Jason Miller/AFP
LeBron James, do Cleveland Cavaliers, é um dos destaques do jogo das estrelas da NBA Jason Miller/AFP

ALL-STAR GAME, UM ESPETÁCULO PARA POUCOS

Na NBA, é quase impossível um torcedor comum de um dos 30 times do torneio conseguir um ingresso para um dos maiores eventos da liga

Zach Schonbrun - The New York Times, New York Times

14 de fevereiro de 2015 | 20h30

A NBA está se saindo muito bem ultimamente. O jogo está nas mãos de astros imensamente populares como LeBron James e Kevin Durant. Novos times, como o Gold State Warriors e o Atlanta Hawks, acrescentaram ingredientes saborosos à temporada regular. E os donos da liga em breve estarão colhendo os benefícios de um novo contrato com a televisão que pagará US$ 2,66 bilhões por ano, quase o triplo da quantia do acordo vigente.

Agora chegou a vez das festividades do All-Star Game da NBA, que estão transcorrendo em Nova York esta semana e servem de publicidade prolongada dos atrativos da liga. O que costumava ser uma exibição de uma única tarde se expandiu cada vez mais para o evento atual de cinco dias, repleto de festivais de torcedores, treinos abertos, um jogo de celebridades, caravanas a escolas locais e festas charmosas em Manhattan para o esporte americano mais estreitamente identificado com estilo pessoal.

Mas nem todos terão acesso aos eventos. Os ingressos para o All-Star Game (domingo à noite no Madison Square Garden) e para a disputa de enterradas e outras competições (realizadas na noite de sábado no Barclays Center) não foram colocadas à venda para o público pelo quinto ano seguido. Somente uma pequena porcentagem dos assentos foi oferecida para compra para possuidores de ingressos para a temporada dos dois times anfitriões, o Knicks e o Nets.

Os torcedores buscaram entradas em sites de vendas secundários como StubHub. Mas seus preços dispararam, chegando perto de US$ 2 mil por ingresso, muito acima do valor nominal.

Na verdade, a NBA criou algo parecido a uma festa com acesso limitado. Dois terços dos assentos disponíveis (ou mais de 10 mil ingressos) para os eventos foram requisitados pela liga para distribuir para sua longa lista de parceiros de transmissão e marketing, outros aliados, jogadores, a associação de jogadores e ex-jogadores da NBA. Esses compromissos abrangeram uma vasta porção das seções inferiores das duas arenas.

Além disso, quase 20% dos assentos nas duas arenas foram requisitados para acomodar de produção e encenação para as transmissões de TV e para acomodar um grande contingente de profissionais da mídia.

O restante dos ingressos? Estão divididos entre as 30 equipes da NBA para ser distribuídos a torcedores e outros, com o Knicks e o Nets qualificados a uma distribuição especial. A fórmula geral significou que os torcedores comuns da liga, aqueles que realmente votaram em quem deveria começar jogando no All-Star Game, não tiveram virtualmente nenhuma chance de comparecer.

"Se estivéssemos em 1983, quando jogo era mostrado com atraso de transmissão, isso não teria importância", disse Bill Sutton, um consultor de marketing esportivo que trabalhou na NBA de 1999 a 2006

No centro do dilema da NBA está a questão de tamanho. O All-Star Game da Major League Baseball, o mais seriamente competitivo de tais eventos, também vende automaticamente, mas os torcedores têm a chance de comprar ingressos online porque os jogos são realizados em estádios maiores. Diferentemente da NBA, a Major League Baseball considera adequado requisitar para seu próprio uso apenas um terço dos ingressos para o All-Star num dado estádio.

Depois, há a NFL, que comanda o esporte mais popular dos Estados Unidos, o futebol americano. Ela também dispõe dos maiores estádios, o que significa que suas necessidades corporativas ocupam menos espaço total do que outros esportes; no recente Super Bowl no Arizona, por exemplo, a NFL requisitou somente 25,2% dos ingressos (o jogo All-Star da NFL, o Pro Bowl, há muito é visto como um acréscimo, embora a totalidade dos ingressos para o jogo tenha sido vendida nesta temporada).

Quanto à NHL, que comanda o hóquei no gelo, a liga mais comparável à NBA porque utiliza algumas das mesmas arenas que ela e tem o mesmo calendário básico, seu All-Star Game requer que cerca de 40% dos assentos sejam reservados para propósitos da liga, substancialmente menos que as necessidades da NBA. E a NHL não provoca um interesse tão grande como a NBA.

E não é de hoje que a NBA cria eventos de destaque tão difíceis de se entrar. Em 2002, um mês antes de a Filadélfia receber o All-Star Game da NBA, Ed Snider, o presidente do 76ers na época, disse a The Philadelphia Inquirer que jamais desejaria receber novamente o evento por causa dessas questões e do ressentimento local criados pelo fato de que havia pouquíssimos ingressos para seus próprios torcedores. Ele disse que recebeu três mil ingressos da liga para vendê-los à base de assinantes da temporada 76ers, que alcançava 15 mil. Ele disse que a procura era muito superior à oferta. "As pessoas acham que o jogo é nosso, mas ele é da liga", disse Snider. Ele vendeu o time em 2011. 

Joe Fav, um ex-consultor de comunicações estratégicas do Knicks e do 76ers, consultor da mídia esportiva e professor em Columbia, disse que o alcance global da NBA, com parceiros de tevê por todo o mundo, tornava um evento como o All-Star Game algo que toda sorte de clientes corporativos queria assistir. 

"É um mal necessário", ele disse sobre reservar tantos assentos para interesses corporativos. "É difícil justificar o oferecimento de mais ingressos para torcedores quando se tem corporações querendo gastar muito dinheiro e fazer o jogo crescer."

Como observou Sutton, o All-Star Game da NBA e seus eventos afins nem sempre foram populares. O primeiro fim de semana inteiro aconteceu em 1984, e David Stern, o comissário na época, temia que o público fosse constrangedoramente baixo quando a disputa de enterradas, uma novidade, foi realizada no sábado à noite. Os ingressos custaram meros US$ 2. 

Mas a ideia de um fim de semana inteiro pegou. Não houve nenhum problema em 1989, quando o All-Star Game ocorreu no Houston Astrodome e foi assistido ao vivo por uma multidão anunciada de 44.735. Havia ingressos sobrando.

No ano seguinte, porém, quando o jogo voltou para espaços muito menores, na Miami Arena, a NBA precisou fazer alguma coisa sobre suas promessas a patrocinadores, licenciados e times. A liga destinou 5 mil dos 14 mil assentos disponíveis da arena ao Heat para distribuir a detentores de ingressos para a temporada mediante um sorteio. Não foram vendidos ingressos publicamente, o que mostra a antiguidade da prática.

Essa estratégia foi contornada em 2010, quando o jogo se desenrolou no AT&T Stadium, sede do Dallas Cowboys. Com mais de 100 mil assentos disponíveis, houve espaço suficiente para acomodar a NBA, os 10 mil detentores de ingresso para temporada do Mavericks e quaisquer outros que quisessem assistir.

Perguntado esta semana se a NBA poderia programar mais All-Star Games em estádios grandes para acomodar mais torcedores, Tim Frank, um porta-voz da liga, disse que este não era o modelo preferido da NBA.

"Além de permitir a nosso times anfitriões a melhor oportunidade de exibir suas arenas a um público global, gostamos do ambiente íntimo", disse Frank.

Um torcedor do Knicks que não esperava estar no Garden no domingo era Dennis Doyle, uma espécie de atleta que compareceu a todos os jogos do time nesta temporada, em casa e fora, apesar do desempenho pífio do Knicks. 

Em 22 de dezembro ele recebeu um e-mail do Knicks, que lhe ofereceu a oportunidade de comprar ingressos para o All-Star.

Ele seria incluído num sorteio com outros assinantes de ingressos para a temporada, a antiguidade valendo como prioridade. Os ingressos estariam disponíveis em dois níveis de preços, US$ 250 e US$ 350, mas somente em algumas seções do Garden. Haveria um máximo de quatro ingressos por pessoa, e não haveria reembolso.

Um mês depois, Disseram a Doyle que ele havia perdido a chance. Não tinha antiguidade suficiente. Mas Doyle não é um torcedor comum, e o Knicks posteriormente o procurou e ofereceu quatro ingressos. A essa altura, porém, ele havia decidido gastar o "feriadão" do All-Star na Flórida, assistindo aos eventos do All-Star pela TV.

Mas a NBA também sabe quem é Doyle. Esta semana, a liga o contatou e lhe ofereceu dois ingressos de graça para o jogo de domingo à noite. Desta vez, Doyle disse sim. É uma oferta boa demais para recusar para um evento de acesso tão difícil.

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Fãs do esporte vão estar de olho em Nova Iorque

Kevin Durant, Tim Duncan, LeBron James e Pau Gasol são os astros da festa da NBA no Madison Square Garden

Zach Schonbrun, New York Times

14 de fevereiro de 2015 | 20h30

A 64.º edição do All Star Game reunirá neste domingo às 23h (horário de Brasília) os melhores jogadores da NBA e vai transformar o Madison Square Garden no centro das atenções do esporte no mundo. Além de craques como Kevin Durant, Tim Duncan, Lebron James e Pau Gasol, chama a atenção também os números que envolvem o evento. 

A cidade de Nova York recebe o jogo das estrelas pela quinta vez (1954, 1955, 1968, 1998 e 2015), empatando com Los Angeles. Mais de 1.800 meios de comunicação farão a cobertura do jogo – 534 de fora dos Estados Unidos. O jogo será transmitido ao vivo para 215 países. 

No total, 19 emissoras de tevê poderão veicular as imagens ao vivo em inglês, português, espanhol, francês, italiano, alemão, russo, grego, japonês e chinês. Além das redes de tevê, o jogo será veiculado por mais de 1.200 rádios espalhadas pelo mundo, além das mais variadas formas de transmissão por plataformas digitais. 

No total, 216 jogadores (atuais e ex-craques) da NBA participarão das festividades antes, durante e depois da partida, incluindo integrantes do Hall da Fama do basquete. Kobe Bryant e Tim Duncan se tornarão os jogadores que mais vezes participaram do evento, com 17 e 15 jogos, respectivamente. Steve Kerr, técnico do Golden State Warriors, será o primeiro treinador a comandar um time do jogos das estrelas em sua primeira temporada na NBA desde Larry Bird, em 1998.

O jogo permitirá que mais de 1 milhão de jovens carentes nova-iorquinos recebam assistência até o final do ano, em um trabalho que envolve voluntariado e dinheiro para investimento na formação educacional das crianças assistidas por entidades da cidade. 

Nas redes sociais, o jogo vai proporcionar uma explosão de interatividade. A NBA requisitou servidores extras para garantir que mais de 780 milhões de internautas consigam acessar e clicar em 'like' em todos os canais da liga no Facebook, Twitter e Instagram, tendo acesso irrestrito aos conteúdos interativos sobre os jogadores e treinadores da NBA – os internautas também poderão eleger os quatro melhores jogadores de todos os tempos através do nba.com. 

O jogo marcará o primeiro duelo entre irmãos de toda a história do All-Star Game – Pau Gasol, do Chicago Bulls, defenderá o time da Conferência Leste e seu irmão Marc Gasol, dos Memphis Grizzlies, jogará pela equipe da Conferência Oeste. Os irmãos espanhóis também são os primeiros jogadores europeus a serem votados para jogar como titulares no jogo das estrelas.  

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