Basquete brasileiro inicia nova era com estreia da NBB

Depois de anos de discordâncias e rompimentos, os clubes e a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) mostram ao público, a partir desta quarta-feira, o resultado da anunciada trégua entre ambas as partes. Sete jogos inauguram o Novo Basquete Brasil (NBB), o rebatizado Campeonato Nacional Masculino de Basquete, pela primeira vez administrado por uma liga independente com a chancela da entidade máxima da modalidade.A inédita atuação dos clubes na gerência de um torneio nacional, através da recém-criada Liga Nacional de Basquete (LNB), promete ser atrativo à parte, ao menos no que diz respeito aos bastidores do esporte. Enquanto isso, a CBB será responsável apenas pela arbitragem, pelo registro de jogadores e pelo fornecimento do material esportivo. No campo de jogo, três jogadores recentemente repatriados podem fazer a diferença: o ala/armador Alex Garcia e os pivôs Murilo e Rafael Baby Araújo, destaques respectivamente de Universo/BRB/Financeira Brasília, Pitágoras/Minas e Flamengo/Petrobrás - este último é o atual campeão brasileiro. Todos ansiosos em testemunhar o prometido renascimento do basquete nacional."É muito gostoso acompanhar essa mudança de perto e pensar no que pode acontecer", diz Alex Garcia, campeão pelo time do Distrito Federal no torneio de 2006/2007 e com passagens pela NBA. "Estou feliz em ter voltado", conta o jogador, que tem contrato com o Maccabi Tel Aviv, de Israel, até 2011, mas preferiu voltar ao Brasil por causa da família. "Espero que esse seja um ano importante para o basquete."Murilo também espera que o NBB possa marcar, de fato, uma mudança de rumos na modalidade. O pivô gaúcho jogava por Franca, em 2006, quando o Nacional daquele ano não terminou por problemas judiciais - nenhum time foi declarado campeão. ?Meu último campeonato não teve final. Fica uma frustração?, lembra o jogador, que deixou o País para atuar na Bulgária e, depois, no mesmo time de Alex Garcia em Israel. ?Acho que agora vamos participar de um reinício, de uma melhora no basquete.?O Campeonato Nacional de 2005/2006 tornou-se um marco na cisão que tomou conta do basquete brasileiro nas últimas temporadas. Uma guerra de liminares impediu que a disputa acabasse. Além disso, a competição oficial, da CBB, teve um concorrente: o torneio da Nossa Liga, organizado pelo ex-jogador Oscar Schmidt e vencido pelo Winner/Limeira, atual campeão paulista. No ano passado, houve mais confusão. Oito clubes paulistas decidiram não participar do campeonato da CBB e formaram outra liga - a Associação de Clubes de Basquete -, para organizar a disputa da Supercopa. Assim, diante de tantos problemas, veio a trégua, possibilitando a criação da NBB.Agora, no retorno à normalidade, o Nacional da retomada terá uma fórmula simples, com 15 equipes jogando em turno (até 20 de março)e returno (até 13 de maio). Os oito melhores seguem para os playoffs, que começam no dia 17 de maio. E a última data da decisão está marcada para 16 de junho."Tenho certeza de que será um torneio forte, ainda mais com a presença dos paulistas. Pelo menos oito times têm condições de vencer?, aposta Alex Garcia, que também comemora a realização de um "Jogo das Estrelas", antes do início dos playoffs, ao estilo do que acontece na NBA, a liga norte-americana de basquete. ?Isso anima a torcida.? Ainda assim, o novo basquete brasileiro convive com seus velhos problemas estruturais. Que o diga o pivô Rafael Baby Araújo, também com passagem pela NBA, que estreou no Flamengo há menos de duas semanas e já enfrentou uma ameaça de greve. O clube carioca, enfrentando uma série crise econômica, sequer pagou o prêmio da conquista do título brasileiro de 2008. Os jogadores chegaram a dizer que não entrariam em quadra hoje, mas voltaram atrás, acreditando na promessa flamenguista de que os débitos seriam quitados.

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