Basquete: o incrível homem que encolheu

Emil Rached foi o mais alto jogador do basquete brasileiro. Era ?gigante? com 2,23 metros. Começou no Palmeiras e jogou entre 1964 e 1980. Com a seleção brasileira ganhou duas medalhas: bronze no Mundial do Uruguai/67, e ouro no Pan de Cali/71. Aos 60 anos, vivendo em Campinas, o professor de Educação Física trabalha como representante de vendas. Acha que ?encolheu?, como brinca, para 2,16 m ? e nem é mais ?tão gigante? assim, no basquete de hoje, que segue acompanhando.Considera o técnico Hélio Rubens Garcia ousado, responsável pela renovação iniciada na seleção brasileira agora sob o comando de Aloísio Ferreira, o Lula. Disse que assistiu pela tevê à disputa do Pré-Olímpico de Porto Rico e ficou ?magoado? com a não-classificação aos Jogos Olímpicos de Atenas/2004. Mas acha que o time ?da molecada? tem qualidade e ainda poderá obter bons resultados para o Brasil, se o trabalho prosseguir.Emil elogia os jovens pivôs Anderson Varejão, do Barcelona, e principalmente Tiago Splitter, do espanhol Bilbao, a quem faz referências especiais ? como ele, é um pivô alto e magro. ?É extremamente ágil, apesar da estatura.?Emil tinha 2,23 m. Rolando, da geração de Oscar, media 2,14 m. Tiago, de 19 anos e 2,11 m, é o pivô mais alto da Seleção hoje.Descoberto para o basquete por Renato Righetto, que era árbitro, Emil Rached nasceu em Vera Cruz, mas morava em Campinas. Foi jogar no Palmeiras. ?Por ser diferente dos outros meninos da minha idade, me sentia um patinho feio. No basquete, virei um cisne. E, no meio dos cisnes, fiquei bonito.?No basquete, Emil percebeu que a altura era útil. Algumas das principais lembranças de seu tempo de jogador estão relacionadas à altura e à seleção brasileira. Como nos Jogos Pan-Americanos de Cali, em que o Brasil ganhou de Cuba por um ponto (63 a 62), ajudado pelo gigante Emil. Ortega, o técnico cubano, protestou por ter ouvido dos brasileiros que Emil era lento. ?Como se pode chamar um jogador desses de lento? Como, se marca 15 pontos em uma partida e recebe 14 faltas, forçando a saída de três jogadores, como aconteceu contra a minha equipe??Emil se recorda do jogo e do papel de ?boi de piranha? ? atraía os marcadores e os companheiros arremessavam livres. Também tem lembranças do pódio da Colômbia, ?com a medalha no peito, a bandeira hasteada, o hino tocando... ?

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.