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Durante sua infância, Kobe Bryant viveu na Itália, para onde seu pai, Joe Bryant, se mudou após deixar a NBA. Lá, ele adquiriu o interesse por futebol, mas as influências do basquete falaram mais alto Reprodução

Kobe Bryant se despede do basquete em último ato em Los Angeles

Camisa 24 dos Lakers terá noite de gala no Staples Center

Marcius Azevedo; Felippe Scozzafave / ESPECIAL PARA O ESTADO , O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2016 | 07h00

O menino que cresceu sonhando ser Michael Jordan realiza o último ato em quadra nesta quarta-feira, às 23h30, como Kobe Bryant contra o Utah Jazz. O fã não superou o ídolo. Se posicionou muito próximo dele. Ao falar da história do basquete será impossível não mencionar o camisa 24 (usou o 8 até 2006) do Los Angeles Lakers. O Staples Center, sua casa nas 16 de 20 temporadas na NBA, será o palco do desfecho de uma das carreiras mais brilhantes do esporte da bola laranja.

O "Farewell Tour" (tour de despedida) começou após 29 de novembro de 2015, quando Kobe publicou uma carta destinada ao basquete para anunciar que esta seria a sua última temporada. "Meu coração pode manter a batida, minha cabeça pode lidar com a rotina, mas meu corpo sabe que está na hora de dizer adeus...", escreveu.

Desde então, o camisa 24 dos Lakers vive momentos que só quem foi um dos maiores da história poderia viver. Por onde passa, é idolatrado, aplaudido em ginásios até onde foi odiado, recebe os cumprimentos até de quem sempre foi seu arquirrival em quadra.

Para Kevin Durant, Kobe sempre foi o ídolo máximo de uma geração. "Eu o idolatrei, estudei, queria ser como ele. Ele era nosso Michael Jordan". Já LeBron James, que nunca negou a obsessão por ser melhor que Kobe, se mostrou triste com o adeus do astro. "Sempre disse que minha inspiração veio do Michael, mas sempre achei que Jordan estava tão fora desse mundo que nunca poderia chegar lá. Kobe foi alguém que eu sempre quis ser e jogar como. Sabia que eu tinha que ser melhor por causa de Kobe Bryant", disse o camisa 23 do Cleveland Cavaliers, que, em seu último jogo contra Kobe, ganhou de presente um tênis autografado.

LeBron lamenta o fato de nunca ter disputado uma final da NBA contra Kobe. O mais próximo que chegou foi em 2009, quando, pelos Cavs, foi derrotado pelo Orlando Magic na final da Conferência Leste. "O mundo queria ver isso. Eu queria, ele (Kobe) queria, todos queríamos. Ele conseguiu aguentar, eu não consegui. Odeio isso. Odeio que aquela final não tenha acontecido."

Dono de cinco títulos da NBA e com médias de 25 pontos por jogo ao longo da carreira, Kobe alimentou rivalidades não somente com adversários. O temperamento explosivo rendeu uma briga com Shaquille O'Neal, companheiro no tricampeonato em 2000, 2001 e 2002, e Dwight Howard. Ambos deixaram os Lakers após se desentenderem com o astro.

Já outros profissionais têm uma relação muito próxima. Os maiores exemplos são o ex-armador Derek Fischer e o técnico Phil Jackson, parceiros de Kobe em todos os seus títulos na NBA. O técnico, aliás, campeão da NBA em 11 vezes (seis com o Chicago Bulls de Michael Jordan e cinco com o Los Angeles Lakers de Kobe), é considerado praticamente como um pai para o camisa 24.

SEMELHANÇAS COM JORDAN

"Ele é o mais perto de Jordan que nós vimos". Essa frase foi dita por Magic Johnson, contemporâneo de Jordan e considerado o grande astro dos Lakers antes de Kobe. As palavras do cinco vezes campeão da NBA, assim como Kobe, refletem a realidade, pois Kobe e Jordan têm estatísticas parecidas na carreira. Mais do que isso: o astro dos Lakers sempre quis ser como o ídolo e, há dois anos, admitiu que roubou alguns movimentos, não apenas a mania de colocar a língua para fora da boca na hora de arremessar. 

"Efeito dominó. Eu roubei algumas coisas dele… esta geração rouba algo de mim", admitiu Kobe. Jordan não criticou o fã. "Apesar de ter roubado as minhas jogadas, não me importo. Eu o considero um dos maiores de todos os tempos."

Kobe Bryant se despede. O legado permanecerá vivo.

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'Fica de exemplo para as novas gerações', diz Oscar Schmidt

Ex-jogador coloca Kobe entre os melhores da história

Guilherme Dorini, O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2016 | 07h00

Oscar Schmidt foi um dos ídolos de infância de Kobe Bryant. O astro viu o brasileiro em ação na década de 80 e 90, quando o seu pai, Joe Bryant, atuou no basquete italiano. Para o norte-americano, Oscar era "La Bomba" por causa do desempenho ofensivo. Agora é o ex-jogador que enaltece o antigo fã no dia da despedida.

 

Qual o legado que o Kobe vai deixar?

Ele deixa um legado insuperável, essa é a palavra. Fica de exemplo para as novas gerações, para olhar e ver que precisa de muito treino para jogar bem, querer ser o melhor. Isso você não vê em muita gente. São raras as pessoas assim.

Foi o momento certo para aposentar?

Quem tem que falar o momento certo de parar é ele. Quem sou eu ou quem é você para falar isso. Aposentar não tem relação com a idade. A idade está na sua cabeça. Se você acha que pode continuar jogando, você continua.

Qual a posição de Kobe na NBA?

Ele está entre os melhores, em disputa apertada com Michael Jordan. 

Então quer foi melhor? Kobe ou Jordan?

A dúvida é de quem não entende nada. Quem sabe não vai ter dúvida… O Kobe, por exemplo, arremessa melhor do que o Jordan, mas o Jordan é melhor em outros aspectos. É muito difícil comparar duas lendas deste tamanho.

Qual o peso da ausência de Kobe na Olimpíada do Rio?

Uma pena mesmo. A seleção norte-americana perde muito, a começar pela foto. Já faz falta até na foto. Esportivamente falando, uma coisa é falar que vem com ele, outra é falar que não vem. Os adversários já sentem um alívio sem ele, já que na hora d, quem joga, quem decide, é ele...

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'Participar deste momento é um sonho', diz Raulzinho

Armador do Utah Jazz estará em quadra atrás de vaga nos playoffs 

Marcius Azevedo, O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2016 | 07h00

O Brasil terá dois representantes na despedida de Kobe Bryant. Além de Marcelinho Huertas, companheiro do astro no Los Angeles Lakers, Raulzinho Neto entra em quadra para tentar levar o Utah Jazz aos playoffs. Apesar de objetivos diferentes no jogo, o armador está ansioso para participar de uma partida histórica no Staples Center. 

 

Como foi enfrentar o Kobe pela primeira vez?

Meu primeiro jogo contra o Kobe Bryant foi pela seleção brasileira, se eu não me engano, antes das Olimpíadas de 2012. Foi bem diferente para mim porque eu não estava na NBA ainda, então não estava acostumado a jogar contra esses caras a cada dia. Pra mim foi uma coisa muito nova que até atrapalhou um pouco na hora do jogo. Eu ficava olhando pro banco deles. Até quando ele estava na quadra, em uma transição defensiva, eu caí marcando ele, então foi uma coisa bem diferente, mas acho que foi uma experiência ótima, que me ajudou a chegar onde eu estou, a me acostumar com esse mundo desses grandes jogadores, mas foi uma emoção muito grande e foi uma experiência muito legal.

Como será estar em quadra em um jogo histórico?

Acho que vai ser um jogo de dois times completamente diferentes em questão de objetivos. O nosso time vai estar ali, brigando pela última vaga nos playoffs e os Lakers vão estar em "comemoração" pelo último jogo do Kobe Bryant. Lógico que ele vai querer mostrar serviço, vai querer deixar uma imagem boa no último jogo, então, independentemente deles não terem mais chances de playoffs, eles estão fazendo uma temporada abaixo do esperado, mas acho que vai ser um jogo muito difícil. Pela situação, acho que o time vai querer mostrar serviço, vai querer terminar a carreira do Kobe Bryant com uma vitória, então vai ser um jogo bem competitivo. Em questão ao individual dele, vai ser um jogo importante, um jogo que vai ter visibilidade mundial, acho que o mundo inteiro do basquete vai parar para assistir esse jogo. E eu poder participar do jogo, jogando contra ele, estar dentro de quadra. Sem ter a visibilidade, sem ter o protagonismo que ele e o time dele vão ter, mas já é uma experiência e um sonho. Desde pequeno eu assisto ele a jogar, tinha pôster no meu quarto, caderno, assistia vídeos, assistia pela televisão e agora poder estar aqui, dividindo quadra com ele, jogando o último jogo da vida dele na NBA. Então acho que a experiência e uma oportunidade única que eu vou aproveitar ao máximo. Isso me deixa muito feliz e com muito orgulho, de onde eu cheguei e de poder estar jogando esse último jogo do Kobe Bryant contra ele.

O que espera do jogo?

Será bem disputado. Acho que cada time tem um objetivo final, mas, a gente lutando pelo playoff. O Kobe tentando deixar uma boa imagem no seu último jogo. O Lakers também quer terminar a carreira do Kobe com uma vitória, então vai ser um jogo bem disputado e uma experiência ótima. Poder participar desse jogo, acho que vai ser uma festa, um jogo que vai parar o mundo do basquete. Todos que acompanham basquete vão querer assistir o jogo, vão querer ver esse último jogo do Kobe Bryant, então vai ser uma oportunidade única e vai ser bem legal participar desse jogo.

Como foi participar do evento que marcou o último All-Star Game do Kobe?

Participar de um evento como o All Star Game já é uma oportunidade única e um sonho que eu realizei. Ainda mais sendo o ano que o Kobe vai se aposentar, participar do último All Star dele. No dia do jogo dele, eu estava na arquibancada assistindo, mas poder estar lá acompanhando esse final de semana foi muito bom.

Para você, qual o maior legado de Kobe?

Bom, o Kobe deixou muitas coisas para o basquete. a quantidade de jovens que se espelharam nele, acho que ele é um grande exemplo pro basquete pela competitividade dele, por ser um cara que treina, um cara que trabalha duro. Você nunca viu ele com grandes lesões até esses últimos anos. Jogador sempre tem uma dorzinha aqui e ali, muitos às vezes descansam, ou então se deixam levar pela dor e acabam não jogando um jogo ou outro. Mas ele sempre mostrou muito compromisso e ganhou títulos. Foi um cara competitivo, um líder e ele deixa pro basquete não só o exemplo não só pelo jogador que ele é, mas ele também demonstra ser uma ótima pessoa fora da quadra.

Em qual posição você coloca o Kobe entre os maiores jogadores da história?

Bom, eu não acompanhei basquete muito das antigas, mas acho que eu colocaria ele depois do Michael Jordan. Lógico que tem outros grande jogadores mais antigos como Karl Malone, John Stockton, Magic Johnson, mas como eu não acompanhei, não assisti os jogos desses jogadores, então acho que colocaria o Kobe como o segundo melhor jogado da história.

Você teve oportunidade de conversar com o Kobe em particular?

Acho que o único momento que eu troquei algumas palavras com ele, foi antes do último jogo nosso aqui em casa. Normalmente o capitão de cada time junta ali no meio com os juízes, com um fã, para tirar uma foto. E como o Gordon Hayward não estava no aquecimento, o pessoal me mandou porque eu sou novato e ninguém quer fazer isso. Então eu fui, cumprimentei o Kobe, trocamos algumas palavras bem rápido, 'como você está', 'tudo bem', 'bom jogo', só isso. Foi a única coisa que eu conversei com ele.

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Marcelinho Huertas comenta parceira com Kobe: 'Foi um privilégio'

Armador testemunhou última temporada do astro dos Lakers

Marcius Azevedo, O Estado de S. Paulo

13 de abril de 2016 | 07h00

O armador Marcelinho Huertas demorou alguns anos para realizar o sonho de atuar na NBA e, quando conseguiu, terá uma bela história para contar. Contratado pelo Los Angeles Lakers, o brasileiro foi testemunha ocular da última temporada de Kobe Bryant.

 

Como foi participar como testemunha ocular do "Farewell Tour" do Kobe?

Está sendo um privilégio acompanhar de dentro as despedidas e as homenagens calorosas que recebeu por onde passou, inclusive onde os Lakers não são bem-vindo e o Kobe sempre foi odiado, ver as pessoas se rendendo por tudo que ele fez pelo basquete e pela franquia dos Lakers. Pela admiração mesmo que muitas vezes com esse ódio de não poder contar com ele no seu time, pelo profissionalismo, pela carreira mais que brilhante e vencedora que construiu.

Como imagina que será este último jogo?

Não sei como será, só imagino que será uma festa, talvez até difícil de se preparar tendo em conta que o mais importante será a última homenagem jogando no ginásio em que conquistou títulos e fez história diante do público que tanto o apoiou e o idolatra. Esse jogo será uma caixinha de surpresas provavelmente para todos nós.

O que conseguiu aprender neste período que conviveu com ele?

Esse ano o Kobe, em muitos momentos, esteve meio "afastado", não podia ter carga de treinos e o contato que tivemos em geral foram em dias de jogos e um pouco no vestiário. É um cara que quando fala todo mundo abaixa a orelha e escuta, um estudioso do jogo que sempre pode dar um conselho para qualquer jogador e que sempre pode te acabar servindo, um líder dentro e fora da quadra, um exemplo.

Você conversavam no dia a dia? Do que falavam? Como é esse Kobe que poucos conhecem?

Como disse anteriormente, não tivemos tanta proximidade devido a sua condição física, esse ano ele não pôde participar de muitos treinos por causa das fortes dores, mas sempre que tinha a oportunidade conversava com ele sobre qualquer coisa, maioria de vezes sem ser de basquete, muitas vezes de futebol, falando em espanhol ou italiano, que ele gosta e muitas vezes puxava um papo sem ser em inglês.

Qual o legado que o Kobe deixa para o basquete?

Seu legado é invejável, é um mito do basquete, deixará um vazio grande na quadra e no coração dos torcedores, mas que sempre terão seu nome na ponta da língua e jamais será esquecido por tudo que fez pelo basquete e principalmente pelos Lakers.

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