Basquete: 10 anos do título mundial

Foi em 12 de junho de 1994, há dez anos, quando o público acompanhava a Copa do Mundo dos Estados Unidos, que a seleção brasileira feminina de basquete entrou para a história ao vencer o Mundial da Austrália e quebrar a hegemonia de EUA e Rússia.Naquele Mundial, Hortência fez 221 pontos, Paula marcou 181 e Janeth contribuiu com outros 149. Foi ali também que o trio de cestinhas ganhou poder com a chegada de pivôs altas e fortes. Química que deu o título ao Brasil e abriu caminho para medalhas olímpicas em Atlanta/1996 (prata) e Sydney/2000 (bronze) - a última já sem Paula e Hortência.Hortência, aos 45 anos, em recuperação de cirurgia de vesícula, disse que o título mundial de 94 foi surpreendente. Ninguém esperava que o Brasil quebrasse a série de vitórias de americanas e russas. ?Tinha 35 anos e consegui um título aos 44 do segundo tempo. Foi inacreditável, adorável encerrar a carreira assim.? A principal recordação dela é a semifinal. ?Parecia impossível vencer os Estados Unidos...?, lembrou. Por isso, Hortência acha que o título aumentou o respeito ?do mundo pela camisa do Brasil?.Para Paula, 42 anos, o título teve sabor ?de dever cumprido?. O Brasil passou a ter ?consciência de que o basquete feminino podia almejar resultados?. A lembrança do torneio é o jogo contra a Espanha, em que ?a seleção esteve atrás o tempo todo e ganhou de virada. Poderia ter perdido a chance do título?. E contra a China. ?Jogamos na Chinatown deles, mas a China não esperava nossa evolução no torneio.? Mas, embora importante, Paula acha que o título não teve a visibilidade da prata olímpica, conquistada dois anos depois.Para Janeth, 35 anos ? se apresenta à seleção que vai para Atenas nesta segunda-feira ?, o título deu ao Brasil respeito no basquete mundial. Ela recorda os dois últimos jogos. ?As chinesas nos venceram na fase classificatória e achavam que demos sorte na semifinal contra os Estados Unidos. O Brasil foi muito determinado.?A pivô Alessandra, 30 anos e 1,98 m, chegou à seleção em 93. ?Foi meu primeiro Mundial, primeiro ano como titular, jogando ao lado de Paula e Hortência. ?Que time era aquele!?, comemora.A armadora Helen, 32 anos e 1,75 m, afirma que o Mundial coincidiu com a Copa dos EUA e o time embarcou desacreditado. ?Ninguém achava que pudéssemos ganhar?, disse. Ela recorda momentos dramáticos da campanha. ?Perdíamos feio da Espanha e viramos. Pegamos os Estados Unidos na semifinal e o Mundial poderia acabar ali. Vencemos. Tínhamos perdido da China e fomos à final contra ela. Vencemos.? A ala-pivô Leila, 29 anos e 1,87 m, ?lembra de tudo? em seu primeiro Mundial, da longa viagem à Austrália, do hotel e do ginásio. ?Era lindo! O placar, o vestiário, fomos bem recebidas. Me sentia uma pop star.? Na quadra, ficou marcada a final. Encontrou a pivô Zeng Haixia, mais forte e alta do que ela, no elevador do hotel, antes do jogo. ?Olhei para cima e vi como era grande. Peguei na mão da Alessandra e disse: ?Alê do céu?. Marquei a Haixia, e bem?, contou Leila.

Agencia Estado,

12 de junho de 2004 | 10h04

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