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BRASIL BUSCA RESGATAR ORGULHO DO BASQUETE NO MUNDIAL DE 2014

Classificada para a competição por causa de convite da organização, seleção brasileira tem chance de coroar a atual geração, que conta com veteranos

Marcius Azevedo, O Estado de S. Paulo

29 de agosto de 2014 | 20h00

A 2,2s  para o fim da partida diante da Itália, Marcel acerta um arremesso quase do meio da quadra e dá ao Brasil o bronze no Mundial de basquete de 1978, nas Filipinas. Após mais de 35 anos daquela cesta inesquecível, a seleção brasileira ainda busca resgatar o passado vitorioso que rendeu ainda duas medalhas de ouro (1959 e 1963) e uma prata (1954) em mundiais.

Com uma geração talentosa e o técnico campeão olímpico em 2004, o argentino Rubén Magnano no banco, o Brasil estreia neste sábado, às 13 horas (horário de Brasília), diante da França, campeã europeia, em Granada, na Espanha.

As feridas pela recente polêmica da ausência das principais estrelas na Copa América foram estancadas momentaneamente. A presença no Mundial foi garantida por convite da Fiba, mediante o pagamento de uma doação de R$ 2,7 milhões, e Magnano viajou aos Estados Unidos para se entender com Anderson Varejão, Nenê, Tiago Splitter e Leandrinho, jogadores que ficaram fora da vexatória campanha do torneio disputado na Venezuela.

O diálogo aberto e sincero entre o treinador e os jogadores que haviam sido duramente e publicamente criticados por Magnano foi responsável por aparar arestas e, com isso, o Brasil ter força máxima no Mundial.

Agora o grupo da seleção confia em um desempenho capaz de sepultar o episódio, ocorrido no ano passado, recolocando o país em uma posição importante no cenário mundial do basquete. A participação nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, quando contou com o time completo, serve de parâmetro para uma projeção positiva. O Brasil não subiu ao pódio, mas alcançou o quinto lugar.

"Um fator muito importante que fico pensando sempre é que pela segunda vez vamos ter nossa equipe completa em uma grande competição. Quando estivemos todos juntos conseguimos bons resultados, como o quinto lugar na Olimpíada de Londres. Por isso, aqui na Espanha, existe uma grande possibilidade de medalha", afirmou Anderson Varejão, pivô que defende o Cleveland Cavaliers, da NBA.

"Quando olho para o nosso time, eu vejo que existe uma grande vontade de alcançarmos um bom resultado. É a nossa oportunidade de conquistar algo mais importante", completou.

A última vez em que o Brasil chegou próximo do pódio foi no Mundial de 1986, coincidentemente disputado na Espanha, local da competição que vai até o dia 14 de setembro, data da decisão em Madrid. A seleção terminou na quarta colocação ao perder para a Iugoslávia por 117 a 91, na decisão do bronze.

Além da França, na estreia, a seleção brasileira, que está no Grupo A, enfrenta Irã, Espanha, Sérvia e Egito na primeira fase.

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Experiência não falta ao grupo que Magnano decidiu levar ao torneio. O Brasil dispõe do elenco mais experiente entre os 24 participantes, com média de idade de 31 anos. Apenas três jogadores têm menos de 30 anos: Tiago Splitter (29), Rafael Hettsheimeir (28) e Raulzinho (22). O mais velho é Marcelinho Machado, com 39.  

Favoritos, os Estados Unidos, que terá ausências importantes, como LeBron James e outros astros da NBA que decidiram não disputar o Mundial, tem o grupo mais jovem, com média de 24 anos. A anfitriã Espanha, outra que é apontada como possível medalhista de ouro, soma 28 anos de média.

"É um grupo experiente e que sabe o que quer. Sabemos das nossas condições. Estamos trabalhando muito duro e com muita vontade de ganhar", comentou o pivô Nenê, outro que atua na NBA, no Washington Wizards.

Apesar da experiência, o Brasil terá de corrigir antigos problemas em quadra para voltar ao pódio em um Mundial. Os amistosos de preparação expuseram situações preocupantes. A equipe continua com um baixo aproveitamento nos lances livres, os alas estão participando pouco da rotação ofensiva e o rendimento do armador Marcelinho Huertas está distante do que ele pode produzir.

Além disso, os momentos de desconexão com o jogo, os populares apagões, podem comprometer o desempenho na competição. Em um torneio tão equilibrado, o Brasil não pode se dar ao luxo de perder partidas que vão definir os passos seguintes, principalmente os cruzamentos na fase eliminatória.

A situação ficou evidenciada na derrota para a Lituânia após abrir uma vantagem de 17 pontos no primeiro tempo, e na vitória diante da Eslovênia apenas na prorrogação, depois de ver o rival virar o placar.

"Treinamos muito para chegarmos aqui na melhor condição possível. Fizemos uma ótima preparação, contra adversários fortes e conseguimos levar todos os jogos em condições de vencer. Seria melhor se tivéssemos ganho da Argentina, em Buenos Aires, dos Estados Unidos e da Lituânia. Mas foram jogos de preparação e conseguimos tirar muita coisa para o Mundial", comentou Marcelinho Huertas.

Apesar da ausência de jogadores importantes, como Tony Parker, Joakim Noah e Nando de Colo, os franceses têm uma equipe forte, com jogadores capazes de provocar estragos, como Nicolas Batum e Evan Fournier nos arremessos de fora e Boris Diaw, no trabalho dentro do garrafão.

A seleção está consciente da dificuldade, principalmente por se tratar de uma estreia, e da importância de iniciar com o pé direito. "É um grande adversário e será muito difícil ganhar deles. Nós sabemos da importância que é esse primeiro jogo e queremos muito uma vitória. Nossa preparação foi muito boa para chegarmos aqui e jogar de igual para igual com qualquer um", afirmou o ala/armador Leandrinho.

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Brasil é o time mais velho entre os 24 que disputam o Mundial

Equipe possui média de idade de 31 anos e nove atletas que já chegaram nos 30; seleção norte-americana é sete anos mais jovem

Felippe Scozzafave, O Estado de S. Paulo

29 de agosto de 2014 | 20h00

Se tem uma coisa que a seleção brasileira de basquete não pode reclamar no Mundial da Espanha é de experiência. A equipe do técnico Rubén Magnano tem média de idade de mais de 31 anos, sendo o time mais velho entre os 24 participantes do torneio que se inicia neste sábado.

Contando com jogadores como Marcelinho Machado, de 39 anos, além de Alex e Guilherme Giovannoni, com 34 cada um, o Brasil tem nada menos do que nove dos 12 convocados pelo treinador argentino para o Mundial com pelo menos 30 anos. As exceções são o pivô Tiago Splitter, campeão da última temporada da NBA com o San Antonio Spurs, que está com 29, o ala de força Rafael Hettsheimer, que tem um ano a menos e o armador Raulzinho, caçula da seleção com 22 anos e única aposta para o futuro do basquete no país.

A idade avançada dos atletas, apesar de poder ajudar pelo fato de todos eles já terem alguma história no esporte e, por causa disso, não sentirem o peso de uma competição importante, vai totalmente contra à estratégia utilizada pelos Estados Unidos, grandes favoritos ao títulos. A seleção, treinada por Mike Krzyzewski, que comanda também a Universidade de Duke, constantemente passa por renovação e, para o Mundial, vai com um time com média de idade de 24 anos, a menor da competição. O mais velho dos jogadores norte-americanos é o ala Rudy Gay, do Sacramento Kings, convocado para substituir o lesionado Paul George. Gay é, ao lado dos armadores Derrick Rose e Stephen Curry, os únicos remanescentes do Mundial da Turquia, quando os EUA foram campeões.

Porém, a experiência não é exclusividade do Brasil e equipes como Porto Rico, Argentina, Lituânia e Turquia, além da anfitriã Espanha, possuem média de idade próximas dos 30 anos. Os espanhóis, aliás, possuem três jogadores importantes com 34 anos, os pivôs Pau Gasol e Felipe Reyes e o ala/armador Juan Carlos Navarro.

MÉDIAS DE IDADE 
1- Brasil - 31 anos
2- Filipinas - 30 anos
3- Porto Rico - 29 anos
4- República Dominicana - 29 anos
5- Coreia do Sul - 29 anos
6- Finlândia - 29 anos
7- Angola - 28 anos
8- Argentina - 28 anos
9- Espanha - 28 anos
10- Lituânia - 28 anos
11- Senegal - 28 anos
12- Turquia - 28 anos
13- Grécia - 27 anos
14- México - 27 anos
15- Nova Zelândia - 27 anos
16- Austrália - 26 anos
17- Croácia - 26 anos
18- Egito - 26 anos
19- França - 26 anos
20- Irã - 26 anos
21- Sérvia - 26 anos
22- Eslovênia - 26 anos
23- Ucrânia - 25 anos
24- Estados Unidos - 24 anos

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