CBB/Divulgação
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Carlos Nunes nega uso indevido de dinheiro público na CBB

Presidente diz que não fez nada de errado com dinheiro do patrocínio da Eletrobras, mas oposição se articula por mudanças

MARCIUS AZEVEDO E PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2015 | 06h30

O presidente da Confederação Brasileira de Basketball (CBB), Carlos Nunes, rompeu o silêncio e, em entrevista ao Estado, se defendeu das acusações de que fez uso de dinheiro público por meio do patrocínio da Eletrobras para despesas pessoais, incluindo passagens para a mulher Clarice Mancuso Garbi. “Vou comprovar que estou dentro da lei”, afirma. “Não tenho o que esconder, não fiz nada errado, tudo está à disposição de quem quiser”, desafia.

Mas ele terá de lidar com a insatisfação de opositores, que já não vinham apoiando sua gestão que começou em 2009. Para Ely Toscano, presidente da Federação Goiana de Basquetebol, a situação se tornou insustentável. “É uma vergonha uma coisa dessas e espero que algo mude. Algumas federações já me ligaram, do jeito que está não pode ficar. Faz tempo que não concordamos com isso. O pessoal está indignado”, diz.

Segundo matéria publicada pelo portal UOL, na prestação de contas da CBB com a Eletrobras, R$ 2.308.235,25 são de despesas recusadas, em um total de 63 notas glosadas por “gastos sem previsão contratual”, como “passagens aéreas sem comprovação de viajantes autorizados”. Entre esses gastos estão as passagens de Clarice. No cartão corporativo de Nunes aparecem gastos com restaurantes e compras na Europa. Entre os roteiros internacionais estão Madri, Cancún e Paris.

O dirigente confirma que foram enviadas notas que tiveram o pagamento recusado pela Eletrobras na prestação de conta e, assim que isso ocorreu, ele arcou com os valores. “Foram viagens a trabalho. A ida para Cancún, por exemplo, era Copa América. Coincidentemente era o aniversário da minha esposa”, comenta.

A Eletrobras questiona os gastos de Nunes no comando da CBB que não estão previstos em contrato, e exige que o dinheiro volte para os cofres públicos. Recentemente, o basquete brasileiro quase ficou sem a vaga olímpica por ser país-sede por não ter como quitar uma dívida com a Federação Internacional de Basquete (Fiba).

Segundo Toscano, além da federação goiana, dirigentes de outros estados já estavam incomodados com a gestão de Nunes, como Mato Grosso, Pará, Amapá e Maranhão. “Espero que aumente o número de federações insatisfeitas. Alguma coisa tem de mudar. Com ele na presidência a situação vai ficar insustentável”, avisa.

Ele lembra que as prestações de contas de Nunes sempre foram nebulosas. “Nunca apareceu essa coisa de viagem para França ou outros lugares. Tem duas assembleias que não aprovo as contas dele. Há muito tempo a gente já está contra essa gestão. A gente está sempre reclamando, tentamos conversar e o Carlos Nunes não quis. Tinha o balancete, mas não tinha o que era cada gasto no demonstrativo. Falava para ele que tinha de ser às claras”, conclui Toscano, citando que no balancete do início do ano as dívidas da CBB eram de R$ 13 milhões.

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