Uma aula de Pacquiao

Wilson Baldini Jr.

14 de novembro de 2010 | 16h57

Os 41.732 espectadores que estiveram sábado à noite no Cowboys Stadium, em Arlington, Texas, jamais vão se esquecer da aula de boxe do filipino Manny Pacquiao sobre o mexicano Antonio Margarito. Com menos três quilos de peso, 11 centímetros de altura e 15 cm de envergadura, Pacman teve uma das maiores atuações de um pugilista nas últimas décadas para ao final dos 12 assaltos poder festejar o oitavo título mundial em categorias diferentes. Aos 31 anos, Pacquiao venceu pela 52ª vez, em 57 combates e ficou com o cinturão vago dos médios-ligeiros, versão Conselho Mundial de Boxe. Os jurados foram unânimes: 120-108, 119-109 e 118-110.

“Fiquei com o controle da luta após o terceiro round, mas não pude descuidar, pois Margarito é muito forte. Esta foi a luta mais dura de minha carreira”, disse Pacquiao, que admitiu ter sentido um forte golpe na linha de cintura no sexto assalto. “Tive sorte em continuar a disputa”, afirmou o campeão, que viu sua mãe ser levada ao ambulatório do estádio, após passar mal no fim da luta.

Por várias vezes, após o quarto round, Pacquiao pediu ao juiz Lawrence Cole para que examinasse um corte abaixo do olho direito de Margarito. “O machucado realmente era muito grande. Disse ao juiz: ‘Olhe os olhos dele. Olhe os cortes’. Eu não queria que os machucados se tornassem permanentes para Margarito”, afirmou Pacquiao, na entrevista após a luta.

Margarito foi levado de ambulância depois do combate para um hospital, onde exames detectaram uma fratura na face do pugilista, que jamais aceitou que seu corner encerrasse prematuramente o duelo. “Nunca haverá chance de eu abandonar uma luta. Sou mexicano. Nós sempre lutamos até o fim”, afirmou orgulhoso o pugilista que sétima vez em 45 combates. “O corner de Margarito não trabalhou corretamente. Receio o futuro de sua carreira esteja arruinado”, afirmou o técnico de Pacquiao, Freddie Roach.

Margarito foi o 12º mexicano a encarar Pacquiao. Foram dez vitórias do filipino, uma derrota e um empate, que lhe valeram o apelido de “carrasco de mexicanos”. “Pacquiao é o melhor lutador que eu vi em ação”, disse Bob Arum, empresário há mais de quatro décadas na nobre arte.  

Com uma velocidade espantosa, que lhe proporciona contra-atacar com grande eficácia, Pacquiao esteve por várias vezes perto do nocaute, que só não foi realizado pela garra fora do comum de Margarito.

Logo após o fim da luta de sábado, os críticos apontavam para um duelo imediato e necessário entre Pacquiao e o norte-americano Floyd Mayweather, que poderá dar a cada um a bolsa inédita de US$ 100 milhões. “Não falo dele (Mayweather). As negociações ficam para Bob Arum. Eu vou voltar às Filipinas, onde tenho muito trabalho a realizar”, disse Pacman, que foi eleito em maio para um lugar no Congresso de seu país. Antes, ele provou que no boxe, tamanho não é documento.

Na principal preliminar da noite, o cubano Guillhermo Rigondeaux, bicampeão olímpico e que pediu asilo ao Brasil durante a disputa do Pan do Rio, em 2007, venceu o panamenho Ricardo Cordoba por pontos em decisão dividida: 114-112 e 117-109 para Rigondeaux e 114-112 para Cordoba.

O invicto Rigondeaux, que soma sete vitórias (cinco nocautes), ficou com o título interino dos supergalos, versão Associação Mundial de Boxe. Cordoba perdeu pela terceira vez, após 42 combates.

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