Jorge Bevilacqua/CBB
Jorge Bevilacqua/CBB

Campeãs mundiais de basquete em 1994 se emocionam ao lembrar da conquista

Geração de Hortência, Paula e Janeth se reuniu em São Roque para celebrar os 25 anos do histórico título

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2019 | 20h47

As responsáveis por escreverem um dos capítulos mais importantes da história do basquete e também do esporte brasileiro se reuniram nesta quarta-feira, em São Roque, para um encontro especial. A geração de Hortência, Paula e Janeth comemorou os 25 anos do título do Campeonato Mundial, conquistado no dia 12 de junho de 1994, na Austrália.

Das 12 jogadoras que estiveram no grupo que superou a China por 96 a 87, naquela decisão, nove foram ao Hotel Alpino, escolhido por ter sido o local de preparação da seleção antes de embarcar para se posicionar no mapa do basquete feminino mundial. Até então, apenas Estados Unidos e União Soviética haviam sido campeões.

Hortência, Paula, Janeth, Alessandra, Helen, Simone, Roseli, Ruth, Dalila, além do técnico Miguel Ângelo da Luz e os integrantes da comissão, relembraram momentos marcantes da conquista em um bate-papo carregado de emoção. Apenas Cíntia Tuiú, que mora na Itália, Adriana Santos, que embarcou para o Chile nesta quarta-feira com o grupo da seleção sub-16 para a Copa América, e Leila Sobral não participaram da celebração.

“É legal relembrar, passar uma mensagem para outras gerações. Fomos buscar o que era impossível”, comentou Paula, mentora do encontro. “Eu até brinquei que fico feliz em poder relembrar esse momento, mas triste por perceber que está passando rápido, porque estamos ficando velhas.”

Paula define o título mundial como sua maior conquista. “Mesmo tendo uma medalha olímpica (prata em 1996, em Atlanta), aquele foi o grande feito da minha geração”, comentou. “Ser campeã do mundo é o sonho de qualquer atleta. Chegamos como zebra naquele Mundial e conseguimos desbancar grandes potências. Nós merecíamos. Só quem conviveu conosco sabe o quanto nos preparamos, o quanto queríamos.”

Eleita melhor jogadora do Mundial, Hortência, que terminou como cestinha da competição com média de 27,6 pontos por jogo, destaca o feito daquela geração. “Foi muito bom, depois de 25 anos, poder rever as meninas e no hotel que treinamos para o Mundial. Acho uma data importantíssima, já que foi nessa competição que marcamos uma geração toda. Temos sempre de celebrar esses bons momentos e aproveitar para trocarmos ideia e relembrar as histórias que muitas vezes acabamos esquecendo.”

Para a ex-pivô Alessandra, que estava começando sua trajetória na seleção em 1994, até hoje é difícil acreditar na façanha daquela equipe. Antes de superar a China na decisão, o Brasil eliminou os Estados Unidos, então favoritos, na semifinal com uma vitória por 110 a 107. “Até hoje vejo imagens e não acredito que fui campeã mundial. A dedicação foi enorme daquele grupo para ter esta conquista inédita.”

Miguel Ângelo da Luz se emocionou ao tocar o troféu de campeão mundial depois de tanto tempo. “É emocionante tocar novamente nesta taça. A nossa equipe foi desacreditada para o Mundial, mas, com o trabalho da comissão técnica e das atletas, o final não poderia ser outro. Quebramos um paradigma. Apenas duas seleções haviam sido campeãs”, relembra.

A Confederação Brasileira de Basquete foi representada pelo secretário-geral Carlos Fontenelle, que destacou a importância daquela geração. “É muito emocionante lembrar daquela conquista e rever essas jogadoras, que são ídolos nacionais.”

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