Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Com o NBA Basketball School, mais crianças e jovens entram em quadra

Programa da liga cresce verticalmente em um ano de existência e já atinge 5 mil praticantes em 16 Estados no Brasil

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2019 | 19h59

O sorriso da pequena Manuela Galvão Dias, de 10 anos, tem dono. O basquete. A modalidade entrou na vida da menina neste ano após o Colégio Salesiano, onde estuda, aderir ao NBA Basketball School. O programa comemora o primeiro aniversário neste mês com números que surpreenderam até os responsáveis pelo escritório da liga americana no Brasil.

Lá no início, em setembro de 2018, foram liberadas 20 licenças, alcançando 32 unidades – o licenciado pode abrir mais do que um núcleo se for aprovado pela NBA –, e agora já são quase 70, em 35 cidades de 16 Estados. Em janeiro de 2020, o Norte entra no mapa do NBS, atingindo todas as regiões do País. 

Atualmente são mais de 5 mil crianças e jovens entre seis e 18 anos que praticam basquete por intermédio do programa. O crescimento é comemorado por Rodrigo Vicentini, Head da NBA no Brasil. “Estamos muito felizes com o tamanho que o programa está alcançando. Queremos levar o NBA Basketball School para perto dos fãs, causa um impacto positivo na vida de jovens e crianças, expandir, abraçar o país inteiro.”

Fã de Stephen Curry e torcedora do Toronto Raptors, atual campeão da NBA, Manuela faz aulas duas vezes por semana sob orientação do professor Pipoca. “Por influência do meu tio, eu já gostava de basquete. Aí teve uma aula teste no colégio, gostei e comecei. O programa é muito legal”, disse. “Gosto do Curry, não do time onde ele joga”, completou sobre o astro do Golden State Warriors.

Giovanni Terra, 11 anos, faz parte da mesma turma no Salesiano. Assim como Manuela, o basquete entrou em sua vida pela entrada da NBA no colégio. “Gosto do LeBron (James)”, disse o garoto, que também é fã do ex-jogador Marcelinho Machado. “Ele era muito bom.”

Os dois iniciaram no basquete no colégio, mas o programa da NBA tem uma ramificação diversificada. São clubes, como Flamengo, Minas Tênis, Joinville e Caldense, academias e escolinhas da modalidade, como a do ex-jogador Guilherme Filipin, em Mogi das Cruzes.

O investimento no primeiro ano para se tornar licenciado é de R$ 34 mil, entre o valor da chancela e o total das mensalidades (R$ 1,7 mil/mês). Há uma compra mínima de uniformes para utilização nas aulas prevista em contrato. As negociações são realizadas pela Think Sports, agência que cuida da implantação e supervisão do programa, se reportando ao escritório da liga americana no Brasil. 

A NBA sugere um valor de mensalidade, mas cada unidade pode praticar o preço que desejar com os alunos. Há núcleos, como os de alguns colégios, que não cobram pela política da instituição. A Think Sports trabalha na operação de comunicação do local, materiais, apoio ao negócio e atende demandas dos licenciados.

Todos os instrutores são capacitados pela NBA. A liga já fez duas vezes o Train The Trainer (Treine o Instrutor, em tradução livre), em fevereiro e julho deste ano, com mais de 100 professores de todos os núcleos. A metodologia foi desenvolvida pela liga americana e tem mais de 800 páginas, uniformizando o ensino que já existe em países como Turquia, Grécia e Índia. 

“O objetivo é agregar valores e conceitos que ajudam a moldar o caráter, a formação do ser humano, difundir princípios que fazem parte de uma metodologia criada pela NBA”, explica Rodrigo Vicentini.

Pai do armador Raulzinho, do Philadelphia 76ers, Raul Togni Filho é o responsável pelo programa na Caldense, em Poços de Caldas, clube mineiro que revelou o jogador que está na NBA desde 2015. “Com esta chancela, há um interesse maior. Toda criança que está começando no basquete tem o sonho de chegar na NBA. É para poucos, mas sonhar não custa nada. E, mesmo que não alcance, o basquete serve para educar, para transformá-los em cidadãos”, afirmou.

O próximo objetivo da NBA para massificar o basquete é ter núcleos em projetos sociais.

TRÊS PERGUNTAS PARA...

Guilherme Filipin, ex-jogador e dono de escolinha com chancela da NBA em Mogi das Cruzes

1. Qual a importância de ter a chancela da NBA em sua escolinha em Mogi?

Eu tinha o meu projeto há três anos e precisava dar um passo a mais, dar um incentivo maior para os alunos. Quando fiquei sabendo da NBA, conversei com o Arthur Borelli (da Think Sports), ele me apresentou o programa e gostei bastante pela dimensão que ele terá daqui a alguns anos. Vai fazer o basquete crescer muito aqui em Mogi.

2. Como tem sido o retorno para o negócio?

Muito positivo. Cresceu bastante o interesse pelo fato de ter uma marca muito forte por trás. Outra situação que ajudou, além da NBA, foi eu ter assumido algumas turmas, estar mais presente pelo nome que tenho em Mogi, por tudo que conquistei jogando aqui. Foi uma junção do meu nome com o da NBA, que é muito forte. É o momento perfeito para explorá-la.

​3. Qual o principal intuito do projeto? 

Queremos formar cidadãos. Temos os pilares que são o bem-estar, o desenvolvimento e a felicidade da criança. A última coisa que pensamos é no resultado de campeonatos, o retorno esportivo. Primeiro queremos formar pessoas do bem. Não vendemos o sonho de que as crianças e adolescentes vão se tornar profissionais. Vendemos que o esporte vai abrir muitas portas na vida delas, buscamos apenas o bem-estar. 

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