Crise financeira mundial não poupa nem a NBA

Liga Norte-Americana de Basquete pode perder parte de duas estrelas nos próximos dois anos

Alan Rafael Villaverde, estadao.com.br

28 de outubro de 2008 | 09h48

A crise mundial financeira não poupa sequer o cenário esportivo. Tida como uma das ligas mais bem sucedidas, a NBA já se prepara para os problemas que encontrará nas duas próximas temporadas. Veja também:  Temporada da NBA começa e Lakers já são os favoritos O comissário da NBA, David Stern, no comando desde 1984 e um dos principais responsáveis pela expansão e sucesso da liga, declarou que cerca de 9% do quadro de funcionários será cortado até o final deste ano. A intenção é manter o balanço fiscal sem comprometer o desempenho dos escritórios responsáveis pela realização da competição, que reúne 30 franquias. Além disso, a direção da NBA, juntamente com os representantes das equipes, anunciaram, no começo deste mês, cortes nos preços de até 50% - para planos de temporada - dos ingressos para evitar maiores perdas. O Comissário da liga, David Stern, disse que o futuro é incerto para fazer quaisquer projeções, mas que medidas estão sendo tomadas para evitar a perda de market share dentro e fora dos Estados Unidos. "Eu acredito que, quando começar a temporada, nós estaremos com preços bem mais baixos para os jogos, o que vai aumentar na renovação de planos, mas eu não posso dizer com certeza se seremos muito afetados (pela crise). Mesmo assim, não acho que sofreremos um grande impacto, mas vamos ser atingidos, sim", comentou Stern. Apesar das medidas, oito clubes serão muito afetados pela crise: Memphis Grizzlies, Charlotte Bobcats, Portland Trail Blazers, Minnesota Timberwolves, Indiana Pacers, Utah Jazz, Milwaukee Bucks e New Orleans Hornets. Tais franquias jogam em praças consideradas pouco rentáveis, uma vez que o público-alvo é menor e não possui o mesmo poder aquisitivo de grandes cidades como Los Angeles, Nova York, Chicago e Boston. E, mesmo com a política de divisão igual dos direitos televisivos, implementada por David Stern, os clubes citados não estarão livres da recessão. Estima-se que um clube da NBA deva ganhar algo em torno de US$ 100 a US$ 120 milhões por temporada para manter seu balanço fiscal em dia. Deste valor, apenas US$ 78 milhões são garantidos por contratos estabelecidos antes das temporadas. O resto vem de publicidade regional, de possíveis aparições em jogos importantes, como os playoffs e da compra de ingressos. Com a crise financeira, empresas cortam gastos em publicidade considerados "supérfluos". O torcedor segue o mesmo caminho, optando por ficar em casa. Com a iminente queda de renda, os clubes perderão poder de negociação com os principais jogadores, dando espaço para uma ameaça cada vez mais real, o basquetebol europeu. A Europa também está sendo afetada pela crise financeira, mas, ao contrário da NBA, não conta com limites na folha salarial, podendo, assim, oferecer um salário milionário de US$ 50 milhões por ano para o astro LeBron James que, hoje, recebe quase US$ 15 milhões por temporada. Durante os Jogos Olímpicos de Pequim, o ala dos Cavaliers teria dito a um amigo próximo que aceitaria tal oferta sem pensar duas vezes. Os principais clubes europeus também contam com fortes investidores dispostos a fortalecer a Euroliga de basquete. E, como o dólar perdeu seu valor frente ao euro, os grandes astros da NBA já pensam em desafios do outro lado do Atlântico. Outros, medianos, já optaram pela mudança, como Josh Childress, que jogava pelo Atlanta Hawks e acertou um contrato de três anos com o Olympiacos, da Grécia, no valor de US$ 30 milhões, praticamente o dobro do que receberia se tivesse acertado sua permanência na NBA. Confira os jogadores que poderão deixar a NBA nas duas próximas temporadas por conta da crise mundial financeira e do avanço da Euroliga de basquete:2009: Allen Iverson, Andre Miller, Carlos Boozer, Jason Kidd, Lamar Odom, Kobe Bryant, Rasheed Wallace, Richard Hamilton, Ron Artest e Shawn Marion. 2010: Amare Stoudemire, Chris Bosh, Dirk Nowitzki, Dwyane Wade, Joe Johnson, LeBron James, Manu Ginóbili, Michael Redd, Ray Allen, Richard Jefferson, Steve Nash, Tracy McGrady, Tyson Chandler e Yao Ming.

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