Kevin Jairaj-USA TODAY
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Com Hachimura, Wizards faz grande jogada na NBA para ganhar o público japonês

Franquia de Washington lançou um website e abriu uma conta no Twitter em japonês

Rick Maese, The Washington Post

25 de outubro de 2019 | 04h30

Quando o Washington Wizards decidiu draftar Rui Hachimura há nove meses, os treinadores gostaram: trata-se de um jogador com uma enorme envergadura e muito potencial. Os dirigentes da franquia e empresários ficaram empolgados com as possibilidades também, vendo a oportunidade de o primeiro jogador nascido no Japão ser selecionado no draft da NBA, um atleta que poderá ajudar o time a causar impacto na quadra e no exterior.

Com o início da temporada, a equipe já implementou um plano de jogo agressivo com o objetivo de causar sensação no mercado do Japão. Lançou um website e abriu uma conta no Twitter em japonês, além de contratar um correspondente bilíngue que comandará um podcast informando tudo sobre Hachimura e os Wizards para um público a uma distância de 11 mil quilômetros.

Embora muitas equipes esportivas profissionais nos Estados Unidos já tenham contratado superestrelas estrangeiras - como Yao Ming, da China, Ichiro Suzuki, do Japão, e o russo Alex Ovechkin -, elas não aplicaram os recursos necessários para aumentar sua presença no país de origem dos jogadores de modo a cultivar uma base de torcedores estrangeiros.

"Com certeza o entusiasmo é grande", disse Jim Van Stone, presidente de operações empresariais da Monumental Sports and Entertainment, proprietária dos Wizards. "Acho que o mercado japonês tem potencial para explodir no caso do basquete. Tradicionalmente é um mercado para o beisebol, mas achamos que, com a universalidade que o basquete propicia, o Japão é uma grande oportunidade."

A relação da NBA com entidades estrangeiras ficou no foco este mês depois que o gerente geral do Houston Rockets, Daryl Morey, manifestou seu apoio aos manifestantes em Hong Kong, o que provocou uma forte reação da China e uma série de comentários durante toda a semana de todos os lados.

A NBA tornou prioridade fazer incursões em todo o mundo e identificou o Japão como um mercado pronto para crescer. Este mês a liga programou seu primeiro jogo de pré-temporada lá e dirigentes do Wizards afirmaram que a equipe também fará um jogo amistoso no Japão no próximo ano ou em 2021.

"Hoje nossas atividades no Japão estão bem configuradas", disse Scott Levy, diretor da NBA Asia. "Acho que o jogo de basquete e a NBA estão bem posicionados para crescer no país."

Levy disse que o Japão é uma das principais nações para os assinantes de NBA League Pass e mais de 1,3 milhão de fãs japoneses acompanha os jogos da NBA pelas mídias sociais. Esta temporada eles poderão acessar todos os jogos, incluindo 15 por semana com comentários locais. A liga acredita que o esporte terá um grande impulso com a ascensão da Liga B profissional do Japão, os Jogos Olímpicos em Tóquio-2020 e, naturalmente, todo o interesse ligado ao desempenho de Hachimura na NBA.

Hachimura nasceu e cresceu no Japão e se mudou para os Estados Unidos para cursar faculdade. O jogador de 21 anos é o terceiro japonês a aparecer numa temporada regular da NBA e o primeiro a entrar na liga com tanta expectativa e aclamação. (Yuga Tabuse entrou em 2004 jogando pelo Phoenix Suns  e Yuta Watanabe jogou 14 partidas pelo Memphis Grizzles na última temporada e está agora com um contrato de mão dupla). Mesmo que Hachimura não seja uma estrela instantânea certamente será de grande ajuda para os Wizards em termos de merchandising e patrocínio.

Em abril a NBA lançou um programa de marketing internacional, permitindo que cada equipe venda direitos globais para dois patrocinadores fora dos Estados Unidos. O Wizards anunciará uma nova parceria com a NEC, empresa de tecnologia com sede no Japão, o que dará ao time uma grande projeção nesse país e mais visibilidade para a NEC em Washington. "Achamos que está é uma oportunidade única para expandir nossa marca no Japão", disse Van Stone.

As novas iniciativas foram lançadas no início dos treinos e em dois dias a conta no Twitter no Japão já estava com 10 mil seguidores e agora conta com mais de 13.000. Ela inclui regularmente atualizações dos treinos, previsões de jogos e resumos de jogos, trechos de coletivas de imprensa e vídeos curtos. Um clipe de 10 segundos de Hachimura marcando pontos na semana passara teve 80 mil visualizações e dois mil curtidas. Um vídeo de 15 segundos fazendo três arremessos contabilizou 65 mil visualizações e mais de 2.500 curtidas.

"Ver essa resposta imediata foi quase como 'OK, há uma enorme demanda'", disse Zac Ikuma, novo correspondente que fala japonês contratado pela equipe.

O time vem trabalhando com 24 jornalistas da mídia japonesa e pretende contar com um grande contingente de repórteres para acompanhar os jogos dos Wizards. Os fãs no Japão também poderão fazer streaming ao vivo de todos os jogos da equipe - na verdade todos da NBA - usando o serviço da Rakuten. Mas os dirigentes do Wizards acham que Ikuma está perfeitamente situado para contar a história do time para o mercado japonês.

Nenhuma outra equipe esportiva dos Estados Unidos tem uma posição como a dele e mesmo Ikuma não acreditou quando a oportunidade surgiu. "Para mim foi uma enorme surpresa essa oportunidade", disse ele, que já está na mídia esportiva há 14 anos, tendo feito a cobertura de jogos da liga de beisebol profissional Nippon do Japão. "Normalmente no caso das pessoas bilíngues a única profissão é de intérpretes. Por mais importante que seja esse trabalho estou realmente mais interessado na reportagem."

O time ganhando ou perdendo, a sua cobertura com frequência envolverá Hachimura. A organização manterá foco no jogador na quadra, mas ele será a atração no seu conteúdo focado no mercado japonês. A esperança é de que o público japonês fique sintonizado com sua estrela nativa e se apaixone pelo esporte e pelo Washington Wizards nesse processo. "Não vamos pressupor que os fãs japoneses se tornarão todos fãs dos Wizards", disse Ikuma. "Mas ter a maior estrela japonesa na equipe certamente vai ajudar."

Tradução de Terezinha Martino

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