Brasil bate República Dominicana e volta à Olimpíada depois de 16 anos

Em grande partida de Marcelinho Machado e Huertas, seleção vence disputa por vaga por 83 a 76

Agência Estado

10 de setembro de 2011 | 20h46

 

MAR DEL PLATA - O dia 10 de setembro de 2011 entrará para a história como o dia em que o basquete masculino brasileiro renasceu. Nesta noite, em Mar del Plata, na Argentina, o Brasil venceu a República Dominicana por 83 a 76, nas semifinais do Pré-Olímpico das Américas, e se classificou para disputar uma Olimpíada após 16 anos de ausência. Desde a geração de Oscar Schmidt a seleção brasileira não conquistava uma vaga. O resultado carimbou o passaporte do Brasil para Londres/2012.

O grande nome da classificação brasileira foi o ala Marcelinho Machado. Se seus arremessos precipitados muitas vezes prejudicaram o Brasil, desta vez a mão calibrada do flamenguista foi decisiva. Foram 20 pontos do cestinha na partida, que acertou cinco das suas oito tentativas da linha dos três pontos. Esta foi a quinta vez que Machado tentou levar o Brasil a uma Olimpíada. Finalmente conseguiu, e como herói. Assim como ele, praticamente todos os brasileiros desabaram no choro ao término do jogo.

Único jogador da NBA a defender o Brasil no Pré-Olímpico, o pivô Tiago Splitter ficou apenas onze minutos em quadra. Fez três pontos e levou três tocos. O ala Guilherme Giovannoni, responsável pela marcação de Al Horford, mais uma vez decepcionou, repetindo o seu desempenho na derrota para os dominicanos na primeira fase. Também só fez três pontos. Herói da vitória sobre a argentina e novo xodó do basquete brasileiro, Rafael Hettsheimer teve 14 pontos e oito rebotes em 21 minutos de quadra.

Marcelinho Huertas, principal jogador do basquete brasileiro, também esteve bem neste sábado. Teve quatro erros, mas fez 19 pontos e deu sete assistências. Os dois pivôs da República Dominicana, Al Horford e Jack Martinez, foram responsáveis por 18 pontos cada um. Este último pegou 15 rebotes.

Neste domingo, o Brasil volta à quadra para a grande final do Pré-Olímpico. A seleção aguarda o vencedor de Argentina e Porto Rico para decidir o último finalista e o segundo classificado para Londres-2012. Se ganhar nas Américas, chega com mais moral na Inglaterra.

O JOGO

Principal nome da vitória sobre Porto Rico, no jogo anterior, Tiago Splitter começou o muito nervoso neste sábado. Em pouco mais de três minutos, levou dois tocos que o desestabilizaram. Tanto que logo foi substituído por Rafael Hettsheimer. Depois de abrir quatro pontos (9 a 5), o time brasileiro permitiu a virada, recuperou a liderança do marcador, mas não conseguiu folga um só instante, terminando o primeiro quarto empatado em 17 a 17.

O Brasil tinha muitos problemas embaixo do garrafão, dominado por Al Horford e Martinez. Quando Splitter voltou à quadra no lugar do apagado Guilherme Giovannoni, ele não precisou de mais de um minuto para fazer duas faltas, chegar a três pessoais e ter de ser novamente substituído.

Mal, o Brasil abria dois pontos de vantagem, a República Dominicana logo respondia. A maior folga em todo o segundo quarto foi exatamente nos últimos segundos, quando Marcelinho Machado, com a mão calibrada, acertou arremesso de três e deixou a seleção com 39 a 36 na saída para o intervalo.

No terceiro quarto, o Brasil ampliou sua vantagem, mas também foi carregando seus pivôs com faltas sobre Martinez e Al Horford. Splitter mais uma vez mal entrou em quadra e logo teve de ser substituído - deu tempo só de fazer três pontos e tomar seu terceiro toco. A maior vantagem no placar mais uma vez veio no estouro do cronômetro, em 62 a 55.

Com menos de um minuto de jogo no último quarto, o Brasil já tinha seus quatro melhor jogadores altos pendurados com quatro faltas: Giovannoni, Splitter, Marquinhos e Hettsheimer. Isso obrigou Magnano a optar por uma formação mais leve, com Machado, Huertas, Alex e Marquinhos. Caio passou a ser o pivô do Brasil. Com esta formação, o time ampliou para dez pontos a vantagem, em 72 a 62.

Mesmo perdendo Giovannoni e Hettsheimer com cinco faltas, o Brasil conseguiu manter a vantagem, principalmente graças ao ótimo último quarto de Huertas. E ganhou o jogo: 83 a 76. Festa em Mar del Plata. 

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