AP Photo/Eric Gay
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Com saída de Magnano, basquete brasileiro passa por renovação

José Neto, do Flamengo, é o nome mais cotado para assumir comando do Brasil

Sergio Neto, especial para o Estado, Estadão Conteúdo

24 Agosto 2016 | 19h03

Com a saída dos dois trenadores das seleções principais, Ruben Magnano da masculina e Antonio Carlos Barbosa da feminina, o basquete brasileiro começa uma fase de reformulação. Nenhum dos comandantes conseguiu levar suas equipes para as quartas de final da modalidade nos Jogos Olímpicos. No caso, Barbosa sequer venceu uma partida.

Passada a competição, alguns nomes começam a ser especulados. O mais fortes é o de José Neto, técnico do Flamengo e auxiliar da Seleção. Currículo José Neto tem, basta analisar os títulos que venceu com a equipe: foram quatro campeonatos cariocas e NBB, ambos consecutivos. Além disso, levou o rubro nego aos títulos inéditos da Liga das Américas e Mundial de Clubes em 2014 sobre o Maccabi Tel Aviv.

Em agosto, o técnico assinou por mais dois anos com o Flamengo. Contudo, um convite para se tornar treinador principal da seleção pode afetar os planos de ambas as partes. Caso aceite a Seleção Brasileira, José Neto terá um desafio novo pela frente, levando em conta que a equipe principal sofrerá uma renovação, que de certa forma já deu seu primeiro passo. Por mais recente que possa ser a saída de Magnano, a presença de Neto na comissão técnica da Seleção não é à toa. O treinador já havia sendo preparado para uma eventual saída de Magnano. Ainda deve ter ao seu lado o auxiliar Gustavo de Conti, o Gustavinho, técnico do Paulistano/Corpore.

Um exemplo de renovação é a convocação de Rafael Luz no lugar de Larry Taylor para a disputa dos Jogos Olímpicos, decisão de Magnano bastante contestada por parte da torcida. O norte-americano naturalizou-se brasileiro justamente para defender o país na modalidade, inclusive esteve presente em Londres-2012. Porém, acabou perdendo vaga para Luz na lista de convocados para a Rio-2016. Taylor faz 36 anos ainda neste ano e dificilmente defenderá o Brasil em outra competição.

Na armação, ainda há nomes como Raulzinho e Ricardo Fischer, ambos jovens e que devem aparecer com mais frequência nas convocações, tirando aos poucos espaço do então capitão Marcelinho Huertas. Apesar de ter renovado seu vínculo com o Los Angeles Lakers, Huertas já tem 33 anos e deve cada vez menos apresentar basquete em alto nível. Inclusive, no próprio Lakers, pode sofrer com a falta de espaço por integrar uma equipe jovem com jogadores promissores.

Na contramão de Huertas, Raulzinho desempenhou um bom papel defendendo o Utah Jazz na NBA. Aos 24 anos, o armador vem conquistando cada vez mais espaço na liga norte-americana. Raulzinho já chama atenção há tempos marcando presença nas convoações das seleções de base. Há ainda o caso de Ricardo Fischer, armador recém contratado pelo Flamengo. Fischer também já tem carreira internacional por ter passado duas temporadas na europa. Voltou ao Brasil para defender o Bauru e hoje é um dos principais armadores do NBB. Passou por uma cirurgia no joelho por conta de lesão sofrida defendendo o Bauru contra o próprio Flamengo pela semifinal da Liga das Américas. Com isso, ficou de fora da lista da Rio-2016. Recuperado, deve ser nome certo nas próximas listas.

Outro jovem atleta que ganhou prestígio recentemente foi Cristiano Felício. O pivô que joga pelo Chicago Bulls na NBA pediu dispensa da seleção pra se dedicar em defender a equipe na Liga de Verão americana. Porém, com a lesão de Anderson Varejão e o término da competição, Felício foi lembrado por Magnano e, na primeira oportunidade, tomou um avião e juntou-se à equipe para a disputa da Olimpíada. Pouco foi utilizado, mas ganhou confiança em seu time nos Estados Unidos e, aos 24 anos, é um nome que será lembrado daqui para frente, principalmente por conta da idade avançada de Varejão e Nenê (33) e Guilherme Giovannoni (36).

Há também o caso de nomes como Bruno Caboclo e Lucas Nogueira, o Bebê. Ambos jogam pelo Toronto Raptors, time canadense que disputa a NBA. Bebê tem 24 anos e Caboclo tem 20. Aos poucos os atletas vão ganhando ritmo de jogo. A geração que disputará os Jogos em Tóquio em 2020 já começa a se preparar hoje e a não renovação com Ruben Magnano pode ser o início de uma nova fase no basquete brasileiro.

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