Basquete se esqueceu de Algodão

Os títulos de bicampeão do mundo, uma medalha olímpica e o decacampeonato pelo Flamengo, conquistados pelo ex-jogador de basquete Algodão não foram suficientes para sensibilizar esportistas brasileiros. Algodão - cujo nome era Zenir de Azevedo - foi enterrado no final da tarde deste sábado, em Campo Grande, Rio de Janeiro, onde morava, sem a presença de qualquer autoridade ou dirigente do basquete nacional. O único atleta ou representante do esporte na solenidade foi o ala do Botafogo e amigo dos filhos e netos de Algodão, Alexey, que ficou revoltado com o que viu. Emocionado, Alexey, que mais tarde esteve no Ginásio do Tijuca acompanhando a derrota do Botafogo para o Flamengo, ex-clube de Algodão, afirmou que não entendeu a ausência de um dirigente do Flamengo ou da Confederação Brasileira de Basquete no sepultamento. "Não havia uma bandeira ou autoridade da CBB ou do governo do estado. Só um secretário do prefeito esteve presente e do Flamengo mandaram um funcionário que recolheu a bandeira antes do sepultamento quando começou a chover. Deve ter ido para o Maracanã ver o jogo de futebol. Onde estão os que amam o esporte e deviam ter um mínimo de memória? O Algodão foi um dos maiores. A bandeira normalmente é entregue a viúva e nem isto aconteceu", disse, revoltado. Alexey deixou claro que sua revolta foi compartilhada pelos ex-jogadores e amigos que estavam no enterro. O ex-companheiro de Algodão no Flamengo, Carlos Augusto, o Gutinha, discursou emocionado, reclamando a falta de reconhecimento de dirigentes de clubes e federações. " O Oscar deve tomar cuidado. Ele é um monstro sagrado hoje, mas vai ser esquecido, como foi o Algodão. O que adianta fazer tanto e no final não ser reconhecido?", concluiu Alexey. Algodão, de 76 anos, morreu na madrugada de sábado após sofrer falência múltipla dos órgãos. Ele tinha insuficiência renal e estava internado desde a última quinta-feira no Hospital da Beneficência Portuguesa, na Glória, zona sul do Rio de Janeiro.

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