Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

'A LNB vai melhorar a situação do feminino', afirma Carlos Nunes

Presidente da CBB diz a seleção só poderá ser forte com o crescimento dos clubes

Entrevista com

Carlos Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Basquete

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2016 | 05h01

A seis meses do fim do mandato, o presidente da Confederação Brasileira de Basquete, Carlos Nunes, se diz de mão atadas diante da crise no basquete feminino e confia no crescimento do naipe com ajuda da Liga Nacional de Basquete. A LNB organiza o LBF desde a última temporada.

Qual avaliação faz do desempenho do Brasil na Olimpíada?

Evidente que há uma decepção, porque esperávamos muito mais. Cumprimos todo o nosso planejamento para irmos bem na Olimpíada. Mas dessas circunstâncias que o esporte produz não tivemos sorte naquela última bola, por exemplo, diante da Argentina. É do jogo. Não dá para culpar A, B ou C. Não deu, mas todos tivemos uma sensação de dever cumprido.

Quando falamos de seleção, muitas vezes, se pensa no masculino. Mas o feminino está em uma situação ruim. O que fazer para mudar o cenário?

A CBB não pode fazer nada. O feminino são os clubes, eles que precisam trabalhar. Estou otimista porque a LNB (Liga Nacional de Basquete) assumiu o controle da liga feminina. O modelo será o mesmo implementado no masculino. Hoje poucos clubes abraçam o feminino. Tenho certeza que agora, na mão da LNB, a situação vai melhorar.

Qual foi o peso do movimento encabeçado por Americana no desempenho da seleção? 

Acho que não influenciou. Essa situação só serviu de lição. Se esse grupo tivesse vindo falar comigo, teríamos feito uma outra estratégia, mas eles foram direto na imprensa, com quatro pedras na mão, e nos deixou sem alternativa. Não há o mesmo problema com a liga masculina, porque há entrosamento, há conversa. Isso que faltou naquela ocasião. Somos sempre abertos, não somos de briga. 

A seleção feminina tem condições de reagir? Ou uma geração como a de Hortência, Paula, Janeth nunca mais vai existir?

Nunca é uma palavra forte. Pode demorar. Não tenho uma estimativa de quanto vai demorar, mas sei que temos de trabalhar bastante. Volto a dizer que tenho muita esperança que na próxima edição da liga feminina, agora com ajuda da LNB, vão surgir novas atletas para formamos uma seleção forte.

Além da LNB, não há mais nada o que fazer para ajudar no crescimento do feminino? 

O Ministério do Esporte precisa aprovar um projeto que enviamos para ajudar as federações. Elas precisam muito de um apoio financeiro. As ligas conseguem diminuir os custos e isso pode gerar filiações de novos clubes. Hoje isso não acontece porque há um custo de inscrição, arbitragem, deslocamento, além do plantel. Com mais clubes teremos uma seleção estadual mais forte e, logo, mais opções para formar uma seleção. 

O senhor tem mais seis meses no cargo. O que fazer para entregar uma confederação em melhores condições?

A nossa dívida é de R$ 10 milhões. Temos auditoria interna, externa, somos auditados pelo COB, pelo Ministério do Esporte. Estamos em um processo de enxugamento. Existe uma ação da CBB contra a Eletrobras de R$ 21 milhões e vamos tentar um acordo, já que, na Justiça, tudo se prolonga muita. O departamento de marketing também tem nos passado coisas positivas. Estamos forçando para fechar uma patrocínio antes da eleição, até porque o presidente só será conhecido em 31 de março. Se tivermos algo, vamos passar para aprovação dos dois candidatos (Antonio Carlos Barbosa e Amarildo Rosa). A CBB terá uma solução. O próximo presidente terá trabalho, isso vai ter, mas temos o produto.

A CBB teve problemas com a prestação de contas de R$ 2.949.467,05, o que impediu a entidade de receber R$ 4.078.521,92 de um convênio com o Ministério do Esporte?

Temos até novembro para fazer essa prestação de contas. Ou seja, estamos dentro do prazo. Mas o problema não foi apenas na CBB. As outras federações também não receberam. Nós estávamos regularmente em dia. Tivemos de ter ajuda do COB e do Bradesco na preparação para os Jogos Olímpicos.

A Fiba vai enviar um representante...

(Interrompe) A meu pedido.

...para uma intervenção na CBB? 

Não é intervenção. Quando o presidente da Fiba, Horacio Muratore, e secretário-geral, Patrick Baumann, estiveram aqui na Olimpíada, eu convidei ambos para nos visitar na CBB, para passar um feedback da nossa situação financeira e administrativa. O secretário disse que não haveria tempo hábil e comunicou que iria enviar o (Jose Luiz) Saez (membro do Comitê Executivo da Fiba) para fazer o meio de campo. Agendamos para o final de outubro. Queremos aproveitar o encontro também para saber como vai funcionar o novo formato para classificação para o Mundial e Olimpíada. Serão seis janelas, começando em novembro de 2017. Teremos de reunir uma seleção seis vezes por ano e o custo disso é estratosférico. 

Mas a Fiba ficou irritada com o fato de a CBB desistir de organizar o Mundial 3x3...

Irritada, não, ficou desconfortável. No fim, foi melhor porque o gasto que ela teria para organizar o torneio aqui foi menor do que no México. A Fiba quer ajudar o Brasil. Somos uma potencia e eles não podem desperdiçar isso.

Analisando sua gestão, que começou em 2008, o senhor mudaria alguma coisa?

Não confiaria em uma parceria (Eletrobras) que foi muito decisiva. Teríamos repartido (o orçamento) com várias parcerias e não teria colocado o planejamento em andamento antes de receber o dinheiro.

A definição dos treinadores vai ficar para depois da eleição?

Claro. Se me pedirem posso até opinar. A seleção só vai se juntar em junho ou julho. Então fica para o próximo presidente.

Mais conteúdo sobre:
Basquete

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.