Amigos lamentam a morte de Ubiratan

Edvar Simões, atual gerente de Futebol do Corinthians e que jogou basquete ao lado de Ubiratan Maciel, não conteve o choro ao saber da morte do companheiro. ?Mais do que um grande jogador, ele era um amigo. Sempre foi um estímulo para mim. É um dia muito triste.??Wlamir Marques, campeão mundial em 1963 junto com Bira, o definiu como uma ?pessoa alegre??, que nunca se deixou abater, nem mesmo nas ocasiões em que passou por dificuldades na vida particular. ?Como jogador, entre outras qualidades ele foi preponderante para o Brasil. Nosso basquete jogava à base de velocidade e contra-ataques, porque não tinha atletas altos. E os rebotes que o Bira ganhava tornaram-se fundamentais para o nosso estilo.??A facilidade de Ubiratan nos rebotes também foi lembrada por Hélio Rubens, atual técnico do Vasco. ?Ele organizava a defesa. E o trabalho que dois ou três jogadores faziam no rebote, ele desenvolvia sozinho. Bira foi um baluarte do basquete. Sinto orgulho de ter jogado com ele.??Oscar disse que se ?espelhava?? em Ubiratan. ?Ele é o cara que eu olhava quando comecei a jogar. Tive a honra e o prazer de jogar com ele (em 1977, no Palmeiras). O basquete perdeu um de seus melhores homens. A alegria do Bira vai fazer falta.??O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) emitiram nota lamentando a morte de Ubiratan.Meses de agonia - Representante de duas das gerações mais vitoriosas e talentosas do basquete masculino brasileiro, consagrada nas décadas de 60 e 70, o ex-pivô Ubiratan Pereira Maciel, morreu nesta quarta, aos 58 anos, de falência múltipla dos órgãos, no Hospital das Forças Armadas, em Brasília. Ubiratan, que teve uma carreira de 20 anos, marcada pela longevidade, não se recuperou das três paradas cardíacas que sofreu no dia 8 de fevereiro. Desde então, estava em coma. Até o início da noite a família não havia decidido se o enterro seria em Brasília ou em São José dos Campos. O ex-jogador teve o problema cardíaco em Brasília, onde morava e trabalhava no Ministério dos Esportes e Turismo. No dia 10 de fevereiro foi transferido para a Unidade Coronariana do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo. Em 15 de março deixou a unidade de terapia intensiva com um quadro clínico estável, mas ainda em coma e respondendo a poucos estímulos neurológicos. Ubiratan deixou a mulher Deusa e quatro filhos, três deles do primeiro casamento.Carreira Vitoriosa - O que não faltou na carreira desse pivô, de 1,98 metro, foram títulos. Ubiratan disputou cinco títulos mundiais, o primeiro deles no bicampeonato brasileiro, em 1963, no Rio, formando o time base com Wlamir Marques, Amaury Passos, Mosquito (Carlos Domingos Massoni) e Rosa Branca (Carmo de Souza). Além dessa medalha de ouro, Ubiratan foi bronze em Montevidéu, Uruguai, em 1967; prata na Iugoslávia, em 1970; 6.º colocado em Porto Rico, em 1974; bronze nas Filipinas, em 1978. Nesse Mundial, Ubiratan era o único remanescente da equipe campeã em 1963, ainda jogando como titular em uma equipe que tinha Carioquinha, Hélio Rubens, Marcelo Vido, Marquinhos, Gilson, Marcel e Oscar.Também disputou três Jogos Olímpicos (foi bronze em Tóquio, em 1964) e três pan-americanos (medalha de prata em 1963 e de bronze em 1979). Desde 1963, foi octacampeão sul-americano.Foram muitos os títulos que acumulou nos clubes em que jogou: Espéria (Floresta), Corinthians, Jacareí, Sírio, Palmeiras e no Tênis Clube de São José. Atuou no Splugem, de Veneza, Itália, por dois anos. Seu basquete era respeitado internacionalmente. Um currículo tão rico colocou Bira na galeria dos maiores jogadores de basquete do mundo, o Hall Of Fame, de Springfied, mantido pela liga norte-americana de basquete, a NBA. Ubiratan deixou as quadras, aos 38 anos, em 1982 ? despediu-se da seleção em 1979 ?, dizendo que não era difícil tomar a decisão. Considerava ter cumprido, ?com garra e tenacidade?, a sua missão. ?Nada mais me resta como jogador, dentro e fora da quadra. Tudo o que consegui na vida foi através do basquete.?Decepções - Também enfrentou problemas e chegou a confessar mágoas na carreira, quando não foi convocado por Cláudio Mortari para ir aos Jogos de Moscou, em 1980. Ubiratan sonhava em ser, na época, o único atleta a competir em quatro Olimpíadas (Oscar, depois, disputou cinco edições dos Jogos defendendo o Brasil). Ele também envolveu-se em polêmica com o técnico Ary Vidal, que o acusou de indisciplina, nos Jogos Pan-Americanos de 1979, em Porto Rico.

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