João Pires/LNB
João Pires/LNB

Bábby desiste da aposentadoria e se destaca entre os melhores reboteiros

Pivô, que passou por Raptors e Jazz, chegou a parar. Em Mogi, diz que reencontrou o prazer de jogar

Alessandro Lucchetti, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2013 | 20h38

MOGI DAS CRUZES - Já faz algumas temporadas que Baby se tornou Bábby, atendendo à orientação da mesma numeróloga que sugeriu que Caca se transformasse em Kaká. Mas só agora o pivô que veste a camisa 66 do time de Mogi das Cruzes, número escolhido para melhorar a comunicação com o público, voltou a se destacar nas estatísticas. O pivô de 2,10m, que teve passagem por Toronto Raptors e Utah Jazz, é um dos melhores reboteiros do Novo Basquete Brasil, ao lado de Felipe, do Basquete Cearense. Bábby recupera nove bolas por partida.

O desempenho de Bábby será importante para o time de Mogi, que ocupa a 13ª posição e precisa ficar entre os 12 para avançar aos play-offs. Nesta sábado, a partir das 19h, a equipe do Alto Tietê recebe o Minas Tênis, e vai tentar se recuperar da derrota sofrida para a Liga Sorocabana, por 81 a 79, na última quinta-feira. A partida será no Ginásio Municipal Professor Hugo Ramos (Rua Professor Ismael Alves dos Santos, s/nº, em Mogi). 

Desgostoso com o panorama do basquete brasileiro, Bábby ficou parado por um ano. "Precisava de um tempo para repensar várias coisas", diz o jogador, que chegou a ficar oito meses sem receber no Flamengo, e quase foi mandado embora antes do término do seu contrato com o Paulistano, quando sua mulher estava grávida da pequena Isadora, hoje com três anos. Uma cláusula em seu contrato impediu a demissão. "Quando fui embora para os Estados Unidos, achava o basquete brasileiro muito precário. Havia feito um contrato com o Corinthians de Santa Cruz do Sul e recebi apenas um mês. Só comia arroz com feijão no restaurante por causa da falta de dinheiro. Voltei depois de dez anos e certas coisas não mudaram".

Bábby não teve bom relacionamento com o técnico João Marcelo Leite no Paulistano, na temporada 2009/10. Um episódio ficou famoso nos bastidores do basquete. Espalhou-se a versão de que o pivô e um colega de time, André Bambu, compraram um engradado de cerveja numa viagem desde Assis, e o teriam 'enxugado' até a chegada a São Paulo. "Na verdade, era uma embalagem com seis latinhas. O Bambu me ofececeu uma e eu tomei. O João Marcelo quis me punir, dizendo que era mau exemplo para o juvenil. Eu me prontifiquei a pedir desculpas. Está certo que não é bom exemplo, mas foi só uma latinha. Acho que ele exagerou".

A experiência no Paulistano, onde Bábby diz que se sentiu desrespeitado, o deixou desencantado com a modalidade. Na temporada 2011/12, Bábby jogou em Franca, onde teve média de 4,67 rebotes e de 6,83 pontos por jogo. O pivô se entendeu bem com Hélio Rubens e gostou da cidade, o local que escolheu para morar e criar a grife. Mas resolveu lá interromper sua trajetória no basquete. "Eu estava sem foco e ambição. Resolvi parar para repor minhas energias".

Depois de se dedicar exclusivamente a uma grife de moda fitness que criou, a B66, Bábby diz que sentiu saudades das quadras e voltou. "A gente gosta do que faz. Felizmente, temos um grupo bom aqui. O treinador é profissional e nos cobra profissionalmente", diz, elogiando o espanhol Francisco García. "Ele nos cobra pelo que produzimos em quadra, não pelo que fazemos fora".

Aos 31 anos, Bábby acredita que ainda tem muita lenha para queimar na quadra. "A ideia é ajudar este time a crescer, porque Mogi tem muita tradição no basquete e está recuperando o seu espaço".

A temporada 2012/13 é a primeira do Mogi no NBB. No Alto Tietê, Bábby diz que pretende criar raízes. Depois que parar definitivamente, pretende ser um treinador de pivôs, trabalhando especificamente os fundamentos dessa posição. O NBB, em sua opinião, vai por bom caminho e é uma esperança de melhora do basquete brasileiro. "No momento, acho que o que está faltando é a TV aberta transmitir jogos nossos. A Globo está mostrando alguns jogos de vôlei, e acho que o basquete poderia estar disputando esse espaço".

O Basquete Cearense, que disputa o 12º lugar com Mogi, recebe o Palmeiras, que já ousa sonhar com play-offs depois de reagir nas últimas partidas. A partida começa às 18h. A prtida que o SporTV vai exibir é Bauru/Paschoalotto x Winner/Limeira, a partir das 16h.

Outros jogos:

Liga Sorocabana x Joinville - 18h

São José x Vila Velha - 18h

Uberlândia x Paulistano - 19h  

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