Diego Maranhão / AM Press & Images
Franca se reestrutura e está entre os principais times do NBB Diego Maranhão / AM Press & Images

Conheça os segredos da recuperação do Franca no NBB

Temporada 2018/19 consolida reestruturação de um time de 90 anos de uma cidade que se dobra à modalidade

Renan Fernandes, enviado especial / Franca, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2019 | 04h30

Campeão Paulista, Sul-Americano, um dos líderes do Novo Basquete Brasil (NBB) e pela quarta vez sede do Jogo das Estrelas. Os resultados de sucesso do Sesi Franca na edição 2018/2019 marcam um momento de consolidação da reestruturação feita pela equipe após crise financeira, que há cinco anos quase fez um dos times mais tradicionais do País fechar as portas.

Comandante das atuais conquistas como treinador e dono de outros quatro títulos por Franca como atleta, Helinho ajuda a explicar para quem não está familiarizado o porquê de a cidade receber o título de “capital nacional do basquete”. “É um trabalho de mais de 60 anos nesse esporte. Se você for a um restaurante da cidade, há fotos de times de 1931. São praticamente 90 anos de basquete.”

Nesse período, uma linhagem de grandes técnicos ajudou a criar mentalidade vencedora no time, que garantiu 11 conquistas nacionais. Em todas as taças, o pai de Helinho, Hélio Rubens Garcia, esteve presente no papel de atleta ou treinador.

“Ganhar não é possível sempre, mas ser competitivo para Franca é importante. Isso é uma coisa passada do Pedroca (Pedro Fuentes, que dá nome ao ginásio) para o meu pai e do meu pai para mim e eu repeti quando assumi em 2016”, disse.

Esse carinho da cidade pelo time, de geração para geração, como nos Garcia, ajudou a construir a relação com os fãs. E foi aos torcedores que o Franca recorreu nos momentos de maior aperto, entre 2014 e 2015, quando perdeu o patrocinador master, a Vivo, e as dívidas chegaram aos R$ 4 milhões.

A campanha “Franca patrocina Franca” foi criada para impedir o fechamento do time, algo que aconteceu com outras equipes paulistas como Santo André, COC/Ribeirão, Jaú, Rio Claro, Assis e São Bernardo.

A situação começou a mudar quando empresários e a prefeitura “adotaram” a equipe. A participação da empresária Luiza Helena, dona da rede varejista Magazine Luiza, na gestão de Franca neste momento é destacada pelo treinador. “Hoje existe um estatuto em que as sete maiores entidades da cidade têm cadeira no conselho deliberativo e nada é aprovado sem o aval delas. O conselho foi responsável por eleger uma diretoria executiva. Isso faz de Franca modelo de gestão.” Um empréstimo de R$ 900 mil, com membros do conselho como avalistas, foi feito para sanar dívidas e criar fluxo de caixa.

Em 2017, o Magazine Luiza se tornou patrocinador master da equipe e a parceria que existia com o Serviço Social da Indústria (Sesi) na base foi estendida ao elenco principal do basquete. Além de passar a utilizar toda a infraestrutura de treinamentos, um aporte financeiro passou a ser feito. Em março de 2018, o presidente da Fiesp, Sesi-SP e Senai-SP, Paulo Skaf, assinou renovação do acordo por duas temporadas. Hoje, o custo/ano do basquete de Franca é de R$ 9 milhões, o maior do NBB ao lado do Flamengo.

PRESSÃO

Ao Estado, Helinho admitiu que todo esse trabalho na parte administrativa gera uma pressão natural pelos títulos, algo que às vezes demora a acontecer. “Para a nossa felicidade, os títulos apareceram de forma rápida e isso mostra que estamos no caminho certo.”

As vitórias também serviram para reforçar o acerto na decisão de assumir o posto ocupado por outras cinco pessoas desde 1959.

“Estou feliz como técnico. Faz quase três anos que estou na área e tenho mais de 30 anos de vivência com o treinador mais vitorioso do Brasil, meu pai”, comentou. A meta do Franca é bastante clara: primeiro lugar no NBB e na Liga das Américas, como pede a cidade.

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Olheiros da NBA observam Didi, ala de 19 anos do Franca

Capixaba já desperta o interesse de representantes das franquias do principal torneio de basquete do mundo

Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2019 | 04h32

No evento oficial de lançamento do Jogo das Estrelas do NBB, na última semana, um garoto nascido em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, destoava dos veteranos Shamell, Alex Garcia (ambos de 38 anos) e Leandrinho (36). Ainda tímido, mas com personalidade, Didi, de 1,95 m, precisou de duas temporadas no time adulto de Franca para conquistar seu lugar entre os melhores da Liga. O jovem de 19 anos, batizado Marcos Henrique, também faz parte da seleção brasileira e já aparece na lista de candidatos a entrar na NBA.

O ala começou na modalidade em um projeto social da Liga Urbana de Basquete (Lusb). O sucesso no torneio capixaba acabou rendendo convocações para as seleções de base e, aos 15 anos, surgiu o convite para integrar o Franca. “Os primeiros anos foram difíceis porque nunca tinha ficado longe da minha mãe, do meu irmão e da minha avó. Minha adaptação foi complicada, mas consegui vencer.”

Mais à vontade na cidade, Didi foi ganhando espaço tanto no time como nas seleções de base. Em outubro do ano passado veio o ápice. O título do sul-americano sub-21 ao derrotar a dona da casa, Argentina, na final. Foi naquela competição que ele entrou no radar do croata Aleksandar Petrovic, técnico da seleção brasileira principal de basquete. No fim do mesmo mês, o nome de Didi apareceu na convocação para jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo.

“Fiquei bastante surpreso na primeira convocação. Eu estava em uma pizzaria comemorando uma vitória do time com meus amigos quando minha mãe me ligou para falar que eu estava convocado pelo Brasil.”

Em entrevista ao Estado em 2018, Petrovic disse que ficou entusiasmado com naturalidade com que o garoto se comportou nos treinamentos, principalmente contra atletas já consagrados como Leandrinho. O treinador chegou a afirmar que Didi é um talento para os “próximos 10 ou 15 anos” no basquete. 

Atualmente no Life Fitness/Minas, Leandrinho, com longa passagem pela NBA, disse que Didi está pronto para dar o próximo passo na carreira. “É um cara que tem muito potencial e está pronto. É o que acredito após os anos que vivi fora.”

Em lista feita pela ESPN norte-americana, o nome de Didi aparece na posição 64 entre os 100 melhores prospectos para entrar na NBA no draft deste ano. Mesmo admitindo que faz parte de seu projeto jogar na principal liga do mundo, nos Estados Unidos, o jogador garante que sua cabeça está voltada para o Brasil neste momento. “Estou pensando ao máximo aqui no Brasil, no NBB. Meu sonho agora é conquistar o título por Franca e só depois pensar no meu futuro”.

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Apesar do crescimento recente, basquete ainda depende de parceiros

Projetos são pensados para apenas uma temporada, o que afasta grandes jogadores do Brasil

Renan Fernandes, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2019 | 04h31

Apesar de viverem em um momento de crescimento desde a criação do NBB, que está em sua 11.ª edição, os times brasileiros de basquete sofrem com a dependência de seus parceiros. Tanto que a maioria dos projetos é feita para uma temporada. Se tudo correr bem, o vínculo é renovado. Se não, o clube simplesmente acaba. Foi o que aconteceu com o multicampeão Brasília em 2017.

Essa incerteza afasta do País os grandes jogadores, interessados em contratos mais longos e estáveis, e dificulta o desenvolvimento de novos valores nas quadra. “Hoje não é possível fazer gestão de basquete no Brasil sem um grande patrocinador, principalmente para disputar um NBB e ter um time de alto nível.” Quem faz a afirmação é o presidente do Sesi Franca Basquete, Luis Prior, que assumiu a equipe na temporada 2015.

Para tentar quebrar esse ciclo, Franca tem usado o momento de estabilidade para buscar alternativas para arrecadar dinheiro. “Estamos criando várias propriedades para explorar todas as possibilidades de gerar novas receitas”, diz o cartola. “Dentre elas posso citar as placas de Led em todos os jogos. Então, temos uma boa venda desses espaços, principalmente nos jogos com TV.”

Outra aposta é no projeto de sócio-torcedor, assim como fazem os clubes de futebol. “Quando chegamos, tinha algo em torno de 500 sócios e hoje temos 1.700. Essa é uma de nossas principais fontes de renda e deve crescer com conquistas.”

Os planos variam de R$ 120 a R$ 1.560 e dão aos proprietários os mais diversos benefícios, como a participação em brincadeiras durante os jogos, sorteios e descontos na loja oficial.

A Liga Nacional de Basquete (LNB), organizadora do NBB, sabe dos problemas financeiros enfrentados pelas equipes e diz trabalhar para solidificar a competição e, desta forma, torná-la atrativa para os anunciantes. “A preocupação da Liga é dar aos times estrutura administrativa profissional, desenvolvendo a parte de marketing e comunicação. Esses dois fatores são fundamentais para poder vincular o patrocinador ao clube e tirar dele um retorno”, diz o presidente da LNB, Kouros Monadjemi.

Nesta edição, 75% das partidas têm transmissão ao vivo, com Facebook (segunda-feira), ESPN (terça), Twitter (quarta), BandSports (quinta), Fox Sports (sexta) e Band (sábado).

Para Monadjemi, é importante criar mais atrativos nas partidas. “Haja visto o exemplo de Franca, que, com a profissionalização de sua gestão, tem receita interessante, fora da camisa e de placas, mas da sua parte de alimentação, ingressos e shows. Uma atividade paralela que ajuda a atrair o torcedor.”

A Liga ainda projeta em médio prazo conseguir ajudar as equipes com a totalidade de gastos como locomoção, alojamento, alimentação e arbitragem do NBB.

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