente daquele que massacrava seus rivais. Ele revela sofrer de problemas pulmonares desde a infância. Assume ter começado a lutar para ganhar confiança diante dos “amigos” do Brooklyn e admite ter convivido sempre com o medo antes de subir no ringue.

O campeão mais novo dos pesos pesados – tinha 20 anos, em 1986, quando ganhou o primeiro título – teve de conter o choro por várias vezes quando falou do mentor Cus D’Amato, morto em 1985. “Quando ele morreu, perdi a confiança.”

Tyson exibe seu enorme conhecimento da história do boxe, o que lhe garantiria facilmente uma vaga de comentarista em qualquer canal dos EUA, ao falar sobre os campeões do passado.

O astro reconheceu o seu envolvimento com álcool e drogas, mesmo quando estava no auge. Sua relação intensa com as mulheres vale um “capítulo” especial. Ele relembra ter lutado contra Trevor Berbick com fortes dores por causa de gonorréia. Nega ter estuprado a “porca” Desiree Washington, em 1992, mesmo após os três anos de prisão. “Ela foi a responsável pelo pior dia de minha vida. Posso ter falado grosserias para ela, mas não fiz nada que ela não quisesse.”

Tyson diz ter um estilo de vida extremista. “Isso explica o fato de alguém como eu gastar US$ 400 milhões.” Ele não culpa os sanguessugas, que o rodeavam. “Eu também os usei.”

Tyson é um documentário para quem gosta ou para quem não gosta de boxe. É um exemplo de como a vida dá voltas.

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