Agentes colocam Leandrinho rumo à NBA

Chegar à NBA, principal liga profissional norte-americana de basquete é o sonho de muitos jovens talentosos jogadores de todo o mundo. Vencer a ?peneira? anual, que absorve os melhores ex-universitários e estrangeiros, pode significar projeção, fama e dinheiro. Os brasileiros também encontram o caminho para a NBA ? por meio de agentes, rompendo contratos de trabalho em vigência e viajando para os Estados Unidos quase ?fugidos?. A história do pivô Maybyner Nenê Hilário, hoje no Denver Nuggets, se repete agora com o armador Leandrinho. O jogador, de 21 anos, já está em Cleveland, na sua primeira clínica com o ex-armador do Chicago Bulls, Ron Harper, em preparação para o draft da NBA, em junho. Leandro Mateus Barbosa, o Leandrinho, que estava havia dois anos e meio no Bauru Basquete, ligou para o técnico Jorge Guerra, o Guerrinha, esta semana, dez dias após ter seguido para os Estados Unidos, no dia 4. Veio a São Paulo para fazer exames médicos com a seleção brasileira e não se reapresentou mais em Bauru. ?Ele me agradeceu, mas disse que tinha de ir nesse momento (o time, por meio do diretor Caio Coube, chegou a pedir ao agente que o jogador ficasse pelo menos até o fim da fase de classificação do Nacional)?, disse Guerrinha. ?É um garoto novo, tem outras pessoas que decidem por ele, inclusive agentes. Disse que é muito sentimental e, por isso, não quis falar comigo.? Leandrinho foi levado pelo mesmo agente, o norte-americano Michael Coyne, que colocou Nenê na NBA. Coyne é credenciado pela liga e trabalha conjuntamente com o canadense Joe Santos, que fala português e é quem negocia, no Brasil, com os atletas e seus familiares. Nenê, de 20 anos, foi a sétima escolha do draft (pelo New York Knicks que, imediatamente, negociou o jogador com o Denver Nuggets) fechou um contrato de US$ 5,58 milhões, por um período de três anos. No Bauru, o contrato de Leandrinho ? ?um jogador com potencial para a NBA?, segundo Guerrinha ? terminaria em junho. Além do prejuízo técnico ? o jogador era o segundo cestinha do campeonato, com média de 28,2 pontos por jogo, em 20 disputados, e a ?alma? da equipe, como armador ? o dirigente Caio Coube agora discute com os agentes aspectos legais e sobre como o clube será ressarcido. A NBA fixa o teto de US$ 350 mil pela transferência de jogadores, isso se Leandrinho passar pelo draft (o Vasco teria recebido US$ 750 mil por Nenê). ?Tudo ainda está muito vago. Não temos nenhuma garantia. Acho que depois do Nenê e agora do Leandrinho, os clubes vão ter de tomar certas precauções nos futuros contratos?, observa Coube, que aguarda um acordo. Coyne informou o Bauru, por e-mail, que Leandrinho e a família ?haviam escolhido abrir mão do compromisso contratual com o Bauru?, que o atleta não faria mais contato com o time e iniciaria imediatamente sua preparação para o draft na NBA. Pediu, inclusive, que os familiares do jogador no Brasil não fossem mais contatados. ?Eles estão repetindo com Leandrinho o que fizeram com o Nenê?, disse Coube. Leandrinho passa por uma espécie de pré-vestibulinho, vai ser preparado técnica e fisicamente (inclusive ganhando massa muscular), em campings e em clínicas, aprendendo sobre a NBA e, ao mesmo tempo, sendo exibido para os times nos Estados Unidos, antes da escolha do draft.

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