CBB
CBB

Bicampeonato mundial da seleção brasileira de basquete completa 55 anos

Time conquista maior resultado de sua história jogando em casa, no Rio, contra as principais potências da modalidade

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2018 | 07h03

O maior resultado da história do basquete brasileiro completa 55 anos nesta sexta-feira. O bicampeonato mundial de uma geração super talentosa ainda repercute e contrasta com o momento que vive a modalidade atualmente, com poucas vitórias internacionais expressivas e falta de recursos na Confederação Brasileira de Basquete (CBB). “Foi o resultado mais significativo para mim”, lembra Luiz Cláudio Menon, caçula daquela equipe e que permaneceu na seleção por muitos anos.

+ Luan Oliveira supera obstáculos e vira aposta do skate para 2020

Aos 74 anos, ele festeja o fato de ter participado daquela equipe que tinha estrelas como Wlamir Marques e Amaury Passos. “Eu era o mais novo da equipe e fui lá mais para aprender do que qualquer outra coisa. Era tudo um deslumbre. Aprendi muito com Amaury, que na minha visão foi o melhor jogador de basquete que o Brasil já teve, e pude observar jogadores de outros países, como Estados Unidos, União Soviética, França e Iugoslávia”, diz.

O Brasil entrou no torneio por ter sido campeão mundial na edição anterior, em 1959, no Chile. Outro dado relevante é que a competição seria realizada nas Filipinas, mas o país se recusou a dar visto de entrada para as delegações dos países socialistas. Com isso, o Brasil assumiu a missão e recebeu o evento. Por ser campeã e sede, a seleção estreou apenas na fase final, disputada no Rio de Janeiro, no Maracanãzinho.

O primeiro confronto foi contra Porto Rico e vitória por 62 a 55. Naquela rodada inicial da fase final, que tinha sete seleções, a Iugoslávia venceu os Estados Unidos por 75 a 73 e mostrou que iria brigar pelo título. Na rodada seguinte, o Brasil passou pela Itália por 81 a 62. A vitória da União Soviética sobre os EUA por 75 a 74 tirou os americanos da briga pelo ouro.

Em sua terceira partida, o Brasil encarou a Iugoslávia e ganhou de 90 a 71. “Joguei muito pouco no torneio, mas entrei no final daquela partida e fiz dois pontos. Lembro perfeitamente como eles foram. Eu recebi a bola, fintei um adversário, estava do lado esquerdo da tabela, subi para arremessar, o marcador, que era mais alto, saltou junto para tentar dar o toco. Eu troquei a bola da mão direita para a esquerda e arremessei de canhota. Para mim foi o máximo”, conta Menon.

Depois, o Brasil ganhou da França (77 a 63), União Soviética (90 a 79) e na rodada final superou os Estados Unidos por 85 a 81, conquistando o bicampeonato mundial. “Foi minha segunda participação em torneios oficiais com a seleção. Participei dos Jogos Pan-Americanos, em São Paulo, e fui para o Rio me juntar ao grupo. Nós temos um troféu que é alusivo ao título mundial, a CBB deu um para cada atleta”, afirma.

Naquele período, o basquete brasileiro dividia as principais manchetes esportivas com o futebol. O Brasil tinha conquistado as Copas de 1958 e 62. No basquete, os mundiais foram vencidos em 1959 e 63. “Não havia empenho para se igualar ao futebol, que já era o grande esporte das massas. O basquete brasileiro era amador naquela época, e a gente ganhava torneios e campeonatos”, explica.

O jovem Menon depois teve uma trajetória de protagonismo com a seleção. Mais experiente, disputou os Campeonatos Mundiais de 1967, no Uruguai, e de 1970, na Iugoslávia, ganhando a medalha de bronze e de prata, respectivamente. “Dos três que participei, fui ao pódio nas três vezes. Naquela ocasião, em 1963, não tinha ideia de que participaria de outros dois Mundiais e seria o cestinha do Brasil em ambos, sendo que no Uruguai fui eleito para a seleção do torneio.”

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.