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Stephen Curry e LeBron James duelarão mais uma vez na NBA Reprodução/NBA

Cavaliers e Warriors disputam 'tira-teima' por reinado na NBA

Times se enfrentam pela terceira vez consecutiva na decisão da maior liga de basquete do planeta

Felippe Scozzafave e Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2017 | 07h00

Desde que a temporada da NBA começou, no dia 25 de outubro, todo mundo já esperava uma final entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors. Os 82 jogos do ano regular se passaram, as três primeiras fases de playoffs foram para lá de monótonas, até que finalmente chegamos ao momento em que todos esperavam: os últimos dois campeões espantaram qualquer tipo de zebra e farão um tira-teima de quem é melhor e decidirão a maior liga de basquete do planeta pela terceira vez seguida, algo inédito em todos os tempos.

O domínio dos dois times nos últimos três anos é notório. A NBA, conhecida por ser uma liga equilibrada e que se orgulha de evitar

grandes dinastias e que um time seja muito forte que o outro, vive um momento atípico. Em 2015, todo mundo apostava no "supertrio" dos Cavaliers, que, além de garantirem o retorno do astro LeBron James, contrataram Kevin Love para atuar ao lado de Kyrie Irving. Tudo corria bem, até que dois dos grandes astros se machucaram na reta final e LeBron, apesar de atuações assombrosas, não conseguiu evitar o jogo envolvente e o título dos jovens Stephen Curry, Klay Thompson e Draymond Green.

No ano seguinte, a história foi outra. Já campeões, os Warriors dominaram a temporada regular, conquistando a melhor campanha da história, com incríveis 73 vitórias, superando até mesmo o Chicago Bulls de Michael Jordan e companhia. Depois disso, muita gente acreditava que ninguém poderia evitar o bicampeonato. Tudo isso ficou mais evidente depois de abrir 3 a 1 na série final. Desta vez, porém, os Cavaliers estavam saudáveis e, com três vitórias em sequência, conquistaram seu primeiro título na história.

A resposta do time californiano para reconquistar o status de melhor time não poderia ser mais letal: adicionar Kevin Durant, um dos maiores cestinhas dos últimos anos, para se juntar ao já fortíssimo time. O resultado foi imediato e logo no primeiro ano do ex-jogador do Oklahoma City Thunder no time, pela primeira vez na história uma equipe da NBA venceu 12 jogos em sequência nos playoffs, chegando à final sem perder sequer uma partida.

Favoritos? Sim, mas no ano passado também eram e dessa vez enfrentarão um LeBron James menos pressionado, sem o peso de dar o primeiro título para sua terra natal. Para ele, apesar das circunstâncias, seu time possui "grandes chances" de vencer. E quem se atreve a duvidar do maior cestinha da história dos playoffs? "Eu joguei contra quatro jogadores de Hall da Fama do San Antonio Spurs também em Manu (Ginobili), Kawhi, Tony Parker e Tim Duncan juntos. Se você acrescentar o Popovich nesse time, são cinco de Hall da Fama. Assim como o Boston Celtics com Ray (Allen), KG (Kevin Garnett), Paul (Pierce), (Rajon) Rondo e Doc (Rivers). Então vai ser algo muito desafiador. Vão me desafiar e ao nosso time. É uma equipe muito poderosa", disse o astro, lembrando as duas finais que fez contra o time texano quando ainda defendia o Miami Heat.

Do outro lado, apesar de ninguém esconder que se consideram fortes o suficiente para serem tratados como favoritos, a situação não "tira o sono" de ninguém. Que o diga o capitão Draymond Green: "Não ganharemos nenhum troféu por terminar as primeiras três rodadas dos playoffs sem perder. O importante é ganhar o campeonato e estamos a quatro jogos disso. Se for 4 a 0, ótimo. Se for 4 a 3, ótimo também. Não importa como conseguirmos essas quatro vitórias, desde que alcancemos o objetivo. Esse é o nosso foco", enfatizou, mostrando uma mudança de discurso gritante do que apresentava um ano atrás, quando disse que gostaria de "aniquilar" o Cleveland.

O tira-teima entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers começa nesta quinta-feira, em Oakland e, caso vá a sete jogos, se estica até o dia 18 de junho.

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Durant repete passos de LeBron James por título e desperta ódio

Ala trocou o Oklahoma City Thunder pelo Golden State Warriors ao final da última temporada

Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2017 | 07h00

Rivais na grande decisão da NBA, que começa nesta quinta-feira, entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers, os astros Kevin Durant e LeBron James são odiados por grande parte dos torcedores por escolherem abandonar suas equipes em busca de um título.

No dia 8 de julho de 2010, LeBron James confirmou que estava deixando o Cleveland Cavaliers para "levar seus talentos" para a Flórida, onde defendeu por quatro temporadas o Miami Heat. O anúncio teve ampla cobertura da mídia e foi feito em um programa de TV, com torcedores acompanhando em tempo real como se fosse a final de campeonato. A expectativa para saber o futuro de um dos maiores jogadores da NBA era simples: estava se formando uma nova potência na liga.

O astro dos Cavaliers optou por deixar o time de sua cidade natal para atuar ao lado de Dwayne Wade e Chris Bosh, outras duas grandes estrelas da NBA, e ter chance real de ganhar um título, algo que não conseguiu nos sete primeiros anos de sua carreira.

A aposta deu certo e Lebron chegou em quatro finais enquanto defendeu o Heat, ganhando o título em duas oportunidades. Mas se o sucesso esportivo veio, o jogador criou animosidade com os demais torcedores, que acusaram-o de formar uma "panela" com seus amigos e desequilibrar a liga. Quatro anos depois, menos pressionado para ganhar o anel de campeão, LeBron voltou para "casa" e conseguiu um título para o Cleveland Cavaliers.

Nesta temporada, foi a vez de Kevin Durant passar por esse processo, criando ódio dos rivais. Grande estrela do Oklahoma City Thunder, o ala preferiu deixar seu fiel escudeiro Russell Westbrook para trás e se juntar ao Golden State Warriors, que já tinha um trio de estrelas: Draymond Green, Stephen Curry e Klay Thompson.

Acusado de criar uma "nova panela" e desequilibrar a disputa entre as equipes, Durant se defendeu. "Eu sou a razão do Orlando Magic não chegar aos playoffs por cinco ou seis anos? Sou o motivo do Brooklyn Nets ter entregue todas as suas escolhas de draft para Boston? Não posso jogar por todas as equipes e só deixei um time. É um candidato ao título a menos. Eu não posso melhorar o Leste inteiro. Não posso fazer todos no Oeste melhores", desabafou o astro, em entrevista ao site USA Today Sports.

Aos 28 anos, o MVP da temporada de 2014 e quatro vezes maior pontuador da NBA tem uma opção de renovar seu contrato automaticamente para a próxima temporada para ganhar US$27,7 milhões (R$ 90, 7 milhões), e ficar mais um ano na franquia de Oakland. "Aqui é onde eu devia estar a essa altura da minha vida. Estou encarando isso e conquistando tudo. Estou aproveitando cada passo”, declarou ao site The Undefeated. "Eu tomei uma decisão 100% correta, vencendo ou perdendo. Eu sinto que

esse é o lugar que eu devia estar. Eu aprecio tudo que fiz antes disso, mas estou aqui agora e eu sinto que é um bom lugar para mim."

O FIM DO QUARTETO?

Quem fica sem contrato para a próxima temporada será Stephen Curry. Melhor jogador da liga nos dois últimos anos, o armador tem apenas o quarto maior salário dos Warriors, ganhando pouco mais de US$ 12 milhões (R$ 39 milhões). Na próxima negociação, é provável que a franquia ofereça um contrato de cinco anos ao seu principal jogador, no valor total de US$ 210 milhões (R$ 686 milhões).

O próprio jogador já deu a entender que vai continuar no time californiano, e não deixará sua renovação de contrato virar uma novela. "Espero que não (vire uma novela), porque nos preocuparemos com isso apenas no verão (norte-americano). Minha resposta não será diferente durante o ano. Então, continuem me perguntando, não terei uma resposta diferente", disse aos jornalistas.

O problema para os Warriors é que essa proposta deve comprometer o teto salarial do time. Se conseguir manter Curry, o time não terá espaço para manter jogadores secundários do elenco, como Andre Iguodala e Shaun Livingston, fundamentais para manter o esquema de jogo da equipe.

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